Ultraliberalismo e ultraconservadorismo

Retrato de Luís Lavoura

O liberalismo é por vezes apenas uma nova justificação teórica para o conservadorismo, como se vê através de um exemplo prático aqui.

Comentários

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Retrato de Miguel Duarte

Não sei se concordo muito com isso...

A língua deve efectivamente poder evoluir por si. No entanto, não me incomoda nada que exista uma ortografia oficial, no sentido em que os Estado de língua portuguesa adoptem uma ortografia comum a usar no sistema escolar de ambos os países e em publicações oficiais.

De qualquer maneira, desconheço qual é a força do acordo ortográfico. Não estou a ver ninguém ser preso ou multado por escrever com a ortografia antiga.

Retrato de Luís Lavoura

Evolução

A língua evolui sempre por si. Sempre. A ortografia também tende a mudar, embora muito mais lentamente. Por exemplo, os lisboetas pronunciam "defenição" a palavra que se escreve "definição". Como resultado dessa pronúncia, muitos lisboetas já escrevem também "defenição".

Mas tem sempre que haver uma ortografia oficial. Os livros têm que estar escritos numa ortografia que não choque as pessoas quando os lêem. E os miúdos na escola têm que aprender a escrever as palavras de determinada forma.

É claro que ninguém é punido por escrever palavras com uma grafia antiga. Por exemplo, o meu padrinho escrevia o meu nome "Luiz", a grafia que dantes se usava. Mas nos livros escreve-se "Luís", e é assim que os miúdos aprendem a escrever na escola. Tem que haver um padrão.

Já viram o que seria se fôssemos procurar a palavra "sal" na enciclopédia e não a encontrássemos no S, por ela estar no C escrita "çal"?

Luís Lavoura

Retrato de Igor Caldeira

Mesmo sendo contra o acordo...

... reconheço que o argumento colhe parcialmente:
"Só é de admirar que todo o seu texto esteja impecavelmente redigido de acordo com a norma ortográfica oficial, resultante da sucessiva legislação do século XX, sem a mínima sombra de libertarismo ortográfico!"
Se o problema estiver na imposição de regras estatais e não no acordo em si, como justificar que Desidério Murcho escreva segundo os princípios impostos pelo Estado ao longo do século XX?

Retrato de Luís Lavoura

O argumento

O argumento teórico é mais ou menos assim:

Eu sou um conservador, isto é, eu quero que tudo fique na mesma. Para que tudo fique na mesma convem que o Estado não tente alterar o status quo. Portanto eu peço a não-intervenção do Estado. Para justificar a não-intervenção do Estado eu defendo que o Estado não deve intervir em coisa nenhuma.

Este argumento torna-se especialmente ridículo quando, como no caso presente (a ortografia da língua portuguesa), o próprio status quo é já ele próprio o resultado de uma intervenção do Estado.

Luís Lavoura

Retrato de Hugo Garcia

Tem de existir uma língua oficial

A língua oficial tem de existir.

Então se uma vírgula altera o significado de uma frase, como seria escrever e interpretar um contracto ou uma lei se cada um escrevesse numa língua diferente.

Sim, a língua evolui, por vezes à base de muito erro, que de excepção se tornou a norma. Mas em cada tempo tem de existir algo que é a língua oficial, que com o passar do tempo vai sofrendo ajustes acompanhando os populismos.

Reparem nos licenciados em Direito, que por maioria ou estereótipo, não são bons escritores (leia-se comunicadores), mas são quase sempre de uma correcção ortográfica e gramatical exemplar.

Mas já agora. Quem escreve "defenição" escreve mal.

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