
Um comentário do Igor Caldeira no blogue atlântico:
Não vou estar a repisar o tema, mas em todo o caso parece-me que seria interessante discutir algo que não vi ninguém responder ao Tiago Mendes: deveremos tolerar, por hipótese, o racismo? Será isso “liberal”? Mas então o que é ser “liberal”? É defender qualquer coisa? Tanto faz?
Ou será que um “liberal” se pode (aliás, deve) indignar quando os impostos sobem, mas pode (ou seja, tanto faz) ficar calado quando alguém profere afirmações racistas? Mais ainda, será compatível com o “liberalismo” ser racista, machista, homofóbico ou ter qualquer outro ódio discriminatório?
Resposta:
Não, alguém que seja racista, machista, homofóbico, xenófobo ou tenha qualquer outro ódio discriminatório, não pode ser liberal. Não o pode porque simplesmente não respeita o próximo. Aliás alguém assim estará certamente muito bem no PNR. ;)
Já no campo das ideias, não se proibindo os discursos das pessoas, devemos assegurar a não discriminação, quer por parte do Estado, quer por parte dos prestadores de serviços "públicos". Por exemplo não é aceitável que um restaurante não deixe entrar pessoas com uma determinada cor de pele.
A existência de partidos com esse tipo de ideias é também muito discutível, pois, até que ponto eu como liberal estou disposto a que um governante com instintos totalitários como Hugo Chaves ou Putin chegue ao poder e de seguida retire a minha liberdade?
Uma democracia liberal tem que ser (e isto é um contra-senso, eu sei), em certa medida uma ditadura: A ditadura da liberdade. Ou seja, não se pode aceitar no jogo político de uma democracia liberal aqueles que não aceitam o sistema, sob o risco de essa democracia liberal deixar de existir e obrigar quem defende a liberdade a lutar pela força das armas novamente pela mesma.
Se deixas que democraticamente extingam a democracia, de seguida, terás que fazer uma revolução para repor a democracia, o que, convenhamos não faz muito sentido.
Comentários
Perguntas retóricas
Justamente, Miguel. Mas sabes, eu pensava que estava a colocar uma pergunta difícil, diante da qual iria haver ou silêncio ou recuos: enganei-me.
Entre aqueles liberais há quem ache que, passo a citar:
“Uma coisa é conccordar,outra proíbir.”
“A posição de um liberal, penso eu de que, é a que ele achar que deve ser.”
“Não há nenhuma incompatibilidade entre ser liberal e ser racista.”
Restam dúvidas? Creio que é impossível ainda haver dúvidas (e, secretamente, eu tinha esperança que pelo menos perante o racismo houvesse ainda algum pudor).