Professores

Retrato de Luís Lavoura

Faz-me deveras impressão ver o PSD, agora acompanhado, ainda por cima, por alguns bloggers da área liberal, como por exemplo o João Miranda e o André Azevedo Alves, a aliar-se aos professores como forma de combater o governo Sócrates.

Para já, estar-se a aliar a um tipo nojento como o Mário Nogueira, fiel assalariado do PCP com bigodinho à portuguesa, destacado pelo Partido para tomar conta do sindicato dos professores, é uma aliança muito dúbia. Mas enfim, se a causa fosse boa, eu ainda engoliria essa.

O pior, é que é para mim óbvio que a luta dos professores é uma luta retrógrada, reacionária e injusta.

Os professores batem-se por duas coisas. Primeiro, contra os critérios de avaliação dos professores. Isso estaria talvez bem, se antes eles não se tivessem batido contra a própria avaliação. O que os professores queriam, a sua luta, era que houvesse uma "avaliação" na qual todos os professores pudessem receber a classificação máxima. Uma "avaliação" na qual não houvesse classificação nem ordenamento, uma "avaliação" em que todos fossem identificados como tendo igual mérito. Foi essa a luta dos professores. Descredibilizaram-se com ela.

A outra coisa pela qual os professores se batem é por continuarem a ser eles quem manda nas escolas. Essa luta poderia ter alguns elementos de justiça, se não fosse os professores esquecerem-se sistematicamente que a escola não lhes pertence a eles nem é paga por eles. A escola pública foi criada pelo Estado e é paga pelo Estado, logo, é normal (para o bem ou para o mal) que seja o Estado quem nela manda. (Evidentemente que o desejável é que o Estado mande na escola em função do bem da comunidade e da sociedade como um todo.) Os professores recusam-se a entender que a escola estatal deve, mesmo no entendimento de um Estado socialista, pertencer ao povo - não aos seus funcionários. A autonomia escolar pela qual os professores parecem bater-se é: os professores mandam na escola a seu bel-prazer, e o Estado paga a fatura. Ora, isto não é correto - nem mesmo no entendimento de um Estado social-democrata.

Faz-me verdadeira confusão que, num acesso do mais puro oportunismo, a oposição do PSD, e de alguns bloggers que se dizem liberais, ao atual governo, decida aliar-se a tais causas.

Comentários

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Estar a fazer juízos do

Estar a fazer juízos do calibre "tipo nojento como o Mário Nogueira, fiel assalariado do PCP com bigodinho à portuguesa". Isto é correcto? Se assim for vou ali e já venho.

Retrato de Pimentel

O que eu acho é que se a

O que eu acho é que se a gestão é para ser pública, seja feita (ou eleita) por quem lá está.
Sejam quem forem os candidatos, quem deve votar no gestor são os professores e representantes dos alunos. Quem mais?

E claro está que os critérios da avaliação são simplesmente errados. Se acabassem com a ideia da avaliação baseada nos resultados secalhar os professores estariam menos revoltados.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Existe um jogo de cartas,

Existe um jogo de cartas, bastante conhecido, chamado "olho do cu". O objectivo é despachar as cartas que se tem na mão, cobrindo sempre a cartada anterior. Pode-se jogar a vários. O primeiro a despachar as cartas é declarado presidente, enquanto o último é o "olho do cu".

A particularidade do jogo é que o olho tem de entregar ao presidente as suas duas melhores cartas no início do jogo seguinte, em troca das duas piores cartas do presidente. Um sistema que em nada favorece a ascensão, visto que o financiamento para a competição é indexado à última vitória.

É este o esquema de avaliação dos professores que se está a criar: os professores uma vez "bem" avaliados decidirão sempre quem continuará a sê-lo, avaliando bem quem cair nas suas graças, quem se declarar a favor do esquema de avaliação (sim, este é um dos critérios) ou não levantar ondas em relação aos professores incompetentes que inflacionam as notas de alunos medíocres.

É preciso dizer mais? Foi preciso chegar a isto para eu ir pela primeira vez na minha vida a um evento organizado pelos sindicatos de esquerda. Dia 8 estou lá eu.

Retrato de Luís Lavoura

Propõe alternativas

Não conheço nada do sistema de avaliação de professores pretendido pelo ministério, pelo que aceito perfeitamente que ele tenha defeitos.

Mas sei que a única alternativa prática que os sindicatos de professores propõem é a seguinte: que não haja avaliação nenhuma, ou então, que qualquer avaliação que haja seja inconsequente, nomeadamente porque todos os professores possam ser "avaliados" simultâneamente com nota máxima.

Ou seja, o que os sindicatos querem é que o mérito dos professores não seja avaliado, e que os professores sejam promovidos basicamente em função da antiguidade na carreira.

As propostas do ministério podem ser más. As dos sindicatos são, certamente, péssimas.

Sugiro ao Filipe que tente pôr os sindicatos a fazer propostas concretas para uma avaliação efetiva e consequente dos professres, em vez de se refugiarem no reacionarismo do "oh tempo, volta p'ra trás".

Luís Lavoura

Retrato de Filipe Melo Sousa

Que seja a escola, não o ministério a avaliar

A minha proposta é o sistema de avaliação de professores não ser tema de discussão pública, mas decisão da direcção das escolas. Se uma escola produz maus resultados, os pais não colocam lá os filhos, e a escola perde verbas. Seja através de verbas estatais, ou de um sistema de vouchers.

Imagina um sector de indústria em que os seus proprietários não poderiam decidir quem era bom e mau funcionário, mas sim uma grelha de critérios ridículos fornecida por um burocrata do estado que nunca colocou os pés na tua empresa, nem conhece os funcionários. Eras o dono da empresa, e quem te contratava e despedia os empregados era um conjunto de intocáveis que se davam avaliações chorudas mutuamente.

Retrato de Luís Lavoura

Pá, eu estou de acordo...

Estou de acordo contigo em que seria (em teoria) desejável um tal sistema, em que as escolas fossem avaliadas, em última instância, pelos pais dos alunos.

No entato, não é esse o sistema que temos. No sistema que temos, as escolas pertencem todas ao Estado e não concorrem entre si porque são todas gratuitas e porque os pais não têm liberdade de escolher a escola em que colocam os seus filhos. Esse é o panorama do nosso presente ensino público.

Num tal panorama, num tal esquema, tem que ser o Estado a avaliar as escolas e a avaliar os professores. Não podem ser os pais, os quais não têm liberdade de ecolha. É ao Estado que, no atual esquema, compete garantir a qualidade da educação oferecida, premiar a melhor e punir a pior.

Enquanto o sistema de ensino fôr aquele que atualmente é, a avaliação dos professores terá mesmo que ser promovida pelo Estado e que ser objeto de discussão pública.

Luís Lavoura

Retrato de Filipe Brás Almeida

A avaliação.

O Luís Lavoura disse Não conheço nada do sistema de avaliação de professores pretendido pelo ministério.

Mas aparentemente o Filipe Melo Sousa também não. Pelos critérios de avaliação estabelecidos, existem demasiados intervenientes no processo para poder afirmar com seriedade a teoria da conspiração que prevês, e que te motiva para protestar ao lado dos professores.

E digo isto como professor contratado que será avaliado este ano.

Retrato de Luís Lavoura

Boa sorte!!! ...

"digo isto como professor contratado que será avaliado este ano"

... e muito mérito!!!

Luís Lavoura

Algumas respostas

"O pior, é que é para mim óbvio que a luta dos professores é uma luta retrógrada, reacionária e injusta."
Este sistema veio garantir o status quo, ou seja exactamente a actitude mais reaccionária que existe. Esta reforma nasce de uma grande injustiça: o concurso de professores titulares. Esta forma de luta tem trazido muitas novidades: a preocupação por não lesar terceiros (alunos), a espontaneidade de muitos participantes.
Por isso pior é partir para um insulto fácil e desprovido de razão ou racionalidade, isso é que é uma actitude retrogada, reaccionária e injusta.

"Não conheço nada do sistema de avaliação de professores pretendido pelo ministério, pelo que aceito perfeitamente que ele tenha defeitos."
Não conhecendo nada do sistema faria com que se fosses efectivamente responsavel, não opinasses sobre o que está em questão. No entanto tal não te impediu de apelidar os professores de retrogados, reaccionários e injustos...

"Mas sei que a única alternativa prática que os sindicatos de professores propõem é a seguinte: que não haja avaliação nenhuma..."
Verfica no meu blog (blogdotuga) que a tua afirmação é falsa...

P.S. Gostava que alguém daqui me dissesse um sector da sociedade em que se sobe totalmente por mérito?

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