O Modelo Visionário da Autoeuropa

Retrato de Filipe Melo Sousa

Numa sociedade de valores artificiais, como é o caso da nossa agora, qualquer actividade empresarial danosa torna-se lucrativa se o seu break-even estiver 20% aquém do custo actual, e a actividade for comparticipada pelo estado em 20% através de incentivos.

No caso do Campeonato Europeu de Futebol, o Estado financiou 25% do investimento dos Estádios (mas não sobre o valor total das obras, apenas sobre o "considerado necessário investir" nos recintos desportivos para o Euro) e depois cobrou 19% sobre o valor total das obras. No fim, o estado teve um “lucro”.

“Lucram” ambos o estado (porque este vai reaver 21% através da cobrança de IVA) e as empresas subsidiadas, que por sua vez podem continuar a sua actividade apesar de não ser lucrativa em condições normais de competitividade.

Este é o modelo da Autoeuropa e da moribunda Opel Azambuja. Neste caso o governo faz contas com os encargos sociais (susídios de desemprego) que não vai ter na problemática península de Setúbal, já assolada pelo desemprego. A Autoeuropa é ainda responsável indirectamente pelo dobro de empregos indirectos através da sua actividade. Em vez disso o governo encaixa os impostos desses trabalhaores dependentes, assim como o "lucro" da actividade da empresa.

Isto é um modelo em que:

1) Se baixa os impostos de maneira selectiva. Apenas as grandes empresas têm privilégios de isenção fiscal (indirectamente, através de ajudas, gastos do estado em formação de empresas privadas, cedências de terrenos, e de modo não transparente. Pagam o imposto, e o Estado devolve de outras formas)

2) Não existe igualdade de tratamento fiscal perante a lei

3) Apenas faz bons negócios quem tem amigos no governo

4) São recompensados os piores empresários

5) Os melhores empresários são penalizados, e obrigados a pagar os impostos dos restantes

6) O governo segue uma política económica “visionária” que apenas tapa os buracos do curto prazo, e compromete o futuro do país

7) A aristocracia do dinheiro (meritocracia) é substituída pela aristocracia do tráfico de influências (máfia, é como lhe chamam na minha terra)

Comentários

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Estou completamente de

Estou completamente de acordo! Especialmente com a conclusao no ponto 7.

Desde quando é que a

Desde quando é que a Meritocracia corresponde "A aristocracia do dinheiro"?

para ver os significados correctos de Meritocracia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Meritocracia

Mesmo que a soma custos /

Mesmo que a soma custos / benefícios fosse igual a zero, o facto de os produtos da AutoEuropa serem exportados,faz da operação, globalmente ,positiva.

Na verdade toda a componente de factores nacionais incluídos na venda/exportação, vão ser remunerados pelo comprador estrangeiro!

Mão de obra, valor acrescentado nos vários fornecedores nacionais, tudo é pago por quem compra, incluindo os incentivos dados pelo governo.

O que se pode dizer é que a mais valia obtida é inferior á que se obteria se não houvesse incentivos.

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