O Tibete e os Jogos

Retrato de Igor Caldeira

Os jogos da vergonha

A liberdade económica é uma mão cheia de quase nada se estiver desacompanhada da dignidade da pessoa humana. A China tornou-se o maior exportador mundial. Esse êxito já foi apontado como o exemplo de que basta alguma liberdade económica para se alcançar um patamar político e jurídico equiparado aos melhores exemplos ocidentais. Erro fatal – confiar que o crescimento económico, por si só, é capaz de tudo mudar, até redimir os crimes contra a liberdade que se foram cometendo, constitui uma ilusão pueril.

A liberdade económica é uma mão cheia de quase nada se estiver desacompanhada da dignidade da pessoa humana. O liberalismo é um todo indivisível: preterir uma parte em favor da outra é reduzi-lo a uma coisa informe com alguma embalagem mas sem nenhum conteúdo. Esse é o melhor legado da tradição da Liberdade.

A China, embora cada vez mais rica, jaz sob um totalitarismo feroz. O regime chinês reprime os mais ténues sinais de liberdade, da política à religião, desde o direito de constituir família até ao acesso à internet. Mas se a ditadura chinesa violenta os seus próprios cidadãos é preciso lembrar que esmaga quotidianamente os tibetanos negando-lhes a sua cultura e a sua religião.O Comité Olímpico Internacional finge que nada de especial acontece. As nações que enchem o verbo em favor dos Direitos Humanos, incluindo Portugal, tentam disfarçar (mal) a sua insuportável conivência com o terror. Não lhes bastou 1936.

A tocha olímpica até vai passar pelo Tibete a caminho de Pequim: será o símbolo ardente da falta de vergonha a que o ideal olímpico chegou.


Carlos de Abreu Amorim, Correio da Manhã

Comentários

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O que fazer?

Por vezes penso que os desportistas deveriam boicotar os Jogos Olimpicos! Mas esta seria a solução mais fácil para resolver o meu dilema.

E também neste caso não seria a mais justa. Os atletas lutaram 4 anos para integrar esta competição, não têm o poder de decidir onde é a competição. Poderiam fazer pressão, é verdade, mas não lhes compete fazer isso, nem têm essa obrigação. Os jogos olimpicos são um sonho para estas pessoas e poderem ganhar a medalha de ouro o reconhecimento do seu trabalho.

No entanto todos estes factos não se aplicam a mim, eu não estou a lutar por nada e é por puro entertenimento que assisto a uma competição destas. Ora se eu não concordo com este branqueamento presentes nos Jogos Olimpicos então não me resta outra solução que não esta:

VOU BOICOTAR OS JOGOS OLIMPICOS!

É mesmo isso, este ano se um jornal tiver uma noticia ou publicidade dos jogos olimpicos eu não comprarei, se na televisão passar um anuncio, mudo de canal. Se souber que uma marca patrocina o J.O. então não comprarei.

Sei que é muito pouco e quase ridiculo o meu impacto. Por exemplo no jornal que compro eles irão perder uns meros 20 Eur nesse mês, mas quem sabe pode ser que alguém siga este exemplo e aí se calhar o impacto deixa de ser ridiculo e passa a ser significativo e quem sabe na próxima escolha tenham em consideração os direitos humanos quando escolhem o local de um evento tão importante.

Julgo que mais do que simplesmente ficarmos indignados com a situação deveriamos também agir, nem que seja da forma mais minuscula que esteja ao nosso alcance. As mudanças acontecem desta forma, pequenos gestos insignificantes que no seu total fazem um gesto enorme!

Retrato de jvaldoleiros

Algumas marcas patrocinadoras

Concordo que pressionar as marcas patrocinadoras deste evento acaba por ser algo que cada um de nós pode realizar, e entre elas estão logo as marcas de algumas multinacionais bem conhecidas (adidas, ge, kodak, mac donalds, coca-cola, omega, ...) Não comprar estes e outros produtos fabricados na china é uma pequena pressão que cada um de nós poderá e deverá fazer para contribuir para a liberdade dos tibetanos e dos próprios chineses que são todos os dias oprimidos por uma ditadura de partido único. Infelizmente não é este único caso mas hoje em dia é concerteza o regime que oprime directa e indirectamente mais seres humanos.

Retrato de Igor Caldeira

Consumo consciente

Concordo plenamente: evitar o consumo de determinadas marcas pode ser uma forma válida de demonstrar a nossa oposição.

Vou iniciar...

Bem eu já anteriormente verificava na roupa se era fabricado na China ou não. A meu entender é quase criminoso que algumas marcas de roupa pratiquem os preços que praticam e o fabrico seja da China. Ao contrário do que nos fazem crer o fabrico na China, na sua grande maioria não está a permitir baixar os custos, mas sim a engordar os lucros, isto é o dinheiro que pagamos é bem superior ao produto que compramos!

Este mês vou iniciar no meu blog um "movimento" de boicote (não é no sentido tradicional da palavra mas não encontrei outra para me expressar). Vou precisar de ajuda pois um dos pontos será fazer um levantamento de marcas oficiais patrocinadoras do evento. Portanto obrigado pois assim já fico com algumas.

Retrato de Luís Lavoura

Discordo

Não vejo falta de vergonha nenhuma no ideal olímpico atual.

O ideal olímpico é um ideal de paz entre os diversos Estados e países. Na Grécia antiga, cidades-Estado com diversos regimes políticos, e por vezes em guerra umas com as outras, juntavam-se nos Jogos Olímpicos. Os Jogos eram um período de paz. Nenhuma cidade-Estado boicotava os Jogos, lá por não concordar com o regime político das outras cidades-Estado.

Penso que deve ser na mesma hoje em dia. A China é uma ditadura, como toda a gente sabe. E tem problemas de separatismo interno no Tibete, tal como muitos outros países também têm problemas semelhantes. E esses problemas nem sempre são tratados de forma muito elegante pelos diversos Estados. Por exemplo a Índia, que até é uma democracia, também trata os separatistas de Caxemira de forma não muito bonita.

Mas nada disso é motivo para se boicotar os Jogos Olímpicos. A China é um grande país no campo desportivo, e é perfeitamente justo que lá decorram os Jogos Olímpicos.

(E até o Dalai Lama concorda comigo.)
Luís Lavoura

Não é a mesma coisa...

"Penso que deve ser na mesma hoje em dia"
Julgo que esse espirito já se perdeu. Agora são pura e simplesmente duas coisas: um evento economico e um evento desportivo. Na sua componente desportiva julgo que não deve ser afectada. Sei que muitos são profissionais, mas para os milhares de amadores que conseguem de uma forma ou outra entrar é magnifico a possibilidade que têm.

Já na sua componente economica julgo que é mais do que criticável, este evento serve para apoiar um regime ditatorial e repressivo, em que não existe o respeito pelos direitos mais básicos do Ser Humano.

E na tua análise faltou um pormenor fundamental que deveria ser levada em linha de conta: o local. Antigamente, quando efectivamente eram de paz realizavasse num unico local, um local sagrado e respeitado por todos. Nunca se realizou em Esparta ou Atenas, nunca existia este dilema. Agora é bem diferente.

O que faz uma brutal diferença, pois o boicote não é aos desportistas chineses, mas à china enquanto país e principalmente a quem patrocina este evento, ou seja aos seus decisores. Julgo que da parte deles deveria de existir uma maior consciência na altura de decidir.

Retrato de Limbo1978

Alhos e bugalhos, parte II

Ao Stran:

À semelhamança dos outros seus comentários vejo que está novamente a misturar alhos com bugalhos.

Seguindo a sua linha de raciocínio o fim vale sempre o meio, neste caso para atingir os dirigentes chineses podemos penalizar todas as partes que participam nos jogos, sejam eles patrocinadores, investidores, ou atletas que trabalharam anos na esperança de conseguir ganhar uma medalha olímpica.

Se entender boicotar como afirma, pode fazê-lo e está na liberdade de o fazer. Mas para um boicote centralmente imposto é extremamente penoso para os atletas, pois os jogos olímpicos têm lugar apenas uma vez de 4 em 4 anos, para muitos um evento olímpico é uma oportunidade única na vida, daqui a 4 anos estarão velhos de mais.

Stran, se quiser boicotar desligue a TV, mas não apele aos outros que deite para o lixo 4 anos de árduo trabalho de pessoas inocentes metidas no meio da confusão. Se o atleta entender boicotar, então que o faça.

Geral:

A inveja é uma coisa muito feia.

Vejo que a comuniação social tem escolhido nos últimos anos a República Popular da China como alvo preferencial. A ignorância em relação à história do Tibete e da China é gritante. Não menos irritante é o viés da comunicação social em relação a tudo o que se passa na China.

China vai ser a maior economia mundial daqui por poucos anos, e vai certamente ser um país dominante a nível mundial, todos sabem disso, até Napoleão sabia ("quando este gigante acordar o mundo tremerá").

É por isso natural que muitos sintam a China como ameaça. Sobretudo nos EUA e na Europa.

O caso é bem vergonhoso aqui na Europa, desde a I Guerra mundial a Europa perdeu a hegemonia sobre o mundo para os EUA, e esta geração ingrata que não viveu os anos 50-60 esquece-se do que deve aos EUA e procura fazer frente em tudo, desejando que os EUA percam um dia o papel dominante a nível mundial.

Aparece agora um país a disputar a liderança, e Europa chora de raiva por não ter sido ela . E como resultado, se dantes invejava apenas os EUA agora inveja os EUA e a China. Em breve vai invejar, EUA, China, India, Brazil e muitos outros países que um dia conseguirão ultrapassar a barreira do miserabilismo para disputar um lugar no mundo desenvolvido. (Não era afinal esse o desejo da Europa? A hipocrisia também não é um sentimento bonito)

A todos esses países desejo boa fortuna e quanto mais cedo melhor, pois sei que depois de passarem para o outro lado as liberdades serão asseguradas e os direitos humanos respeitados.

Agora uma coisa é verdade uma opinião sempre negativa, não serve e nem vai ajudar em nada.

Ao Stran e a todos os consumidores "eticamente conscientes":

Da maneira como o mundo está, em tudo o que se mexe ou que se veste ou que se come, tem algo
eticamente muito incorrecto. O que podemos fazer? Deixar de viver? Há alguma forma de se matar sem tocar em nada eticamente incorrecto?

Agora só para o Stran:

Stran, compreendo a tua intenção de boicotar tudo o que é eticamente incorrecto, por isso compreendo que não queiras responder a esta mensagem, pois o teu teclado e o teu PC ou o teu telemóvel está empregnado de sangue africano, pois as empresas produtoras dos equipamentos de onde tu teclas (sobretudo as empresas europeias) não olharam a meios para assegurar o fornecimento contínuo de tântalo financiando ditadores que não se importam com a morte de milhares de pessoas para conseguir extrair esta precioso metal.

P.S. ao Stran: E quando fores à WC, não puxes o autoclismo (olha a água) nem limpes o rabo (olha a àrvore).

No limbo do racicionio

Ao Limbo1978:
Julgo perfeita a escolha deste nick. Mas vamos por partes. Antes demais deverias de ler com atenção o que escrevi.
O que escreveste:

"Seguindo a sua linha de raciocínio o fim vale sempre o meio, neste caso para atingir os dirigentes chineses podemos penalizar todas as partes que participam nos jogos, sejam eles patrocinadores, investidores, ou atletas que trabalharam anos na esperança de conseguir ganhar uma medalha olímpica"

é falso e para isso basta leres o que escrevi. Espero que tenhas mesmo compreendido o que escrevi, existem partes neste processo que a meu ver devem de ser penalizadas e outras não. Como é obvio os desportistas são a componente que não deve ser penalizada por razões que são obvias e que tu também apontaste. Portanto nesse ponto estamos de acordo. Quanto à parte dos investidores e patrocinadores este, para mim devem de ser penalizados. E ao contrário do que afirmas não são um meio mas um fim em si. Se seguissemos a filosofia que dizes ainda hoje estariamos a viver no tempo da escravatura.

Esse inactivismo que propões é aberrante e ao contrário do que tu defendes não é por já utilizar produtos chineses (ou fabricados na China), que não posso mudar o meu comportamento, ou que ele tenha de ser branco ou preto. As mudanças para serem sustentadas têm de ser graduais.

"A ignorância em relação à história do Tibete e da China é gritante."
Então faz-me o favor de esclarecer e por favor diz-me se o Tibete foi ou não invadido pela China.

"Não menos irritante é o viés da comunicação social em relação a tudo o que se passa na China"
Portanto na China existe Liberdade de Expressão, não existem bloguers a serem presos por exprimirem as suas opiniões, que os trabalhadores não têm condições miseráveis de trabalho, que o regime não é ditatorial. É isso que estás a afirmar? Que é tudo inventado pelos media? Por favor esclarece também este ponto para saber a que nível de discussão estamos a falar.

"Stran, se quiser boicotar desligue a TV, mas não apele aos outros que deite para o lixo 4 anos de árduo trabalho de pessoas inocentes metidas no meio da confusão."
Antes demais num país em que existe liberdade de expressão não só posso boicotar como apelar a que outros boicotem, apresentando argumentos a favor. Assim como quem discorde pode argumentar contra livremente de preferência de uma forma mais sustentada do que ´"só não apele...".
Depois para quem argumenta que os media enviesa os factos, cometer esse erro chega a ser intelectualmente desonesto. O boicotar os JO por minha parte ou de quem mais quiser em nada afecta os 4 anos de arduo trabalho de ninguém. Isto sim foi misturar alhos com bugalhos!!!

"A inveja é uma coisa muito feia." Aprecio as tuas expressões religiosas. Primeiro o limbo e agora um dos pecados mortais. Utilizando outro dos pecados mortais poderia dizer que a vaidade e a ganancia também é uma coisa muito feia!!!

"...e esta geração ingrata que não viveu os anos 50-60 esquece-se do que deve aos EUA e procura fazer frente em tudo, desejando que os EUA percam um dia o papel dominante a nível mundial"
Antes demais não confundas ingratidão com submissão. Estou grato aos EUA, como a outras nações que ajudaram, mas não sou submisso ao que de errado é feito pelos EUA. Não gosto do modelo americano preferindo o que existe na Europa. E esta minha posição não tem a ver com o facto de querer ultrapassar os EUA no papel dominante no mundo mas no facto de ver o mundo como um todo e não como uma soma de partes. O que desejo para o meu bairro desejo para a minha cidade, país continente e mundo. Não é um jogo de poder pelo poder, como gostaste de insinuar, e não entender isso é não entender a minha posição e o que acontece na Europa.

"E como resultado, se dantes invejava apenas os EUA agora inveja os EUA e a China."
Tens de aprender que normalmente invejasse o que é melhor do que temos. E o que tenho aprendido é que não sinto nenhuma inveja nem dos EUA nem da China. Ao contrário do que imaginas vivo no melhor canto do mundo em termos de sociedade (Europa), não invejo nenhum outro país. E isto não significa que são só maus os paises fora da Europa. Por exemplo existem muitas coisas nos EUA que aplaudo e que gostava de ver acontecer como na Europa, no entando quando analiso a Sociedade como um todo a conclusão é que a Europa é para mim a melhor Sociedade actualmente neste globo.

Não sei porque é que falas em inveja, quando criticamos a China. Tens de aprender que neste espaço existe espaço para liberdade de expressão e de raciocinio. Não estamos condicionados ao pensamento unico e não sentimos "inveja" dos outros países. Mas pegando no exemplo da China, a verdade é que estamos a falar um país que não cumpre os Direitos Humanos e isso é um facto não é um sentimento de inveja.

"Não era afinal esse o desejo da Europa? A hipocrisia também não é um sentimento bonito"
É e continua a ser, mas para ultrapassar o miserabilismo tem de ultrapassar o simples desenvolvimento económico, passando para o social e para o cultural.

"...pois sei que depois de passarem para o outro lado as liberdades serão asseguradas e os direitos humanos respeitados"
Explica-me em que sentido é que sabes isso, Será que és o Líder da China?

"Da maneira como o mundo está, em tudo o que se mexe ou que se veste ou que se come, tem algo
eticamente muito incorrecto. O que podemos fazer? Deixar de viver? Há alguma forma de se matar sem tocar em nada eticamente incorrecto?"
De se matar?!?!?
Muito pode ser feito. Há alguns anos atrás as palavras responsabilidade social eram completamente ignoradas pelas empresas, hoje são uma realidade incontornável. A ecologia era uma palavra maldita, hoje temos empresas eticamente ecológicas. É obvio que a mudança não é instantanea mas acontece, e muito do que fazemos pode afectar o mundo futuro, mais do que muitas vezes imaginamos. Um movimento de "Consumidores eticamente mais conscientes" poderá (até de uma forma tipicamente liberal) mudar o modo de procedimento de uma empresa levando a melhorias sociais a uma escala global. E é possível fazer isso sem deixar de viver.
Por exemplo actualmente já não compro roupa se for fabricada na China (não significa que não tenha). Se outras pessoas começarem a fazer o mesmo então mudanças ocorrerão. (Já agora e ao contrário do que se julga não são mais baratas do que as que são fabricadas noutros países, inclusivé Portugal).

"Stran, compreendo a tua intenção de boicotar tudo o que é eticamente incorrecto, por isso compreendo que não queiras responder a esta mensagem, pois o teu teclado e o teu PC ou o teu telemóvel está empregnado de sangue africano..."
Como demonstras ignoraste completamente a minha posição e criaste uma figura imaginária no meu lugar. Peço que me reponhas quando me comentas.
Sei que muito do que faço contribui para crimes à humanidade, no entanto se começar aos poucos a discriminar por esse factor estarei a contribuir em grande medida para a melhoria da vida a nível global. Enganoso é dar a justificação de que é impossível mudar o mundo apenas porque não tem problemas de consciência relativamente aos crimes que existem e que são muitas vezes sustentados pelas grandes empresas.

Não te preocupes que puxo a agua e limpo o rabo tendo à mesma preocupações ambientais.

Mas assusta-me o paralelo que criaste. Já que te colocaste no campo oposto, será que és capaz de tudo para fazer uma venda, até matar? Se assim for estou é a falar com um psicopata (lol)!!!

P.S. Espero quando responder que tenhas lido melhor a minha opinião, as razões para o meu boicote e o seu alcance. Espero também que comeces a debater efectivamente o problema que a China impõe no mundo actual e deixares de utilizar chavões e preconceitos para argumentares. Já agora não abordei a temática do Tibete pois penso que não quiseste efectivamente abordar esse tema. Se tiver enganado diz-me.

Retrato de Limbo1978

Inveja, apreensão e satisfação

Caro Stran

Vou tentar evitar transcrever o seu texto, pois eu acho deselegante, e afinal porquê levar tanto a peito uma discussão?

Eu disse que inveja era um sentimento muito feio, pois mas a verdade é que o invejo, invejo a paixão e a força que possui e que demonstra ter na sua luta sobre um ideal de organização da sociedade.

É pena que não faça acompanhar esses elementos por um toque de racionalidade e de compreensão do mundo.

CAPITAL PRIVADO

Trabalho numa empresa que vai patrocinar os JO, ao longo de varios anos temos estado a dar apoio a inúmeros atletas portugueses, temos patrocinado os seus treinos, os seus equipamentos, e mais, desenvolvemos uma relação de confiança que vai para além do simples patrocínio. É um programa que se insere no nosso plano de Corporate Social Responsability, que se não estou errado, também defende.

Mas depois leio no seu texto que devemos ser penalizados por isso, porquê? Não estará a entrar em contradição?

Existe um papão na sua cabeça que se chama: CAPITAL PRIVADO. Mas isso acho que é apenas desconhecimento, conheço um livro que lhe pode inciar em economia, recomendo-lhe vivamente, pois é um desperdício de paixão e de força sem conhecimento da lógica das coisas. O livro chama-se Economics for Dummies (Economia para totós)
http://www.amazon.com/Economics-Dummies-Sean-Masaki-Flynn/dp/0764557262

Depois de ler o livro vai ver que vai começar a compreender que o Capital privado é um pilar essencial que sustenta a nossa sociedade, ao qual muito devemos.

TIBETE

Respondo directamente a questão: Será que Tibete foi independente no Sec XX?
A resposta é clara: NÃO. A suposta independência do Tibete ocorre em 1913 quando este expulsra as tropas Chinesas. Em 1914 é negociada uma convenção tripartida envolvendo China, Tibete, Reino Unido, na qual foi definido o território do Tibete, e reconhece a relação de suzerania entre Tibete e China.

E o que é a "suzerania"? No fundo não é mais do que a submissão de uma região ou um povo em relação a uma outra entidade, embora goze de uma autonomia alargada.

É uma figura que não existe em termos de legislação internacional, um país ou é soberano e por isso independente ou não é. No caso do Tibete, Não é.

Um Estado independente é como tal se houver reconhecimento internacional da sua independência, actualmente não há reconhecimento por parte de nenhum Estado de Tibete como independente. Nem o Dalai Lama reconhece Tibete como tal. E basta abrir um mapa mundo, até dos mais baratos, pode ver que Tibete faz parte da RPC.

É portanto de um assunto interno e nada podemos fazer senão desejar o fim dos abusos dos Direitos Humanos. E o que se passou não é assim tão grave em relação ao número de vítimas se compararmos por exemplo as guerras civis que a Europa promove em Africa para podermos utilizar os nossos Nokias, Sony-Ericsson's, entre outros.

CHINA e TIBETE

Com o desenvolvimento económico dos ultimos anos há um novo fenómeno que se passa na China. Os seus dirigentes passaram a ser muito mais sensíveis às opiniões dos seus cidadãos, que de uma forma geral se pode dividir em "influente urbano" e "maioria dominante rural". E o que se passa é que os dirigentes têm tentado balancear os interesses dos dois grupos.

Da os interesses da população abastada urbana, não são muito diferentes dos do mundo ocidental. E eles defendem veemente o respeito pelos direitos humanos e o respeito pela propriedade privada. E os dirigentes chineses estão muito atentos para não "ferir" os seus interesses.

Os chineses que vivem na China defendem a preservação da cultura do Tibete, são eles os que mais visitam Tibete. Tibete é como Meca para eles. A ideia de que China não tem religião é falsa. Em breve a China vai ser oficialmente considerado ao mesmo tempo o maior país muçulmano, católico, budista do mundo.

A população residente no Tibete têm mais regalias que o resto da população, eles têm uma entrada directa na Universidade sem necessidade de fazer provas, eles não pagam impostos, eles podem circular livremente no território, ao contrario dos outros nacionais. em suma os tibetanos têm mais direito que os outros. Em termos de crescimento económico, Tibete cresce mais do que o restante território chinês, é a população que mais prospera na China tirando os centros urbanos.

Sobre isso não conheço nenhum livro que lhe possa recomendar, mas pode começar a ler mais jornais e acompanhar mais o que se escreve lá fora.

EUROPA

O recente tratado ou mini tratado na europa revela o estado da democracia na Europa, O que as empresas e as campanhas de desenvolvimento promovidas em Africa revela a hipocrisia.

A ausência de uma justiça funcional em Portugal revela a total arbitrariedade dos abusadores dos direitos. Veja o caso dos atentados às liberdades por parte da administração fiscal, veja a ausência de condenados por corrupção, veja a impunidade dos militares e das forças policiais.

Vejo que vive num sonho, pior que ser cego é não querer ver.

POR FIM

Em suma, invejo-lhe a paixão, a fúria. Fico apreenssivo em relação à falta de encadeamento lógico das suas ideias à a falta de conhecimento em relação a alguns aspectos sobre o funcionamento da nossa sociedade dita ocidental e sobre o mundo. Mas estou satisfeito por saber que tem consciência sobre o alcance do seu boicote.

PS: obrigado pelo comentário em relação ao meu nick, mas Stran significa muito pouco, não quer mudar para "Caldeirão"?

Caldeirão ?!?

Caldeirão?!? Julgo que não.

Antes demais desculpe o meu tom e a deselegancia de ter copiado texto seu. Não o farei neste comentário.

EMOÇÕES
Numa coisa acertou, escrevo com muita paixão, afinal as emoções são próprias do ser humano e são a meu ver peça fundamental do mesmo e não devem de ser descartadas. Mas também você escreveu um texto bastante emotivo, embora de estilo diferente do meu.
No entanto as emoções não são desprovidas de racionalidade. E embora não tenha formação em economia (a minha formação é de gestão), por motivos pessoais já li muitos livros e artigos cientificos de economia.

Peço desculpa se fui muito agressivo, não era intenção mas como bem disse foi escrito com muita paixão.

DISCRIMINAÇÃO NA ANÁLISE

Um dos pontos que tenho reparado na sua visão, e que considero um erro, tem sido a sua discriminação na análise das duas realidades: a chinesa e a europeia. Sendo muito menos tolerante com a Europa do que com a China.
Gostaria de saber quais são os seus motivos (racionais e emocionais) para tal facto. Desconfio que é estrangeiro (americano ou chinês) ou com ligações familiares (ou de outro tipo) à realidade chinesa. Se assim for, sem duvida será um debate muito mais interessante pois o meu caro interlocutor terá uma perspectiva muito diferente da minha e com bases bem diversas da minha o que só enriquece o debate.
Mas voltando ao debate, para bem de uma análise deveremos sempre ter o mesmo rigor independentemente do país/região que estamos a analisar. Foi nesse contexto que fiz a minha análise. Em termos de direitos humanos é incomparável o seu respeito na Europa com a China. Não somos um sistema perfeito, e por isso existem muitas criticas, algo que por exemplo é impossível de existir na China. Outro factor que separa Europa do resto do mundo é o nosso modelo baseado e fundamentado na Solidariedade. Que por exemplo nos distingue dos EUA. Mais uma vez não é perfeito mas é suficientemente bom para um escritor americano o ter definido como o "European dream" e dizendo que existe a substituição do "American dream" por este.

E mesmo este pequeno país, com tantos problemas, com tantas disparidades temos um respeito pelos direitos humanos superior ao da China.

Portanto temos que manter os "pés bem assentes ao chão" para que não estejamos a misturar, como bem disse, "alhos com bugalhos".
E não, não vivo num sonho mas nesta realidade, na mesma que você vive.

CHINA E TIBETE

Relativizar os incidentes do Tibete é pura e simplesmente branquear uma situação criminosa. Mas pelo menos admite que o que se passou no Tibete foi grave (e continua a ser).
Estou de acordo consigo (pelo menos para já) que tanto o Tibete como a China são os actores principais neste conflito que dura muito tempo.
O direito à auto-determinação é um direito fundamental dos povos, e mesmo que os Chineses não o queiram já, deveriam de aceitar este principio. A dúvida que fica é: o povo do Tibete quer ou não a sua soberania e independência?
E julgo este ser o ponto principal da discussão e de análise. Se a auto-determinação é algo lutado pela maioria de um povo ou se é apenas a luta de um Dalai Lama "Terrorista"?
Julgo que neste caso o sentimento do povo é de uma soberania e independência relativa ao governo da China (só não sei se em forma de autonomia ou independência total), e se assim for a China efectivamente está a ocupar um território que não é o seu.

EMPRESA E "Corporate Social Responsability"

Parabéns por participar numa empresa que patrocina um atleta e que possibilita a oportunidade da participação deste numa alta competição.
Mas o exemplo que deu é diferente de uma empresa que patrocine os Jogos Olimpicos. Se a sua empresa apenas contribui para esse atleta, então e como é obvio, não tenho motivo nenhum para boicotar os seus produtos.
No entanto às empresas que patrocinam directamente o evento sim tenho motivos para boicotar.
E, sem querer, introduziu um tema que dá força a este tipo de boicotes e acções. O "Corporate Social Responsability" apenas aparece nas empresas porque estas passaram a reconhecer que os consumidores reconhecem valor às empresas que têm estes valores. Não partiu de uma maior consciencialização das empresas, mas sim de uma forma exogena. Com a discriminação dos consumidores por empresas que revelam este comportamento as empresas acabaram por incorporar os mesmos. Assim acções deste tipo apenas levam a que as empresas fiquem "Eticamente mais responsáveis", levando a uma melhoria da qualidade de vida no mundo. Se adoptassemos uma actitude passiva então esse valor nunca existiria e a sua empresa não teria incorporado esse valor e esse atleta nunca teria tido a possibilidade de ir a uns J.O.

No entanto é necessário relembrar às empresas que "Corporate Social Responsability" não é apenas um conjunto de palavras que fica bem num prospecto publicitário.
Ela tem de ser acompanhadas de acções que validem esse mesmo valor. Uma empresa não pode dizer que tem esse valor e depois praticar acções que são contrárias a esse mesmo valor (como tem sido moda actualmente). E a única maneira das empresas compreenderem isto é com perdas de lucros e estes a serem transferidos para empresas socialmente mais responsáveis. E é neste contexto que aparece acções deste género. Assim se efectivamente acredita que a sua empresa é socialmente responsável então está a favor deste tipo de acções pois será beneficiário desta mesma acção.

CAPITAL PRIVADO E O MITO
É um mito que seja contra o capital privado. Não encontrará em mim muitas afirmações que confirmem essa sua tese. Sou completamente a favor de um mercado aberto e perfeitamente concorrencial. Mas estes valores não são dogmas para mim.
Na minha visão da Vida ponho em primeiro plano as Pessoas. Julgo que tudo o resto vem depois, e neste prisma, se o mercado não satisfaz as necessidades das pessoas (e muita vezes não o faz) então é necessário acções.
A minha relação com o liberalismo económico é de cepticismo e não acredito que seja a solução optima para todos os problemas. Para alguns sim, mas na minha visão estes são meros instrumentos para se atingir fins sociais, para se atingir melhorias da qualidade de vida. Nunca são na minha perspectivas valores em si mesmo.

E talvez seja isto que me diferencia em comparação aos Liberais sociais (sou social democrata). Não nos difere o tipo de sociedade que queremos chegar, mas sim a forma de o chegar e o tipo de instrumentos a utilizar.

Assim quando julga que sou completamente contra o Capital Privado está completamente enganado, afinal ser contra isso era ser contra um dos valores que mais defendo que é a Liberdade. Só penso que a Liberdade não é o unico valor que uma sociedade deve defender.

E quanto ao meu conhecimento relativamente a este tema ele é profundo (por favor não interprete como me considerando um especialista que isso não sou), quer pela teoria quer pela prática.

P.S. Dê-me um exemplo da minha falta de encadeamento lógico, para que eu possa concordar ou discordar e assim melhorar.

Retrato de Limbo1978

Jogo de adivinhas

Agradeço o seu esforço em querer adivinhar sobre as minhas origens, como se isso fosse importante para o debate. Sou português e o meu país é Portugal.

Já que estamos num jogo de adivinhas, creio que o Stran/"Caldeirão" trabalha numa empresa onde tem péssimas práticas, daí o seu ódio ao capital privado. Como amigo de debate as minhas recomendações são simples e não são livros desta vez. Denuncie as más práticas da sua empresa, mude de emprego e procure apoio psiquiátrico.
Isto se trabalhar numa empresa claro, caso contrário significa significa para uma entidade pública ou não trabalha. De qualquer modo, e independentemente do caso revela profundo desconhecimento da realidade económica.

Muitas empresas que têm programas de CSR em curso não os divulgam. São iniciativas privadas, têm a sua lógica que eles entenderão, CSR pode ser utilizada como forma de criar espirito de equipa, ou como forma de valorização pessoal dos seus colaboradorees. Não tem necessáriamente que ser uma questão de Marketing. Surpreende-o? Pois existe muita bondade por aí, é pena que não o sinta. É mesmo muito triste.

Não pode esquecer também que o maior contributo social das empresas, vai muito para além da criação de emprego. São as empresas os motores de inovação. Sem as empresas nao haveria o Pc, não haveria blogs, e estaria ainda por descodifiar o genoma humano. O papel social mais impotante das empresas está na inovação e na criação dos produtos e serviços.

Isto como sabe é a apenas a minha opinião, posso não estar suficientemente seguro de mim para dizer que o "meu conhecimento relativamente a este tema ele é profundo" mas sei qualquer coisinha, "quer pela teoria quer pela prática".

O seu ódio em relação ao Lucro é assustador, e se diz que não é contra o Capital privado. Só posso desejar que nunca nos tornemos inimigos. Lembre-se Limbo1978 é amigo de Stran/"Caldeirão".

A sua obcessão pela presença excessiva do Estado pode encobrir muitas restriçoes às liberdades, o próprio exército de Mao diz ter libertado a China do demónio do capital privado.

Há um livro que pode ler, e acrescentar à sua alegada longa lista de livros sobre o assunto, leia o Leviathan.
Mas atenção como o meu pai já me ensinava desde cedo: "não leias livros mortos, lê os livros vivos". Os livros que lhe recomendo hoje e os que recomendei ontem são para serem lidos com particular cuidado são para serem bem interpretados e compreendidos, não vale a pena seguir literalmente a opinião do autor e ficar reduzido a mero leitor.

CHINA

Relativizo a situação da China com o que se passa entre nós por uma razão muito simples. Estamos em estadios de desenvolvimento muito diferentes. Aqui na Europa já se fala de direitos desde a Revolução Francesa. Noutras partes do mundo o termos como direitos Humanos surgiram depois da II GM. O que quero dizer é muito simples, não podemos analisar com os mesmos critérios e condenar, apesar de ser uma situação grave. Um sábio saberá certamente distinguir e relativizar as situações. E estou certo que o Stran/"Caldeirão" o saberá relativizar.

Por outro lado, por que dar prioridade a uma situação onde estiveram pouco mais de 100 pessoas do outro lado do planeta, quando nós podemos protestar uma realidde bem mais catastrófica que causamos no continente africano? Não será essa uma coisa que podemos fazer? Não estará mais perto do nosso alcance? Para quê envolvermos em questões internas de um país quando temos telhados de vidro bem mais ensanguentados?

Quem lhe disse que a maioria dos tibetanos luta pela independência?

Durante o período em que Tibete realmente gozou uma autonomia alargada, 95% da população vivia em servidão, pura servidão. E serviam quem? Serviam os monges tibetanos e a aristocracia. E quem defende hoje a independência? A resposta é óbvia, que são os mesmos que fugiram para o estrangeiro, os mesmos que se apelidam como governo exilado.

A relação diária no Tibete entre os Chineses tibetanos e os Chineses não tibetanos é muito pacífica, e a maior parte dos Chineses Tibetanos não estão contra a integração do território como parte da RPC, pois a relação trouxe prosperidade e o fim assegurado da servidão. Foram muitos os tibetanos que acolheram os Hans e os Huis quando estes fugiam das navalhas dos monges.

Aqui tem um site que te pode dar uma ideia alternativa dos acontecimentos: http://resistir.info/asia/tibete_mar08.html

Mas versões da hitória há muitas, é pena que conheça apenas superficialmente a versão dos que querem a servidão.

Existe um chavão de que a auto-determinação é um direito sagrado. Isto é verdade quando toca a pessoas, no limite em vez de um país haveriam país-freguesia, país-rua. Não foi a lei que defende a unicidade do estado que nos garante estabilidade e o respeito das liberdades? Convido-o a ler um pouco mais sobre o feudalismo, um pouco por todo o mundo e não só aqui na Europa. Vai ver que a autodeterminação embora seja o fruto de princípios libertários, não garante de forma alguma a continuidade da aplicação desse princípio uma vez assegura a independencia.

P.S.: Se não gosta do nick "Caldeirão" não me importo de partilhar o meu nick, assim poderás ser "Limbo" seguido do ano de nascimento, caso tenhamos a mesma idade eu deixo-o ficar com o nick de LimboMaster. Limbo não tanto pela sensatez de reconhecer que o mundo nem sempre é tão simples como o céu e o inferno, nem tão pouco por motivos religiosos. Mas sim um Limbo alusivo à contradição existente à teoria da sua própria existência que um teólogo lhe saberá explicar, é o meu reconhecimento da sua fantástica habilidade de colocar tudo num grande caldeirão e sair de lá uma ideia contraditória. O facto de entrar sempre em contradição revela falta de encadeamento lógico, não foi isso que me perguntou?

Não acerta no jogo de adivinhas

Antes demais o meu jogo de adivinhas apenas servia para saber o meu interlocutor para saber se apenas tem a mesma base de conhecimento que eu (imprensa, livros, etc...) mas uma interpretação diversa ou se por outro lado tinha um conhecimento de outro tipo. Como vi que não se quer dar a conhecer neste campo não voltarei a cometer esse erro. Já agora é importante para o debate, pelo menos para um debate honesto, pois como lhe disse condiciona o tipo de debate que poderemos ter.

Como o titulo indica falhou no sitio em que trabalho, pois é capital privado e tem excelentes práticas.

Mas antes de começar o debate dos tópicos em questão gostava de realçar pontos que julgo que são importantes.
Tenho aprendido que normalmente uma acusação incorpora um pouco de nós. Quando me acusa de contraditório, odio ao Capital Privado ou desconhecimento da realidade económica revela um pouco de si. Por exemplo a precipitação a me julgar.

Desculpe a deselegancia que vou fazer:

Stran - "Por vezes penso que os desportistas deveriam boicotar os Jogos Olimpicos! Mas esta seria a solução mais fácil para resolver o meu dilema. E também neste caso não seria a mais justa. Os atletas lutaram 4 anos para integrar esta competição, não têm o poder de decidir onde é a competição."

Limbo - "Trabalho numa empresa que vai patrocinar os JO, ao longo de varios anos temos estado a dar apoio a inúmeros atletas portugueses, temos patrocinado os seus treinos, os seus equipamentos, e mais, desenvolvemos uma relação de confiança que vai para além do simples patrocínio."
"Mas depois leio no seu texto que devemos ser penalizados por isso, porquê? Não estará a entrar em contradição?"

Além diz: "Vou tentar evitar transcrever o seu texto, pois eu acho deselegante..." e neste ultimo post não resistiu (e bem) a fazê-lo.

Quanto à acusação de ódio ao capital privado julgo que revela o seu odio pelo o oposto. E quanto à afirmação do meu desconhecimento apenas transmite que se julga superior a mim e com conhecimento profundo do que fala.

No entanto não posso deixar de comentar a minha seguinte frase:
"meu conhecimento relativamente a este tema ele é profundo"
Que foi extremamente infeliz. Depois quando li não poderia deixar de julgar esta frase vinda de uma pessoa extremamente convencida e presunçosa. Acredite quando lhe digo que não era de perto nem de longe o que queria transmitir e algo que foi errado do que disse esta foi sem duvida uma coisa errada. O que queria dizer era que não estás a falar com alguém que ouviu uns zumbidos na net e que tem total desconhecimento do que está afirmar. No entanto fi-lo de uma forma imprópria e peço desculpa por isso.

Finalmente outra coisa que gostava que acontecesse era que quando faças uma acusação a suportes. Se não são apenas palavras vãs, nada mais.

Agora o Debate:

Capital Privado

Não tenho ódio ao capital privado, em nenhuma coisa escrita por mim aqui vais encontrar isso.
No entanto como já disse não é isento de criticas. Existe bondade e maldade como noutras componentes da nossa vida e existem muitos "limbos".
Agora julgo que a tua noção de capital privada é enviesada. É verdade que muita inovação decorreu nas empresas, mas se analisares bem a questão também muita investigação foi feita pelo capital publico. E se é verdade que o teclado foi fruto da inovação privada já a net em que comunicamos não teria sido possível sem o capital publico.
E por exemplo, muita da investigação que é feita na industria farmaceutica é patrocinada pelo capital publico. No entanto não tenho uma visão branco ou preto desta questão do capital privado vs capital publico. Ambos permitiram que nós pudessemos usufruir das diversas inovações que podemos usufruir.
Julgo também que está a confundir esta discussão com modelos de Estado e o seu papel numa sociedade, esse caso queira ter, é um debate diferente do Capital Privado vs Capital Publico.

CHINA
Lamento que relativize a China. Afinal é uma das nações mais antigas do mundo. O que não é comparável é a sua situação com Africa. É obvio que contextualizo a situação actual da China, que é bem diferente de relativizar.
A China é uma ditadura e não vejo para já uma grande preocupação do mundo com isso. Tratamos da China como fosse intocável, aliás muito parecido à actitude que existiu na Europa com Hitler. E se bem que acredito que a questão de regime politico é uma questão interna, ela já não o é quando falamos de uma economia global. Além do obvio, fica também em causa algo que julga ser fundamental e que se calhar compreenderá melhor: concorrência.
E algo que me assusta no tempo que corre é que da parte das empresas europeias não existe nenhuma preocupação em prevenir o futuro. Estamos numa fase em que a unica preocupação são os lucros de curto prazo em detrimento de um desenvolvimento sustentado das empresas (um bom exemplo disto mesmo são as bolsas).
E se bem que deixo a questão dos Direitos Humanos (penalização dos incumpridores) ao organismo supra nacional competente. Já é errado não fazer nada sabendo que o posso.
Vivemos numa sociedade que exige que as nossas empresas sigam determinadas regras, não compreendo como deixando o nosso espaço essas empresas deixas de seguir as mesmas condutas.

Já agora gostava de lhe perguntar: Consegue-me arranjar uma boa justificação sem recorrer à comparação? Isto é será que acredita que as empresas são isenta de culpa do que está a acontecer?

(embora incompleto deixo este comentário pois não vou poder continuar para já)

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