Professores (2)

Retrato de Luís Lavoura

Tirado daqui:

"Correia de Campos já faz parte da história e agora as manifestações [...] são dirigidas contra Maria de Lurdes Rodrigues. [...] A verdade é que muitos professores e muitos dos seus familiares não gostam que lhes mexam com a vida.

São anos e anos em auto-gestão. Com professores a faltar e os alunos a gozar o furo sem nada aprender e nada fazer. As aulas de substituição são já um dado adquirido, mas há bem pouco tempo havia gritos sindicais, atrás de gritos sindicais, contra a blasfémia ministerial.

Aliás, até uma boa medida como a estabilidade na colocação dos professores mereceu criticas dos sindicatos. Sempre que se pede aos professores que se adaptem ao novo mundo, pode até acontecer que a maioria dos docentes esteja disponivel para a mudança, mas os sindicatos é que não estão, nem estarão, para aí virados.

Sobre a mais recente polémica com a avaliação dos professores, a maioria dos que são bons está a favor e não quer mais adiamentos provocados pela desculpa de que o sistema não é perfeito. É aqui que os sindicatos devem começar a mudar. Se a avaliação é absolutamente necessária, e é, se os sindicatos não concordam com o método, e não concordam, devem apresentar o método que na sua opinião mais se aproxima da perfeição. Ou seja, fazer parte da solução e não do problema.

[...]

Mas talvez fizesse bem aos sindicatos olhar para a sondagem, divulgada ontem pela SIC, em que os portugueses aparecem a dizer que a educação melhorou.

Esperemos que esta pré-campanha eleitoral fora de tempo - falta mais de um ano para as legislativas - não faça a oposição e os sindicatos serem do contra por ser contra, nem o Governo recuar à procura de votos. Para bem do país, avaliem os professores. Mesmo com um método imperfeito."

Comentários

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Retrato de Filipe Melo Sousa

"a maioria dos que são bons

"a maioria dos que são bons está a favor e não quer mais adiamentos provocados pela desculpa de que o sistema não é perfeito"

O presidente, aquele que vai receber as duas melhores cartas de certeza que estará, pois a partir daí dominará o jogo, seja ele justo ou injusto. Tens é de aguardar pelos resultados da primeira avaliação. Resumidamente, a tua profecia diz que os beneficiados concordarão com o sistema.

Garanto-te desde já que a tua profecia vai acertar em cheio!

Retrato de Filipe Brás Almeida

Prophecy is a lost art

Filipe, a tua incompreensão do sistema de avaliação dos professores é quase chocante e é inacreditável que alguém consiga ter convicções tão firmes a ponto de ir pra rua fazer barulho, com base na ideia de que toda a comunidade escolar (que envolve talvez mais de um milhar de pessoas entre pais, alunos e professores em cada agrupamento) vai jogar o «olho do cu» en masse.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Vais ver Filipe, no próximo

Vais ver Filipe, no próximo sábado a multidão chocada e incrédula. Vão estar lá muitos professores que estão fartos de estatísticas contrafeitas, e sucesso escolar inventado. Se a fasquia do salto em altura for de 20cm, passamos a ser um país de atletas. A partir daqui, esta grelha de avaliação só pode produzir resultados aberrantes.

Se te dá gozo passar alunos que não sabem nada, força aí. O facto de te declarares a favor deste sistema é um dos critérios da avaliação. Estás a potenciar um bom desempenho na tua avaliação. Eu faria obviamente o mesmo no teu lugar.

Retrato de Filipe Brás Almeida

Não inventes.

«O facto de te declarares a favor deste sistema é um dos critérios da avaliação.»

Não consta em nenhum dos critérios de avaliação. O resto do que tens escrito sobre isto reflecte precisamente o mesmo tipo de conhecimento - superficial no máximo - sobre as recentes reformas na educação e sobre a avaliação em concreto.

Vais alinhar precisamente na estratégia que tem produzido a situação vergonhosa da educação em Portugal. Pela forma que o actual sistema está montado, a melhor forma que um professor tem para obter o que pretende, não é propriamente trabalhar mais e melhor no seu ofício, mas sim juntar-se à manif e fazer barulho.

Retrato de Filipe Brás Almeida

Só mais uma coisa.

Eu faria obviamente o mesmo no teu lugar.

LOL! Os professores que apoiam a avaliação posta em vigor são uma minoria praticamente invisível e auto-silenciada pela força dos números em sentido contrário. A ideia de que o sistema de avaliação em questão seria vantajoso para essa minoria é tão absurdo (e manifestamente auto-contraditório) que nem merece comentários.

Retrato de Filipe Brás Almeida

Ah e tb...

Devo dizer que concordo com tudo que está escrito nesse artigo LL.

Retrato de Filipe Melo Sousa

ah bom, então sinto-me mais descansado

eu a pensar que os professores iam assistir às aulas uns dos outros para ver se eles estão integrados no espírito da coisa...

Retrato de Filipe Melo Sousa

O sistema de avaliação é

O sistema de avaliação é tão ridículo, que os professores este ano têm passado mais tempo a preencher formulários burocráticos para a avaliação do seu suposto desempenho, do que a dar aulas. O bom professor será aquele que mais jeito terá para a engenharia financeira: começa a dar más notas no primeiro período para acabar o ano em beleza, facilita os testes para demagogicamente passar os alunos todos, elabora grelhas muito bonitas com muitos planos de acção e recuperação dos alunos, e justifica o sucesso com testes para atrasados mentais.. Como disse ao luís, os beneficiados com cartas na mão concordarão com o sistema.

a propósito de números...
http://www.acessoensinosuperior.pt/
Estranhamento todos os cursos viram a sua média subir de 1-2 valores. Será que as provas foram mais fáceis.. será?

Retrato de Filipe Brás Almeida

Bem

Se acreditas literalmente nas afirmações que fazes como por exemplo essa dos professores passarem mais tempo com burocracia na avaliação do que a dar aulas, és mesmo obrigado (salvo a a incoerência) a alinhar com a FENPROF et. al. Quanto a mim a demagogia, o populismo barato, e a afirmação de posições ridículas dos sindicatos, ou até mesmo o «divertimento» das manifestações, não são suficientes para assegurarem a minha participação.

Não sei a que propósito vem a referência à subida das notas de acesso. Não sou nem responsável nem apologista da actuação universal do Ministério de Educação.

Retrato de Igor Caldeira

Dúvidas

Acho bem que os professores sejam avaliados. E peca apenas por tardia a ideia de que nem todos podem subir na carreira (não somos todos universal e indiferentemente competentes).

Mas há questões que a mim me arrepiam. Uma delas é que para se decidir quem passava a titular se usasse critérios tão maus (porquê apenas os últimos 7 anos?). Outra que me assusta é a de os professores que derem melhores notas subirem mais facilmente. Sim, é um entre outros critérios. Mas é um critério. Como em vários (maior parte) dos anos de escolaridade não há exames nacionais (única forma justa de aferir o sucesso de um aluno), a nota depende essencialmente do professor. E, engraçado, a carreira do professor depende da nota.
Parece-me bem que a carreira dos professores dependa do sucesso dos seus alunos. Mas, para tal, é necessário que haja critérios que sbmetam todos os alunos às mesmas condições (exames nacionais) e que se tenha em conta o contexto socio-económico dos alunos (um aluno do Restelo ter 14 não faz mais do que a sua obrigação, e se o tem é porque é assim-assim de bestunto; um aluno da Damaia que tenha 12 é um herói).

Por muita simpatia que sinta em relação à ministra, isto precisa de ser muito trabalhado.

Retrato de Luís Lavoura

Contradição

Igor, entras em contradição quando dizes que "exames nacionais [são a} única forma justa de aferir o sucesso de um aluno" para logo a seguir reconheceres que uma nota de 12 na Damaia vale mais que uma nota 14 no Restelo.

De facto, um aluno da Damaia que alcance um 12 pode representar um maior sucesso escolar do que um aluno do Restelo que apenas obtenha um 14. Porque ao aluno da Damaia a escola teve que ensinar tudo aquilo que ele aprendeu para chegar ao 12, emquanto que o aluno do Restelo já vinha de casa com sabedoria suficiente para tirar um 14 e a escola nada lhe ensinou.

Tudo isto é muito complexo e a avaliação dos professores será sempre muito difícil e passível de muitas injustiças e de muitos erros. É, não obstante, necessária.

E é claro que a avaliação dos professores passa também pela avaliação dos seus alunos. Se um aluno tem boas notas, isso pode não querer dizer nada sobre o seu professor, mas também pode querer dizer que, sim, o professor esforçou-se e conseguiu ensinar aquele aluno. O sucesso do aluno pode ser, em boa parte, responsabilidade do professor. Mal estaríamos se fôssemos afirmar que, por melhor que seja o professor, nunca os seus alunos aprenderão nada e nunca tirarão boas notas!

Hoje em dia, nas escolas, cada vez mais, as notas dos alunos já não dependem de apenas um professor. Correntemente, os alunos são conhecidos por diversos professores, e há portanto diversos professores que podem, ainda que parcialmente, avaliar se um aluno está a aprender ou não. As notas são, em geral, atribuídas por um coletivo de professores; não é apenas o professor daquele aluno e daquela disciplina que decide qual a nota a atribuir, mas sim todo um conselho de professores. (O Filipe B.A. que me corrija se eu estiver errado.) Nesse sentido, não é tão fácil assim um professor subir as notas dos seus alunos com o fim de fingir que é um bom professor.

Na escola onde o meu filho mais velho anda, até as próprias contínuas dizem em voz alta que ele é um excelente aluno, e toda a gente sabe quem são os maus alunos - se um aluno mau aparecesse com notas muito altas, até as próprias contínuas saberiam reconhecer a trafulhice. E toda a turma em que o meu filho está anda a dar matéria bastante mais adiantada do que aquela que devia, porque os alunos todos estão bastante avançados - dificilmente isso pode ser explicado sem se supôr mérito da parte da professora.

Luís Lavoura

Retrato de Igor Caldeira

Avaliação

Não é necessariamente uma contradição: cada aluno pode ter uma nota num exame nacional; e depois pode-se avaliar o seu mérito tendo em conta o contexto.
E, se é verdade que existe o conselho de turma (não sei se se chama ainda assim, deve ter agora um nome pomposo qualquer) também é verdade que o essencial fica por conta do professor: se um professor fizer testes fáceis, é difícil que as notas sejam más. É um facto que os testes não são o único meio de avaliação de um aluno, mas são o principal (e mal estaremos quando deixarem de o ser).

Retrato de Filipe Brás Almeida

O Debate

É indispensável que haja um acompanhamento e ajustamento constante sobre tudo que envolve a organização escolar, mais ainda quando existem problemas tão graves. E é óbvio que os professores enquanto intervenientes neste processo têm uma palavra a dizer. Estes factos só tornam mais pertinente ainda, manter um canal de diálogo desimpedido e sereno entre as comunidades escolares e quem as tutela. Processo que será facilitado com modelos de gestão mais autónomos, descentralizados e abertos à comunidade escolar e democráticos.

As marchas, os lutos, e as manifs pela forma que têm sido levadas a cabo, conseguem apenas tolher o debate com propaganda vil e disparatada, desprestigiar e deslegitimar o papel dos professores na discussão, alimentando a generalização dos «estereótipos anti-docentes».

Não nego que o sistema de avaliação proposto pelo ME, que chamam de burocrático, facilitista e sabe-se lá mais o que, pode e deve levantar questões sobre possíveis problemas, mas ele é mesmo assim, aparentemente, uma cópia quase a papel químico do sistema de avaliação de professores da província do Ontario, Canadá.

Retrato de Igor Caldeira

O extremismo e a falta de

O extremismo e a falta de alternativas apresentadas pelos sindicatos já me levaram a defender esta reforma para lá do que acho aceitável. De facto, há imensas coisas que me contam que me levantam dúvidas sérias (por exemplo, porquê penalizar quem tenha tirado licenças para tirar mestrados ou doutoramentos? porquê penalizar quem tenha tido outras actividades nos últimos 7 anos no acesso ao posto de professor titular?).

Agora, o que me desagrada é esta coisa de eu ver sindicatos e professores a dizer que eles querem sim senhor ser avaliados... mas não dizem como nem quando. Se governo e sindicatos chegassem a acordo num modelo alternativo de avaliação que garantisse o essencial dos moldes actuais (ou seja, ideias básicas como o fim de progressões automáticas, etc. - que eu duvido - para não dizer simplesmente que não acredito - que os sindicatos estejam dispostos a aceitar) mas introduzisse critérios mais equilibrados e, senão incontestavelmente justos, pelo menos racionalmente justificáveis (e há características deste sistema de avaliação que já apontei para as quais não encontro uma justificação razoável) eu nem me importaria que por este ano lectivo tudo ficasse em águas de bacalhau. Com o compromisso de que após provas gobais e exames nacionais se começasse a implementar os critérios a serem aplicados no próximo ano.

Agora se é para mandar esta ministra embora e continuarmos sem reforma nenhuma no sistema de avaliação, com isso não posso já concordar. Não é que eu ache que as refomas sejam boas em si. Acho é que o que temos hoje é iníquo. E, se o modo é desajeitado e a aplicação tem falhas, a ideia geral do governo é boa.

Professores

"Não nego que o sistema de avaliação proposto pelo ME, que chamam de burocrático, facilitista e sabe-se lá mais o que, pode e deve levantar questões sobre possíveis problemas, mas ele é mesmo assim, aparentemente, uma cópia quase a papel químico do sistema de avaliação de professores da província do Ontario, Canadá."

Pena que não copiem os salários, o nível cultural e outros aspectos que influenciam todo o processo de avaliação.

Julgo que um sistema de avaliação que dependa (muito ou pouco) das notas que o próprio professor atribui é errado. Um sistema que depende da evolução das notas pior ainda.
Um sistema de avaliação cuja avaliação é feita entre colegas é um tremendo erro.
Um sistema de avaliação que ocupe demasiado tempo do avaliado é um erro (só para contabilizar se o professor demorar 8 horas nesta avaliação, no minimo custará 15.000.000 eur)
Um processo que permita que o avaliador ser menos experiente e preparado que o avaliado é um erro.

E todos erros eram evitáveis.

Mas o problema nasceu do processo de professor-titular. E enquanto não se corrigir os erros criados por este concurso qualquer reforma está condenada ao insucesso.

"Agora, o que me desagrada é esta coisa de eu ver sindicatos e professores a dizer que eles querem sim senhor ser avaliados... mas não dizem como nem quando"
Se forem ao meu blogue encontraram um artigo em que já existe uma alternativa a este processo de avaliação. Portanto os professores já começaram a "dizer" como.

Algo me assusta neste processo todo: sendo a educação uma vertente basilar da nossa sociedade, como é que não existe um levantamento da realidade das mesmas e desta profissão. Não se define nenhuma estratégia e mesmo assim se tomam decisões. Isso sim é deveras assustador.

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