Imprevidentes

Retrato de Luís Lavoura

Segundo a BBC, os políticos europeus concedem agora que não souberam prever atempadamente os problemas que seriam causados pela sua política de obrigar à utilização de biocombustíveis na Europa. Nomeadamente, não souberam prever o consequente aumento do preço da alimentação - algo que é certamente bem mais importante do que os carburantes para os veículos - nem a destruição das florestas tropicais que seria levada a cabo para a plantação de palmeiras.

O comissário (esta designação faz-me sempre lembrar os comissários políticos de Estaline) europeu Stavros Dimas até sugeriu que talvez fosse melhor abandonar os objetivos europeus para os biocarburantes. É pena que só agora tenha chegado a tal conclusão. E é pena que não vá agir de acordo com a conclusão a que chegou.

Não faltaram avisos, atempadamente feitos aos espertalhões e burocratas que governam a UE, de que os biocarburantes não seriam solução para nada. Mas eles não os quiseram ouvir. Agora, vamos todos pagar pelo disparate.

Comentários

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Retrato de Filipe Melo Sousa

Explica isso ao Manuel

Explica isso ao Manuel Pinho

http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1316952

Retrato de Luís Lavoura

Não vale a pena...

... explicar nada ao Manuel Pinho, que o tipo é tapado e não entende.

Luís Lavoura

Retrato de Hardcandy

A mão

Estas situações acontecem quando os dirigentes não estão à altura dos seus cargos. Os políticos europeus gabam-se muitas vezes como defensores nobres e muita coisa, neste caso do ambiente. Não está, obviamente, em causa a defesa das causas, nem tão-pouco o pretensiosismo de self-marketing; o que choca mais é a incapacidade de se manterem adequadamente informados e de compreensão que determinadas soluções simplesmente não funcionam.

A INFORMAÇAO

Muitos sabiam à partida de que o etanol não é solução para o problema do aquecimento global. A destruição das florestas para o cultivo do milho, baterraba dificilmente poderá competir com a “poderosa” cana-de-açúcar do Brasil. Muitas florestas terão de ser destruídas para obter a equivalente quantidade de energia.

Por outro lado o etanol não sai directamente da colheita, tendo em conta a quantidade de CO2 que é lançada para a atmosfera no processo de fermentação, apenas se confirma que não é líquido o benefício.

O RACIOCÍNIO

A atribuição em alguns países de subsídios para os agricultores mais gananciosos para a alteração da sua cultura para a produção de culturas como o milho e baterraba em terrenos menos adequados constitui uma intervenção negativa do Estado.

A utilização dos terrenos para fins não alimentares, não conduz apenas ao aumento do preço dos bens alimentares de origem vegetal. O preço da carne é muito provável que aumente também devido ao aumento dos alimentos para o gado. Este fenómeno aliado ao inevitável aumento da procura de bens alimentares de origem animal em países como a China ou a Índia, devido ao aumento padrões de vida leva inevitavelmente ao aumento do preço dos bens alimentares a nível global. Poderemos nós assistir a uma nova vaga de fome a nível global?

Para os super machos que julgam que estes problemas não lhes afectam, estão bem enganados. A substituição das culturas afectou a produção de cevada a nível mundial. O preço da cerveja vai aumentar.

Ou pior, conheçam o caso de Mike, um camionista de 47 residente no estado do Texas entrou em pânico quando deparou que não havia cerveja para a sua família nas prateleiras dos supermercados para passar o Natal. Inconsolável, a família do Mike passou o pior Natal de sempre.

O SELF-MARKETING

A Comissão Europeia gaba-se por ter conseguido estabelecer um preço para as licenças de emissão de CO2, contudo o preço estabelecido continua aquém do ideal e do necessário para alcançar as metas calendarizadas.

A falta de informação e a alegada cedência às pressões das empresas que mais nos aquecem levou à colocação de um número excessivo de licenças, que justifica o actual estado do preço: sub-óptimo.

PARA TERMINAR

Fui em tempos uma pequena peste no seio da minha família, e as palmadas eram tão frequentes como o próprio pão para a boca.

No caso Comissão Europeia a quem deveremos dar as palmadas, perante tantos erros de palmatória nesta mão tão indiscreta?

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