Suíça

Retrato de Luís Lavoura

Na equipa suíça de futebol que ontem jogou contra o Sporting, havia dois negros retintos que eram ambos cidadãos suíços. Os locutores apresentaram-nos como sendo um "suíço de origem liberiana" e o outro "suíço de origem caboverdiana".

Abençoada seja a Suíça, que concede a sua nacionalidade a tantas pessoas de origem estrangeira! Deve haver muito poucos países no mundo que, com tanta generosidade, concedem a nacionalidade a estrangeiros que, na sua origem e na sua raça, tão diferentes são dos suíços originais.

Na Suíça a concessão de nacionalidade é democrática. A nacionalidade é concedida pelos cantões, e não pela confederação. Para que um cantão conceda a nacionalidade a um estrangeiro, basta, essencialmente, que uns tantos cidadãos suíços intercedam por esse estrangeiro, garantindo tratar-se de uma pessoa de bem e integrada na comunidade. E que nenhum cidadão suíço afirme o contrário. Quando vivi em Genebra, vi nas paredes afixados cartazes do cantão, em que se informava que determinados indivíduos (e mostravam as fotografias dos indivíduos) tinham solicitado a necionalidade desse cantão, e perguntando aos cidadãos de Genebra se não levantavam quaisquer objeções contra a concessão da nacionalidade a essas pessoas.

Assim fosem outros povos tão pouco racistas como os suíços, e tão prontos a acolher no seu seio pessoas de diversas origens.