
Segundo a BBC, os políticos europeus concedem agora que não souberam prever atempadamente os problemas que seriam causados pela sua política de obrigar à utilização de biocombustíveis na Europa. Nomeadamente, não souberam prever o consequente aumento do preço da alimentação - algo que é certamente bem mais importante do que os carburantes para os veículos - nem a destruição das florestas tropicais que seria levada a cabo para a plantação de palmeiras.
O comissário (esta designação faz-me sempre lembrar os comissários políticos de Estaline) europeu Stavros Dimas até sugeriu que talvez fosse melhor abandonar os objetivos europeus para os biocarburantes. É pena que só agora tenha chegado a tal conclusão. E é pena que não vá agir de acordo com a conclusão a que chegou.
Não faltaram avisos, atempadamente feitos aos espertalhões e burocratas que governam a UE, de que os biocarburantes não seriam solução para nada. Mas eles não os quiseram ouvir. Agora, vamos todos pagar pelo disparate.
Comentários
Explica isso ao Manuel
Explica isso ao Manuel Pinho
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1316952
Não vale a pena...
... explicar nada ao Manuel Pinho, que o tipo é tapado e não entende.
Luís Lavoura
A mão
Estas situações acontecem quando os dirigentes não estão à altura dos seus cargos. Os políticos europeus gabam-se muitas vezes como defensores nobres e muita coisa, neste caso do ambiente. Não está, obviamente, em causa a defesa das causas, nem tão-pouco o pretensiosismo de self-marketing; o que choca mais é a incapacidade de se manterem adequadamente informados e de compreensão que determinadas soluções simplesmente não funcionam.
A INFORMAÇAO
Muitos sabiam à partida de que o etanol não é solução para o problema do aquecimento global. A destruição das florestas para o cultivo do milho, baterraba dificilmente poderá competir com a “poderosa” cana-de-açúcar do Brasil. Muitas florestas terão de ser destruídas para obter a equivalente quantidade de energia.
Por outro lado o etanol não sai directamente da colheita, tendo em conta a quantidade de CO2 que é lançada para a atmosfera no processo de fermentação, apenas se confirma que não é líquido o benefício.
O RACIOCÍNIO
A atribuição em alguns países de subsídios para os agricultores mais gananciosos para a alteração da sua cultura para a produção de culturas como o milho e baterraba em terrenos menos adequados constitui uma intervenção negativa do Estado.
A utilização dos terrenos para fins não alimentares, não conduz apenas ao aumento do preço dos bens alimentares de origem vegetal. O preço da carne é muito provável que aumente também devido ao aumento dos alimentos para o gado. Este fenómeno aliado ao inevitável aumento da procura de bens alimentares de origem animal em países como a China ou a Índia, devido ao aumento padrões de vida leva inevitavelmente ao aumento do preço dos bens alimentares a nível global. Poderemos nós assistir a uma nova vaga de fome a nível global?
Para os super machos que julgam que estes problemas não lhes afectam, estão bem enganados. A substituição das culturas afectou a produção de cevada a nível mundial. O preço da cerveja vai aumentar.
Ou pior, conheçam o caso de Mike, um camionista de 47 residente no estado do Texas entrou em pânico quando deparou que não havia cerveja para a sua família nas prateleiras dos supermercados para passar o Natal. Inconsolável, a família do Mike passou o pior Natal de sempre.
O SELF-MARKETING
A Comissão Europeia gaba-se por ter conseguido estabelecer um preço para as licenças de emissão de CO2, contudo o preço estabelecido continua aquém do ideal e do necessário para alcançar as metas calendarizadas.
A falta de informação e a alegada cedência às pressões das empresas que mais nos aquecem levou à colocação de um número excessivo de licenças, que justifica o actual estado do preço: sub-óptimo.
PARA TERMINAR
Fui em tempos uma pequena peste no seio da minha família, e as palmadas eram tão frequentes como o próprio pão para a boca.
No caso Comissão Europeia a quem deveremos dar as palmadas, perante tantos erros de palmatória nesta mão tão indiscreta?