Um Ponto da Situação

Retrato de Filipe Brás Almeida

Ou porque é que eu acho que o governo do Sócrates poderá estar a chegar a um fim antecipado.

À luz das últimas sondagens reveladas após a eleição recente de um novo líder bicéfalo da oposição, que vai pelo nome de Menezes-Lopes, embora que tenham sido influenciadas pela cobertura mediática positiva que se concede sempre a uma nova figura que entra em cena, elas indicam mesmo assim uma redução de popularidade/intenções de voto do Sócrates e do PS respectivamente, que não deixam de ser alarmantes para as hostes socialistas.

Mais uma vez a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia demonstra que tem um efeito devastador sobre a popularidade do governo em funções, sabe-se lá porquê.

Mas há mais.

Praticamente a meio do mandato eleitoral e apesar do «espírito reformista» revelado nalgumas áreas, e dos objectivos traçados para o défice orçamental terem sido cumpridos com alguma folga, o governo continua sem projecto à vista para resolver os problemas endémicos nacionais: Desemprego elevado e economia letárgica para nomear alguns.

Como Liberais, temos como adquirido que boa parte da solução para o país passa por redefinir o papel do estado na vida de cada cidadão. Mais concretamente emagrecer um estado gordo há muito asfixiando a iniciativa privada do cidadão comum, quase sempre perversamente e com toda a ironia possível, prejudicando mais quem se pretendeu auxiliar, PME's, e jovens trabalhadores por conta de outrem.

O PS devido à família ideológica a que pertence, parte naturalmente para esta corrida sem ideias e sem o programa adequado. Antes de poder avançar para uma reforma desta natureza, teria de haver antes algum debate interno no partido nessa direcção, coisa que até ao momento não me parece que tenha ocorrido ou que venha a ocorrer. Mesmo que venha a ocorrer a prazo, tal não acontecerá sem provocar clivagens dentro do partido.

Aguarda-se para ver até que ponto, e com que celeridade, o governo de Sócrates estará disposto a avançar com algumas das ideias mais tímidas neste sentido, como a flexigurança.

Caso o actual governo não seja capaz de impulsionar rapidamente a actual situação de emprego e crescimento - que é de contornos dramáticos para milhares de portugueses - não serei eu a apostar na clemência do povo para com o PS. As coisas podem tornar-se feias para o Sócrates mais rapidamente do que se pensa, apesar da principal alternativa possuir pouca credibilidade e seriedade.

Comentários

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Retrato de Filipe Brás Almeida

Afinal não é bem assim.

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