
Uma sociedade livre pressupõe a livre acção do indivíduo para tomar as suas decisões, sem intimidação nem coação. Sem liberdade de medo não existe portanto liberdade de acção.
Num mundo como hoje em que a segurança é um factor de preocupação crescente, os governos vêm-se perante o dilema de ter de decidir entre a segurança dos seus cidadãos e a restrição de certas liberdades civis (sigilo de informação, liberdades políticas e religiosas.. )
É contraditório suprimir a liberdade em defesa da mesma e afirmar que não se prescindiu de uma parte dela. Quem o faz não entende o dilema da liberdade.
É contraditório esperar que a liberdade per si seja uma garantia da mesma. Quem pretende, em nome da liberdade plena, dar liberdade de acção a indivíduos que a querem suprimir não tem consciência que tal plenitude não é possível.
O paradoxo da liberdade, exactamente por observar factos contraditórios pode servir tanto uma lógica securitária como uma lógica permissiva.
Ambas as partes utilizam assim o argumento da contradição de modo a expor a desadequação do argumento daqueles que defendem a tese contrária. Cada um do seu lado pretende ser o verdadeiro defensor da liberdade.
Pelo contrário um paradoxo apenas demonstra que a premissa inicial tem de ser revista, pois não faz sentido. A simples premissa de sermos hoje livres.