O jesuíta

Retrato de Luís Lavoura

É interessante reparar na forma muito inteligente, melíflua, jesuítica, como o célebre blogger (e também comentador do Diário de Notícias) João Miranda (JM) escreve os seus posts. Os exemplos que agora critico (mas que são apenas casos paradigmáticos da forma de JM escrever) são este post e a sua continuação neste outro post.

JM gostaria de criticar o primeiro-ministro espanhol Rodríguez Zapatero, porque Zapatero é de esquerda e JM não gosta da esquerda. Mas JM, felizmente, nada tem de concreto para criticar. Portanto, JM escreve posts escarninhos, que pretendem ridicularizar Zapatero e em que finge criticar, mas de facto tem o cuidado de nada dizer de concreto pelo qual ele, JM, possa ser julgado.

Porque, de facto, JM nada tem para criticar em concreto, nem tem nenhuma sugestão alternativa a fazer. Que sugestões poderia JM fazer? Que Zapatero não tivesse ministras mulheres mas tão-somente ministros homens? Isso seria inaceitável, tal como JM muito bem sabe. Que o ministro da defesa fosse necessariamente um homem? Isso seria igualmente inaceitável. Que uma mulher para ser ministra tivesse que esperar até a gravidez e o período de amamentação terem terminado? Inaceitável! Que uma ministra da defesa não pudesse passar revista às tropas? Ridículo! Logo, JM não tem nenhuma sugestão aceitável a fazer. Portanto, limita-se a ridicularizar e a tecer comentários escarninhos, mas tendo sempre o cuidado de nada dizer de concreto por onde as pessoas possam pegar.

JM deve ter sido educado num colégio de jesuítas. Eles é que apuraram este estilo de argumentação, o "toca e foge".