
Ridícula, a entrevista do Ministro Correia de Campos à TVI sobre a ridícula assistência do INEM em Aleijo (a gravação das conversas que passou na TVI é escandalosa - tragicamente poderia ser um excelente clip do Gato Fedorento). O sistema falhou estupidamente e o ministro desresponsabiliza tudo e todos, não assumindo sequer que houve falhas no sistema. Ora, se ninguém é responsável, só resta responsabilizar o responsável máximo - o Ministro da Saúde.
Por isso, só posso dizer uma coisa: Sr. Ministro - Demita-se!
Comentários
Subscrevo completamente
Para mim, a gota de agua foi o que se passou em Chaves.
Acaba-se com a Maternidade Pública, e avança um projecto privado para a mesma localidade.
Ainda hoje, em directo na TVI, perante perguntas incómodas do jornalista, o Ministro foi prepotente ao dizer "a mim não faz essas perguntas" ao que o jornalista responde qualquer coisa como faço-as o senhor é que pode não responder...
maternidade?
É muito fácil fazer uma maternidade privada: basta pôr uma tabuleta por cima da porta de um edifício dizendo "Maternidade".
Muito mais difícil é fazer uma maternidade, seja ela pública ou privada, na qual as mulheres possam dar à luz em condições clínicas de segurança. Isto é, com a certeza de que, se houver complicações, elas serão resolvidas imediatamente no local e que a mulher não terá que ser evacuada de urgência da "maternidade privada" para a maternidade pública mais próxima.
Há em Portugal muitas "universidades privadas" que de universidade só têm o nome.
A ver vamos se a futura "maternidade privada" de Chaves terá de maternidade mais alguma coisa do que o nome.
Luís Lavoura
Mais um Ministro que leva o país para o caos total
Portugal está a cair num caos total de desgovernação.
O interior do país, por não ter grande população e por isso votos, tem vindo a perder as principais infraestruturas que por direito deveriam ter de algum modo garantidas pelo estado.
As zonas sub-urbanas estão num caos total em termos de segurança, urbanismo, apoios sociais, educação, emprego, etc.
As principais zonas urbanas estão falidas, desorganizadas, sem uma política de transportes, enfim sem rumo, etc.
Os governantes acordaram do sonho de 6 meses em que se julgavam governantes da Europa, e passaram a sonhar com grandes obras (era a OTA, agora ALCOCHETE, e final os outros não já tiveram o CCB, o aeroporto de Macau, a barragem do Alqueva, a Expo, o Europeu de Futebol, o porto de Sines, a barragem de Cabora Bassa, etc.)
O Presidente está a fazer o mesmo que todos os anteriores Presidentes da Républica, ou seja nada, além cortar umas fitas, mandar umas bocas num ou noutro discurso, presidir a uns jantares, ... (Não era isso alías o que fazia o Almirante Américo Tomás) .
os parlamentares não fazem mesmo nada, nem sequer uma cena à italiana com insultos entre eles e já tenho pena das intervenções da Odete, que pelo menos eram divertidas, sem sentido mas divertidas.
Mas a culpa não é deles.
A culpa é de quem vota neles, de quem não se abstém e com isso permite que eles se mantenham, de quem acredita que a alternativa ao PS é o PSD e a alternativa ao PSD é o PS.
A culpa também é daqueles que não se organizam e os combatem democraticamente para que eles saiam de lá.
Urgência: «O que quer que faça?»
Para quem não teve oportunidade de ouvir o conteúdo das chamadas do INEM para os Bombeiros, vejam em
http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?div_id=291&id=907794
Após ter ouvido as
Após ter ouvido as gravações, as minhas impressões:
1) o telefonema do irmão da vítima é muito suspeito, mas no entanto é de levar qualquer alerta a sério
2) a assistente do INEM procedeu sempre de forma correcta, mas depara-se com dificuldades em todos os organismos que contacta. temos um sistema nacional de saúde preso pelos arames. a pobre assistente passa 10 minutos a mendigar assistência, como se fosse algum favor pessoal.
3) os bombeiros são outros pobres coitados que trabalham a troco de nada, e colocam a vida em risco, mas o serviço nacional de saúde usa-os como recursos
4) tenho apesar de tudo boa impressão do actual ministro, mas ele não vai conseguir reformar nada, e vai provavelmente ser linchado politicamente. há demasiada resistência à racionalização do sistema.
5) a gestão estatal é uma merda
Culpas
Eu não disse que as culpas era dos intervenientes directos (bombeiros, assistente do INEM) no processo. A assistente estava a tentar desenrascar, um bombeiro não tinha o mínimo de preparação e o outro parecia mais preparado mas não tinha pessoas suficientes (tal como o primeiro).
A culpa é de alguém acima. Como supostamente os bombeiros só fazem esta assistência por favor (não há protocolos), provavelmente nem será aí que deves procurar culpas.
Quanto ao ministro, relativamente ao resto só pode reformar, curiosamente, tendo um óptimo serviço de transporte urgente de doentes. Se calhar deveria ter começado por aí.
Discordo
O INEM funciona na maior parte dos casos excelentemente. Já por mais de uma vez a minha família teve que recorrer ao INEM e em todos os casos eles vieram super-rapidamente e com pessoal delicado e competente.
É claro que o sistema terá falhas, que têm que ser corrigidas. Agora, pedir responsabilidades ao ministro por o sistema falhar numa noite de domingo em Alijó, uma terra desertificada do interior, parece-me excessivo. Ainda por cima, a falha não teve quaisquer consequências práticas, uma vez que a pessoa já estava morta quando o INEM foi chamado.
Aliás, parece que quem falhou foram os bombeiros, que não têm pessoal suficiente, e não propriamente o INEM.
O ministro da saúde tem, genericamente, feito um bom trabalho. Impopular, mas necessário.
Luís Lavoura
Precisamente...
"Agora, pedir responsabilidades ao ministro por o sistema falhar numa noite de domingo"
- pedir responsabilidades ao visionário que quer impor a sua visão de sistema. Este é o sistema que ele idealizou (com base em pareceres técnicos, que presuponham determinadas condições, que estão muito longe da realidade actual)
- é totalmente indiferente, para casos de vida ou de morte, ser Domingo, Páscoa ou Ano Novo...
A questão é que pelo menos quatro SAP (Serviço de Atendimento Permanente) fecharam no distrito de Vila Real. Se o mesmo não tinha qualidade, conforme referiu o ministro e citando um popular "então a única alternativa do Governo seria melhorar o serviço, mas nunca fechá-lo."
- Durante anos, foram investidos milhões de contos para descentralizar os cuidados de saúde de urgência, para que não existissem as corridas às urgências dos hospitais. Agora, toca a centralizar, tudo nos hospitais centrais.
É claro que nestes casos mais complicados, é necessário fazer transporte para hospitias centrais, mas o primeiro apoio era feito em instalações médicas e não em ambulâncias (como em Anadia)
"O INEM funciona na maior parte dos casos excelentemente"
- Tens algum caso de familiar que foi atendido fora dos grandes centros? É que é fácil falarmos quando moramos nos grandes centros e os meios de socorro são vários e rápidos. Por muito rápido e eficiente a condução de uma viatura do INEM, fazer 45 minutos num percurso que normalmente é feito em 60, continua a ser muito tempo.
Aleijo?
Escreve-se Alijó e não Aleijo, caro Miguel.