
Filipe La Féria vai iniciar a sua concessão do teatro Rivoli, no Porto, com a apresentação do musical "Jesus Cristo Superstar", de Andrew Lloyd Weber, numa versão portuguesa por ele concebida. Ouvi-o esta manhã na Antena 1. Disse que se trata de ver se o público portuense estará interessado neste género de espetáculo, no musical, na ópera-rock. Mais disse que o espetáculo estará em cena por um tempo indefinido, ou seja, enquanto a venda de bilhetes o justificar.
Veja-se a lufada de ar fresco que a concessão do Rivoli a um privado traz. O privado experimenta um novo tipo de espetáculo para ver se o público se interessa nele; não se trata de impôr um espetáculo ao público, como nos velhos tempos da gestão camarária - trata-se de ver se o público estará interessado no espetáculo; o privado inova e investe, mas fá-lo em função daquilo que calcula serem os gostos do público. Concomitantemente, o espetáculo permance em cena em função do interesse do público - pode permanecer duas semanas ou dois meses ou dois anos, consoante o público vá sempre comprando bilhetes ou não; em tudo diferente da gestão camarária, na qual o teatro é cedido a um determinado espetáculo de uma determinada companhia por um tempo fixo, sendo que por vezes nunca chega a haver vendas de bilhetes que justifiquem a sua permanência no palco, noutras vezes o espetáculo vai-se embora quando ainda todas as sessões têm sala cheia.
Assim sim: cultura para o povo, para quem a quer ver e pagar, não para quem a faz.
Notas: Nada me liga a Filipe La Féria, que não conheço pessoalmente e do qual nunca assisti a um único espetáculo. Não aprecio particularmente musicais e de forma nenhuma pretendo recomendar o presente espetáculo de La Féria.
Comentários
Sou a favor de um misto de
Sou a favor de um misto de público e privado na área da cultura.
Naturalmente vejo com bons olhos a concessão do Rivoli, o único problema nesta área é que estamos a passar de um monopólio público para um monopólio privado na pessoa do Sr. La Féria.
Monopólio?!
Não há monopólio, uma vez que há no Porto mais teatros e salas de espetáculos. Por exemplo, o Coliseu do Porto, a Casa da Música, o Teatro do Campo Alegre, e outros.
Luís Lavoura
Bem-vinda lufada!
Tal como o Luís, também não sou grande apreciador de musicais (nem os sucessos da Broadway...), no entanto ao contrário de muitos "intelectuais" não é por esse motivo que vou denegrir os espectáculos em si ou seus autores. É o que tem acontecido a Filipe La Féria, que fruto da inveja que concita e de divergências políticas várias, tem vindo a ser caluniado, injuriado e difamado quase sempre pelos mesmos: frustrados e parasitas.
Por isso, como escreveu o L.Lavoura, bem-vinda esta lufada de ar fresco que o Porto bem anda a precisar. Anda a precisar de bem mais, mas isso já são contas de outro rosário...