
A propósito do recente post do Miguel Duarte sobre o preço do petróleo, podemos esperar que, nos próximos tempos ou anos, haja convulsões sociais em diversos países do Terceiro Mundo, e não só, à medida que diversos governos serão forçados a abandonar a prática de subsidiar o preço dos produtos petrolíferos.
Cá na Europa essa prática já caiu largamente em desuso - embora tenha sido recentemente retomada, ao que creio, por exemplo em França, no gasóleo para os barcos de pesca. Mas em muitos e importantes países, por exemplo a Índia e a China, ainda se mantem: o Estado subsidia os produtos petrolíferos por forma a que o seu preço de venda ao público seja fixo e, de facto, inferior ao custo à saída das refinarias. Ou seja, os produtos petrolíferos são sujeitos a um imposto negativo.
À medida que o preço do petróleo vai aumentando, esta prática vai-se tornando ruinosa e insustentável para os orçamentos dos Estados. Por outro lado, sem sentir o verdadeiro custo daquilo que consome, o povo não tem incentivo para diminuir o consumo, o que também se torna ruinoso para a balança de pagamentos desses países, que têm que importar boa parte do petróleo que consomem.
Mas a retirada desses subsídios será brutalmente dolorosa para muito boa e pobre gente, pelo que haverá, certamente, distúrbios...
Comentários
Luís, não te esqueças que
Luís, não te esqueças que apesar de subsidiar um sector, o gasóleo continua sujeito a imposto sobre produtos petrolíferos. Tens alguma informação concreta sobre o custo ao produtor em França ou na China?
Resposta (muito) parcial
Vê isto.
Luís Lavoura
Luís, o preço de venda ao
Luís, o preço de venda ao público nunca é inferior ao custo à saída das refinarias, como afirmas. Até podes subsidiar a refinação, mas a venda ao público está sempre sujeita a impostos sobre produtos petrolíferos, o que faz com que o público pague sempre bem acima do preço de custo. O custo do gasóleo saído da refinaria ronda os 0,55€ em Sines, talvez 0,40€ na China. Compara agora com o gráfico de preços de venda ao público do artigo que linkaste.
Depreendo...
... do artigo linkado que em alguns países há mesmo subsídios, isto é, impostos negativos, aos combustíveis:
"In Malaysia and Indonesia, which have the cheapest petrol in Asia, fuel subsidies account for over 10% of total government spending."
Ou seja, na Malásia e na Indonésia os governos gastam dinheiro a subsidiar o preço dos combustíveis. E ainda:
"[In] China [...] oil refiners are still being forced to sell fuel below its international cost"
Luís Lavoura
Subsidias 10% na produção
Subsidias 10% na produção e recolhes 110% no retalhe. A China pode exportar abaixo do custo de produção, mas no acto de venda aplicar 60 cêntimos de IVA e ISP à mesma.
O que escreveste acima é que no retalhe compras abaixo do custo de refinaria. Isso não acontece em nenhum dos países do artigo linkado.
Preço do Petróleo
O litro do Petróleo está a qualquer coisa como 0.41€ (0.63$). O que acontece é que durante o processo de refinação um litro de petróleo não corresponderá exactamente a 1 litro de gasolina ou gasóleo. Existem outros produtos que resultam da refinação como o kerosene e outros gasóleos leves que normalmente são vendidos a preços abaixo do custo para máquinas menos exigentes. Portanto os preços á saída da refinaria do diesel (gasóleo de alta qualidade utilizado nos automóeis) reflectem também este desperdício. Rule of thumb, poder-se-à acrescentar 0.10€/0.15$ ao custo da matéria prima (dado que a refinação é um processo capital intensivo, os custos não variam muito geograficamente). Somando as duas parcelas, temos que o preço à saída das refinarias andará pelos 0.78 usd.
(P.S.: Não responsabilizo-me por erros hortográficos no teisto)