
Caro João Rodrigues,
Tento responder a algumas da suas cândidas questões económicas
1. Qual é a relação entre os cortes nas despesas com o pessoal nos estados da UE e o fraco desempenho relativo da UE?
Simples. Os estados europeus estão a fazer demais e de forma pouco eficiente. Isso prejudica o motor do crescimento económico, a iniciativa privada, tendo o produto potencial europeu sofrido com isso. Apesar de pouco, o que algumas economias europeias têm feito é tentar reduzir os custos com pessoal. Logo a relação é de correlação. Ambas as coisas estão relacionadas com Estados que mais se parecem com gordos polvos.
2. Porque as empresas pagam tanto a alguns e tão pouco a outros?
Porque as empresas ao contrário de, por exemplo o estado português, podem pagar mais por recursos escassos, premiando o talento, não porque são benevolentes, mas porque entendem que é dinheiro bem empregue para atingirem os objectivos que têm. Porque no fundo, os decisores dessas empresas, não escolhem os gestores em função da cor do seu cartão. É reconhecido que a competência é mais cara que os cartões partidários.
3. Qual é que vai ser o impacto da flexibilização do mercado de trabalho?
Sim. No curtíssimo prazo diminuiria o salário médio. Diminuirá de qualquer maneira, mesmo sem flexibilização, mas com flexibilização o ajuste seria mais rápido. Tambem permitiria pagar a quem dá mais resultado e menos a quem dá menos, incentivando todos a produzir mais (a resposta às perguntas da produtividade ficam para outro dia). Eliminaria o incentivo perverso a nada fazer. Tornaria muitos projectos viáveis, aumentando o investimento privado, aumentando a procura de trabalhadores, aumentando o valor dos trabalhadores e no médio e longo prazo a sua remuneração média.
Existem correlações sobre correlações. Tambem se pode identificar o mesmo tipo de relação entre a liberalização da economia checa e a diminuição do salário médio na Amadora. As empresas podem aumentar o seu endividamento por variadíssimas razões. Felizmente esse nível de endividamento não é feito centralmente, senão estariamos todos dependentes da capacidade de economistas amantes do planeamento central para responder a essa questão.
O aumento das taxas de juro reflectem a espectativa dos dirigentes do BCE de que no espaço económico europeu o crescimento do produto seja demasiado alto por comparação com o produto potencial. No fundo aumentam o preço do dinheiro tornando mais atractiva a poupança e menos atractiva a despesa suportada por crédito. As empresas portuguesas estão avisadas desta subida e não ficaram à espera dos planeadores centrais para tomarem decisões de acordo com essas expectativas. As decisões de investimento das empresas privadas baseia-se fundamentalmente das expectativas de rentabilidade do mesmo, que dependem das taxas de juros esperadas. Portanto as decisões de financiamento foram já tomadas considerando essa expectiva de subida. Portanto, assumindo que o BCE age exactamente como esperado terá um impacto nulo no crescimento do PIB português via dívida das empresas portuguesas. Tambem por isso a previsibilidade do comportamento do BCE é importante.
6. A desigualdade faz mal ao desenvolvimento?
Um medidor antigo e fiavel para medir a desigualdade em um país é o índice de concentração de gini. É muito simpes, diz em qual proporção da população está concentrada que proporção da riqueza total do país. Quanto maior proporção da riqueza estiver em menor proporção da população maior a desigualdade. Durante os últimos anos os países que mais se desenvolveram viram a riqueza a concentrar-se. Tambem viram um número imprecedente de indivíduos a saírem da pobreza extrema.
Não foi a desigualdade que provocou o crescimento ou que tirou as pessoas da pobreza extrema. Foi o aumento da liberdade económica. Existe de facto uma relação entre a igualdade e o crescimento económico. Os países cujos governadores autoritários promovem ideário marxista/comunista igualitário viram os seus países a empobrecerem, a terem desenvolvimento económico negativo.Para o efeito, tambem os governadores autoritários que não promovem ideário nenhum viram o seu país a empobrecer. É a falta de liberdade que atrasa o desenvolvimento e causa a pobreza, independentemente de quais as razões ou métodos de quem captura a liberdae.
Há factores externos que baralham isto tudo, como por exemplo a existência ou descoberta em abundancia de um recurso natural precioso em abundancia. Nestes casos pode existir mais ou menos crescimento, mais ou menos igualdade e mais ou menos pobreza resultante, pode não existir nenhum relação entre umas coisas e outras.
Comentários
Muito bem, mas é um
Muito bem, mas é um esforço inglório...