Os benefícios de três décadas de expansão do ensino

Retrato de Igor Caldeira
Julgo que a proposta aprovada hoje neste plenário de estudantes candidatos ao primeiro ano e apresentada pela sua inter comissões de luta órgão que todos souberam erguer para poder fazer avançar a luta é uma proposta inteiramente justa e que conduz no sentido correcto da luta que é no sentido de ingresso imediato da sua aplicação desde já e de exigir das autoridades governamentais a legalização; pois nós temos que ver que esta questão da luta contra o serviço cívico, que já foi vista o ano passado e temos que seja quem for que está no ministério da educação e da investigação cientifica, chamemos-lhe assim, defende essa medida, medida essa que não é mais que o reflexo da crise do sistema de ensino burguês, e medida essa que é inteiramente incorrecta, anti operária e anti popular que lança estudantes contra trabalhadores e trabalhadores contra estudantes.

Declarações do jovem José Manuel

Aqui estão as competências linguísticas de um jovem universitário de classe média-alta há 30 anos atrás e que teve toda a sua escolaridade ainda nos gloriosos tempos da Outra Senhora. Diga-se o que se disser a respeito do nosso sistema de ensino, em 30 anos avançámos muito. Gente um pouco mais ignorante haverá sempre, mas não só creio que não encontraríamos muitos universitários hoje capazes de dizer tantas asneiras como também acho que os que se equiparam hoje àquele grau de alarvidade se remetem ao silêncio. E saber estar calado, tal como saber falar, é um sinal de sabedoria.

Comentários

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Bílis Pavloviana

O Igor vai-me desculpar, mas isto são acusações grosseiras e gratuitas que tentam sustentar uma afirmação que não tem ponta por onde se lhe pegue.

O Igor acredita mesmo que os jovens que saem hoje do Liceu, ou mesmo da Universidade, falam melhor o Português do que os que foram educados no sistema anterior ao 25 de Abril? Ou isto é só uma laracha para se meter com o jovem José Manuel?

O exemplo que dá é descabido e não faz sentido utilizá-lo na sua argumentação: trata-se de uma entrevista em directo, situacão perante a qual nem todos tem a desenvoltura, ou prática, suficiente para conseguir explanar facilmente o seu raciocínio.

Retrato de Igor Caldeira

Grosseiras e gratuitas

Em 30 anos os portugueses tornaram-se muitíssimo mais instruídos. A instrução deixou de estar directamente dependente das origens sociais. Creio de facto que é preciso ser intelectualmente muito grosseiro para pretender que o português médio de 1975 falava melhor que o português médio de 2007.

Podemos dizer que a democratização do ensino trouxe uma redução (ou foi acompanhado de uma redução, o que não é necessariamente o mesmo) da exigência no ensino. Mas pretender que o português médio, que em 1975 devia ter (não tenho dados, estou a estimar) o 4º ano de escolaridade, era mais capaz que o português médio de hoje, que deve ter mais que o 9º ano, não sei que outra coisa poderá ser senão sinal de grave abstracção face à realidade provocada pelo sentimento de perda de uma era dourada em que manter 40% da população no analfabetismo era uma palavra de ordem (que ainda hoje pagamos, embora quando façamos a análise e crítica do nosso atraso face ao resto da Europa nos esqueçamos que temos cerca de duas gerações perdidas que no resto do continente tiveram instrução a sério) para manter a ordem.

Acresce ainda que temos muitos jotinhas que também falam em plenários, muitos deles não têm a mesma exposição que este jovem tinha, têm ambições também inferiores e no entanto conseguem falar melhor que ele.

só gratuitas

Nem o Igor, no seu post inicial, nem eu, no comentário que me permiti fazer, falámos do portugues médio. Falámos sim dos jovens que acabavam o Liceu ou a Universidade no sistema de ensino anterior ao 25 de Abril, e em relacao aos quais eu afirmei ser extemporâneo afirmar que falavam pior Portugues do que os jovens de hoje com equivalentes habilitacoes académicas.

O chorrilho de clichés com que o Igor acusou a minha grosseria intelectual, nenhum deles consonante com nada que eu tenha escrito no meu comentário, pode ser engrançado como exercicio de traulitada mas nao permite uma discussao séria.

No entanto, deixe-me só dizer-lhe que óbviamente que concordo consigo quando afirma que hoje o portugues médio está intelectualmente mais apto do que estava na "era dourada".

Retrato de Igor Caldeira

Português médio e português acima da média

Podemos falar apenas dos licenciados. Aliás, costuma-se dizer que os licenciados hoje são uns burros. Há boas razões para dizer isso, embora a questão é que temos de provar que os licenciados antigamente o não eram.

É um facto, por exemplo, que a generalidade dos jovens hoje tem competências razoáveis nas suas áreas de formação, mas depois, e ao contrário do que sucedia antigamente, se sairmos da área de formação sai coisa feia. Estas generalizações, absolutamente impossíveis de refutar na exacta medida em que são absolutamente impossíveis de provar, não são propriamente muito honestas nem tampouco reflectidas. Diz isto, tendencialmente, quem diz que antigamente é que era bom, ou que "os portugueses são assim" ou "assado" (como se a pessoa que profere a frase não fosse um português e estivesse acima do sopeiral).

O que eu sei, toda a minha vivência o diz, é que a generalidade dos jovens licenciados e dos jovens activistas políticos, mesmo quando entrevistados, não dizem um chorrilho de asneiras daquele calibre. Já por várias vezes vi afirmações de jovens serem trucidadas por comentadores por um tique de linguagem ou um raciocínio mal construído. Não percebo qual o problema de compararmos esses casos com o caso de um jovem estudante de Direito com actividade política e caceteira permanente (entrecortada com episódios de roubo de mobiliário prontamente repudiados por um partido que nem sequer primava pela moderação) e que, mesmo sendo um completo imbecil em português naqueles tempos, conseguiu chegar, facada aqui traição ali, a uma posição de destaque única.

Encare isto como um duplo sinal de esperança: não só a estupidez não é empecilho à ascensão política como os jovens de hoje são mais instruídos.

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