
Analisei os argumentos apresentados no blogue Tuga sobre a suposta impreparação de Portugal para o liberalismo na sua vertente económica. Neste post apresento dois contra-argumentos de caráter geral:
1) A liberdade económica é antes de tudo um imperativo ético. Ou seja, mesmo que duvidemos que a liberdade económica possa melhorar a situação de Portugal, impõe-se defender essa liberdade como uma vertente inalienável e inseparável da liberdade em geral, a qual amamos e almejamos por motivos éticos.
2) A liberdade económica será imposta a Portugal pela globalização, e teremos que aprender a viver com ela se quisermos sobreviver. No mundo globalizado existem fortes pressões para que haja cada vez mais liberdade económica. A liberdade do comércio de mercadorias no interior da União Europeia tem tendência a ampliar-se, por um lado ao comércio de mercadorias em todo o mundo através dos acordos de comércio livre, por outro lado ao comércio de serviços no interior da União Europeia. Esta liberdade económica tornará crescentemente impraticáveis e auto-destruidores os esquemas da cultura tuga - o nepotismo, o protecionismo estatal, o amiguismo nos negócios, a corrupção, a fraca mobilidade social - obrigando os tugas todos a nadarem numa maré global se quiserem sobreviver.
Comentários
Uma ressalva
Uma ressalva:
Espero não ter criada a noção de que o artigo tinha o intuito criticar o liberalismo económico (na sua ideologia), pois o intuito era o de descrever algumas barreiras à eficiência do liberalismo em Portugal.
"Esta liberdade económica tornará crescentemente impraticáveis e auto-destruidores os esquemas da cultura tuga - o nepotismo, o protecionismo estatal, o amiguismo nos negócios, a corrupção, a fraca mobilidade social - obrigando os tugas todos a nadarem numa maré global se quiserem sobreviver."
O que é a esta liberdade económica?
Resposta
A livre concorrência.
A partir do momento em que as empresas portuguesas - incluindo as de serviços - sejam obrigadas a concorrer em pé de igualdade, e no seu próprio terreno, com empresas de outros países, aquelas empresas que utilizem os métodos usuais da cultura tuga - contratar o primo da namorada, depender do privilégio concedido por portaria ministerial, negociar preferencialmente com a empresa do sogro, etc - ficam em desvantagem quando comparadas com empresas estrangeiras que se baseiam apenas no mérito e na qualidade.
Luís Lavoura
A livre concorrência
No entanto nem todos os mercados funcionam bem na livre concorrência (sector imobiliário), nem isso é garantia de uma maior qualidade e melhoria de condição de vida na sociedade.
Além disso não é claro que a livre concorrência leva a uma desvantagem da cultura Tuga. Pode acontecer precisamente o contrário, nem vejo que a dictonomia Nacional-Estrangeiro tenha de ser Merito e Qualidade Vs não mérito e Qualidade.
Para mim, a lei da livre concorrência é um pouco como a teoria de Darwin, sobrevive as que sobrevivem, não significa que sejam as melhores em termos de qualidade ou mérito mas as melhores que se adequaram a esse "ecossistema". A livre-concorrência não é de todo uma garantia de mérito e qualidade (estes conceitos nem sequer entram na teoria liberal económica) mas as mais eficientes. Sendo que eficiência e qualidade/mérito não são a mesma coisa.