
As pessoas de esquerda têm tendência a anatemizar a proposta do MLS de eliminação do imposto sobre os lucros das empresas (IRC). Para elas, esse imposto é fundamental, imprescindível: o lucro das empresas é mau e deve ser tributado.
Mas essa ideia é perfeitamente absurda.
Supohamos uma empresa, perfeitamente honesta, que declara ao fisco ter obtido num determinado ano um lucro de 100.000 euros. O fisco cobra-lhe 20% de imposto (IRC) sobre esse lucro, isto é, cobra-lhe 20.000 euros.
Suponhamos agora que a proposta do MLS era posta em prática e o IRC era abolido. A empresa ficaria então com esses 20.000 euros a mais. Que lhes faria? (Suponho sempre tratar-se de uma empresa honesta, que declara ao Estado, de forma limpa, as suas atividades. Das empresas desonestas, as que continuamente declaram ao Estado que não tiveram lucros, nem vale a pena falarmos, porque essas, de qualquer forma, nunca pagam IRC.)
Hipótese 1) A empresa decide distribuir mais 20 euros de dividendos a cada um dos seus 1.000 acionistas. E declara ao Estado que distribuiu esses dividendos. O Estado cobra aos 1.000 acionistas, como é normal, um imposto (IRS) de 20% sobre os dividendos que cada um deles recebeu. (Esse imposto é, aliás, deduzido à cabeça logo no momento da distribuição dos dividendos.) Conclusão: o IRC seria substituído pelo IRS sobre os acionistas da empresa, sem perdas para o Estado.
Hipótese 2) A empresa decide distribuir um prémio de produtividade de 10 euros por cada um dos seus 2.000 trabalhadores. E declara ao Estado que distribui esse prémio, e informa o Estado dos nomes dos trabalhadores a quem o fez. O prémio de produtividade é um rendimento dos trabalhadores e desconta para o IRS deles. (Aliás, em geral até desconta à cabeça.) O Estado em nada fica a perder.
Hipótese 3) A empresa guarda os 20.000 euros para si, declarando esse facto ao Estado. O Estado perde rendimento. Mas a empresa fica com mais dinheiro para investir. O que é altamente positivo. Pois que, um país que se quer desenvolver deve querer ter empresas ricas, muito mais do que consumidores ricos. Os consumidores ricos estafam o seu dinheiro em casas, carros, caviar e casas de alterne, sem benefício para ninguém a não ser para eles mesmos; as empresas ricas investem, criando riqueza para o país. É pois estúpido taxar o dinheiro com que as empresas pretendem ficar para investir. É um tiro no pé.
Comentários
Hipotese 3b)
Quero lançar uma alternativa à ultima hipotese:
Hipotese 3b) A empresa apenas incorpora no Capital Próprio. Neste caso a empresa não investiria nada, os accionistas realizavam esta mais valia (20.000,00) no mercado bolsista e o Estado não receberia nada, e os accionistas ficariam com mais dinheiro para gastar em "casas, carros, caviar e casas de alterne".
Julgo que é bastante interessante fazer uma análise ao sistema fiscal actual e criticá-lo. Julgo que passado 20 anos é altura de repensar o modelo, pois a realidade é bastante diferente da de quando foi criada.
Além disso é vital nesta análise saber qual o(s) objectivo(s) do sistema fiscal.
Por exemplo no caso do IRC, ao existir ele permite que parte do capital "angariado" em Portugal por empresas estrangeiras se mantenha em Portugal.