
Deve um liberal ser favorável às pretensões autonomistas ou independentistas do Tibete?
Eu diria que não. Eu generalizaria até, para sugerir que há uma contradição fundamental entre o liberalismo e o desejo de autodeterminação dos povos.
Quando um povo luta pela sua autodeterminação ou independência, como os povos do Kosovo ou do Tibete, ele está invariavelmente a pretender que haja um Estado, ou organização equivalente, que proteja esse povo de forma exclusiva, em detrimento de outros povos e de outras pessoas.
O que os tibetanos querem é, ao fim e ao cabo, um Estado ou Governo Autonómico que impeça a imigração de chineses para o Tibete, violando pois a desejável liberdade de movimentação das pessoas, e que proteja e favoreça a "cultura tibetana" (seja lá o que isso fôr), dando privilégios a essa cultura e proibindo ou dificultando a prática de outras culturas concorrentes. Para esse Estado ou Governo Autonómico, naturalmente, só os tibetanos puro-sangue poderão votar.
Eu não posso deixar de considerar um tal projeto como substancialmente anti-liberal. Seria um projeto que, inevitavlmente, eliminaria ou restringiria a liberdade de movimentação das pessoas, a liberdade de as empresas e negócios se instalarem independentemente da etnia de origem do empresário, a liberdade dos intercâmbios culturais e da prática de culturas distintas.
Comentários
Dúvida celestial
Poderá existir um líder escolhido pelas forças supremas de reincarnação num Estado democrático? Como é eleita esta entidade celestial? Haverão “partidos” de oposição supremos? Quantos são?
São perguntas que o Governo Tibetano no Exílio eleito pelas mesmas forças deverá responder antes de vender ao mundo a ideia de que é um governo com pretensões democráticas.
Se é um Governo que procura implementar um regime democrático mais mundano (feito com pessoas) como alegam, então porque é que ainda não deram o exemplo?