Os Shoppings estão fora, chegou a vez das Mega-Stores

Retrato de Hugo Garcia

A fase dos shoppings já atingiu o seu pico de maturidade e começam a mostrar-se cada vez menos vantajosos para o investidor.
Claro que há dezenas de shoppings pensados para os próximos anos. Mas num país em que não existe marketing e futurologia é coisa de bruxas, não seria de esperar outra coisa.
Os shoppings foram uma grande vantagem para Portugal porque conseguiram criar imensos negócios de tamanho familiar, dinamizaram a economia e trouxeram variedade e inovação ao mercado, tornando-o extremamente concorrencial.

Mas agora existe pouca diferenciação. Os produtos são iguais em todo o lado e os preços são idênticos. Com shoppings não há grandes referências e o poder da marca vai morrendo aos poucos. Por exemplo, se eu quero comprar uma camisa, não penso : “vou àquela loja”, mas sim “vou àquele shopping e vejo as várias lojas”.
Novamente, o consumidor exige mais e os empresários vão procurar diferenciação.

A nova tendência são as mega-stores.
Mega-store é uma grande superfície destinada a uma gama de produtos específica.
Já são vários os casos de sucesso em Portugal: Toys’r’us, Radio Popular, Media Market, Decatlon, Staples, Aki, IKEA, etc.

Houve contudo um caso de insucesso que foi a Virgin Mega-Store. Os adeptos do download ilegal juram a pés juntos que foi por causa das decisões de gestão e preço.

Em Lisboa irá agora surgir a 1ª Book-Mega Store (Livros) da Byblos com 4000 metros quadrados. A meu ver esta seria a mais óbvia. Sendo que em Portugal saem para o mercado 20 novos livros por dia e que as livrarias gastam muitos recursos a devolver livros não vendidos, apenas uma mega-store tem capacidade de exposição para expor os livros que quer sem receio de ter de os devolver. Desta forma conseguem melhores margens e não gastam recursos a processar devoluções.

Para melhor percebermos este fenómeno podemos comparar a Sport-Zone e a Decatlon. A primeira está em mais locais, mas a segunda consegue oferecer uma maior variedade de produtos. Quem quer um produto específico, muito comum ou tem pouca mobilidade terá mais vantagens em ir à Sport-Zone, mas quem quer mais possibilidades de escolha e tem capacidade de se deslocar um pouco mais escolhe a Decatlon.

Cada vez mais cidadãos têm mobilidade, seja por transporte próprio, ou por melhores acessos a transportes públicos. Mas pelo contrário diminui a capacidade de transporte de grandes volumes, com a miniaturização dos automóveis. Para satisfazer essa necessidade dos consumidores, as entidades comerciais terão que expandir os serviços de transporte dos bens ao cliente. A cultura de compras-on-line será aliada à das mega-stores sendo estas as grandes providenciadoras do serviço digital.

As M.S. têm, por regra geral parques de estacionamento enormes, o que tem desvantagens óbvias, mas estes também conduzem a uma maior distribuição geográfica e ajudam a resolver alguns problemas de urbanismo.
Ainda ao nível de urbanismo as M.S. apresentam vantagens, pois geralmente os seus proprietários têm grandes preocupações com a área circundante, pressionando as autoridades, ou até eles próprios mediante acordos, a criar condições para oferecer mais qualidade de vida.

Os adeptos da descentralização têm razões para ficar contentes pois as mega-stores promovem a terceira vaga. De início podem se colocar nos grandes centros urbanos, mas à medida que vão aparecendo mais, têm tendência a fugir dos grandes centros urbanos para zonas onde os terrenos são mais baratos.

Mas a seguir às Mega-Stores virão outros modelos. Talvez as lojas discount de grande dimensão.
O que vier será para oferecer melhores serviços ao cliente dando-lhe cada vez mais poder e possibilidades de escolha.

Comentários

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Retrato de Luís Lavoura

Saturn

A mega-store mais espetacular que eu já vi, foi há uns vinte anos, em Colónia. Chamada Saturn, fica perto da estação central (e portanto da catedral, uma vez que a estação está mesmo encostada à catedral) de caminho-de-ferro de Colónia. Era a maior loja de música da Europa. Uma coisa espetacular, valia a pena parar em Colónia só para ver aquilo. Encontrei lá discos que nunca tinha sequer imaginado existirem, verdadeiras raridades.

Não sei se ainda existirá, nestes tempos de downloads...

Luís Lavoura

Retrato de Miguel Duarte

As Megastores estão fora, viva o comércio electrónico

Desculpa mas estás desactualizado. E não vejo um grande futuro para a Byblos.

No que toca a música, electrónica, viagens, livros, filmes, supermercado e vários outros produtos o futuro é o comércio electrónico.

Pessoalmente, já não me lembro da última vez que comprei um livro ou filme numa livraria que não fosse a Amazon, sendo que até já há livros que compro em PDF. Grande parte da electrónica que compro vem da Pixmania e converti toda a minha música em mp3, sendo que já não compro um CD há vários anos.

Até ir ao supermercado tem sido mais raro, vindo grande parte da minha comida via Jumbo Online (não vem mais porque ainda não têm todos os produtos online e porque o Celeiro ainda não entrega em casa).

Em termos de variedade, porque raios de motivo é que alguém irá construir um armazém enorme no centro de uma cidade (ou mesmo fora), com os custos que isso tem, se pode mandar vir on-demand os produtos do fornecedor e ter uma oferta muito maior, pois não tem qualquer constrangimento de stock?

Eu direi que as Megastores irão sobreviver mais uma década, se não forem mortas entretanto pelo custo dos combustíveis (quem vai querer ir para fora da cidade quando a gasolina custar 2€ - 3€ por litro ou talvez ainda mais?). Talvez vejas surgir são "show-rooms" e "pontos de entrega", como a Pixmania tem em Lisboa ou a Argos tem um pouco por todo o lado no Reino Unido. Ou seja, locais pequenos onde podes ver os produtos, levantá-los e resolver problemas.

Retrato de Hugo Garcia

tecnologias e necessidades

É comum os adeptos de certas tecnologias acharem que quando as tecnologias surgirem toda a gente vai aderir.

Mas o facto de tu gostares de fazer compras de livros on-line nãosignifica que toda a gente goste.

Repara que a maioria das pessoas que passeia pelos shoppings não compra nada. Vai vendo.
Ver as montras é desporto internacional.

tens que ter em conta as necessidades, não apenas as tecnologias existentes.

certamente sabes que o caso das compras on-line foram consideradas um falhanço. O que não quer dizer que não se estejam a tornar um sucesso agora.
Mas o comprador on-line é muito focado nos preços,embora isso já esteja a mudar.

Quando foi a febre há uns anos das compras on-line até sites para vender automóveis apareceram.O primeiro site (não me lembro da marca) não vendeu um único automóvel.
Isto porque existem muitas outras necessidades.

O Wap, os telefonemas 3G com imagem em simultâneo, os aviões telecomandados e muitas outras tecnologias nunca chegaram a pegar apesar de serem óptimas soluções. Existem, estão lá, mas não são dos favoritos.
Quem sabe, poderão vir a ser. Mas de momento não vão de encontro às necessidades do cliente.

Mas,Miguel, acabaste por vir dar ao que eu estava a dizer. Chamas-lhe o que quiseres, mas um show room para comprares pela net, se for de grande dimensão é uma mega-store.

A loja da pixmania é uma loja, é uma store. Se fosse mega, seria uma mega-store. E sim, as duas coisas serão interligadas.
Mega-stores com entregas em casa e sites na internet.

Há um tempo atrás o Michael Porter veio dizer "A Internet tem de ter estratégia".
Eu prefiro dizer " A estratégia tem de ter internet"

Eu hoje se quero comprar uma bicicleta ou um móvel vou a uma loja vejo várias e depois peço para entregarem em casa.

Sinceramente duvido que tu compres móveis ou bicicletas pela net sem veres primeiro.

Retrato de Miguel Duarte

Hehe

A minha tese de mestrado foi sobre comércio electrónico. :P

Existem bens que funcionam bem em comércio electrónico e outros que não funcionam bem. Os exemplos que dei são de bens que funcionam bem ao nível de comércio electrónico. A venda de automóveis ou móveis pela Internet, tem sido difícil, porque são bens caros e as pessoas gostam de experimentar/sentir os ditos.

Agora, as compras pela Internet são um sucesso em vários níveis (electrónica e informática, música, vídeos, livros, supermercados). E muitas empresas estão aí a prová-lo há já vários anos. E o facto de eu usar não quer dizer que todos usem, mas, geralmente sou um percursor, eu próprio comecei pela Amazon e agora uso muito mais empresas. Por exemplo, neste momento o meu pai, que tem 60 anos, já faz compras pela Internet (e já não quer outra coisa).

Uma Worten, Vobis ou uma Fnac estão a longo prazo condenadas a fechar portas físicas, à medida que, precisamente, a geração mais nova, que está habituada a usar a tecnologia para adquirir bens, torna-se a maioria. Já um IKEA, um AKI ou uma Zara não estão, porque o tipo de bens que vendem não se adequa bem ao comércio electrónico. Pelo menos com a tecnologia actual.

Retrato de Hugo Garcia

e-comerce bom, mega stores bom

A tua tese já tem 3 anos.
Está desactualizada. lol

Não há qualquer dúvida do sucesso das vendas eletrónicas em muitos sectores.

Mas novamente esse não cobre todas as necessidades.
Penso que à volta de 9 em cada 10 vezes que vou à FNAC não compro nada, mas informo-me daquilo que existe.
Penso que quando dizes WOrten e Fnac estás mais a pensar em pequenos componentes. Eu não sou capaz e duvido que tu sejas, de comprar uma máquina de lavar roupa pela internet sem antes conhecer.

Portanto, continuarás a ter a necessidade de ter espaços físicos de exposição e venda. Que em muitos casos irão pertencer às vendedoras on-line ou ás marcas produtoras.

Já o argumento dos transportes dispendiosos com a subida do preço do petróleo não é válido. Entre eu ir buscar À loja ou eles virem me trazer a casa não existe grande poupança. O Custo tem que estar incluido. E as pessoas não vão deixar de se movimentar.

Portanto, o comércio eletrónico não vai impedir a proliferação de mega-stores.

Mas o que o comério eletrónico vai fazer ainda melhor que as mega-stores é fomentar a distribuição geográfica e a terceira vaga.

Retrato de Miguel Duarte

:)

Está desactualizada no sentido que entretanto houve vários casos de sucesso (ex: Pixmania, iTunes, Dell, entrada da Amazon em novas áreas). :P

Quanto às tuas visitas à Fnac, é verdade, eu também lá vou passear à hora de almoço, mas porque está num centro comercial onde vou almoçar. E tal como tu "informar-me". O problema é precisamente esse, vou "informar-me" e não compro nada - se todos fizerem como eu, a Fnac fecha, não há volta a dar. Quando chega a hora de comprar um vídeo vou ao ebay ou à amazon e quando chega a hora de compra electrónica vou à Pixmania. Por uma questão de preço ou de variedade que são as duas grandes vantagens do comércio electrónico, mesmo sobre uma mega-store. Geralmente até comparo os preços, por uma questão de consciência, mas a Fnac e a Worten ficam sempre a perder.

Já a máquina de lavar roupa, até comprava pela net, porque são especificações que contam para mim e mais uma vez não compro numa mega-store, mas sim na Amadora (passo a publicidade: Belmiro Ribeiro), numa loja que me dá descontos brutais e que é sempre mais barata que a Worten ou a Mediamarkt (geralmente até peço os orçamentos por telefone). É que na realidade as grandes megastores, no que toca a electrónica, tendem a seguir os preços tabelados. A tal loja da Amadora, é independente, não tem tantos produtos em exposição na loja, mas tu dizes o produto do catálogo que queres, eles encomendam, e tens descontos muito bons, sendo que tens a parte negativa de ter que te deslocar e de teres que esperar que o produto venha do fornecedor (tal como terias no comércio electrónico).

E enganas-te. O custo de distribuição porta-a-porta é mais barato que tu ires ao supermercado. E isso já é visível neste momento. O Jumbo Online cobra-me 6 € por entregar em casa as compras que eu peço online (as compras são ao mesmo preço da loja), sendo que esses 6 € cobrem 1 a 2 horas de ir buscar os produtos ao supermercado, cobrem o embalamento dos produtos e cobrem os custos de entrega. Não sei quanto vale a tua hora, mas a minha, vale certamente mais que 2€ ou 3€. Fazer as compras fisicamente são duas a três horas, desde que saio de casa, até quando coloco os produtos na minha cozinha. Já as compras via Internet demoram-me cerca de 20 minutos, pois já tenho tudo gravado no site o que preciso é só colocar os piscos e encomendar.

A nível de supermercado tu podes argumentar que há sempre a questão dos frescos (vegetais, carne, peixe), muitas pessoas gostam de os sentir e escolher, mas, a esse nível, se tiveres um abastecedor que periodicidade te fornece tudo o resto, a baixo custo e com diversidade, é preferível dares um salto a uma loja local, junto a tua casa (ex: Pingo Doce, Lidl, Mini Preço), pois os preços até são praticamente os mesmos e gastas muito menos tempo.

A lógica é que uma carro de distribuição que vá para a tua zona, irá entregar a várias casas, logo partilha custos (se fores levantar aos correios locais, ainda mais). É mais barato em termos de combustível uma carrinha distribuir por 10 pessoas numa mesma zona, que 10 pessoas fazerem 20 km's de carro para ir ao hiper buscar produtos.

Repara, um carro que faça 6 L aos 100 vai-te custar, com a gasolina a 2 € o litro, o que não é impensável, à volta de 2 € a 4 € em combustível para te deslocares a uma loja, mais todo o tempo que perdes em deslocações, stress e na própria aquisição dos produtos. Uma carrinha para distribuir na tua zona de Oeiras os produtos, por 10 pessoas, não gastaria sequer o dobro em combustível. Em termos ecológicos/económicos, o comércio electrónico é mesmo mais eficiente que tu ires à loja comprar produtos.

Retrato de Hugo Garcia

e depois disso tudo

E depois disso tudo ....
achas mesmo que vão deixar de existir espaços físicos ?

As pessoas vão passar a viver dentro de casa sem nunca ir ver montras ou pedir a opinião a um lojista ?

As coisas vão mudar, concerteza, mas achares que os meios físicos vão desaparecer é simplesmente absurdo.

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