No tempo errado

Retrato de Luís Lavoura

Quando o petróleo atinge o preço de 125 dólares por barril o nosso governo decide construir um novo aeroporto na zona de Lisboa.

Quando o aeroporto estiver pronto o petróleo estará a 250 dólares por barril e pouca gente terá qualquer vontade de voar.

Estão a brincar com o dinheiro dos nossos impostos.

Comentários

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Retrato de Hugo Garcia

dúvida

Sinto a mesma dúvida, mas custa-me a acreditar que não se tenha pensado nisso.

O ministério do ambiente e ordenamento do território tem um departamento de prospectiva e presumo que tomaram todos esses factores em consideração, incluindo a eventual introdução do imposto sobre combustíveis aos transportes aéreos.

A metodologia até é de relativa simplicidade: calcular um intervalo possível de subida de preços e estimar nesse intervalo quantas pessoas preferem os transportes aéreos.

Daí é que se estima o número de passageiros por ano.
E só assim se calcula a viabilidade e necessidade de um aeroporto.

Ainda assim custa-me a acreditar que daqui por 15 ou 20 anos exista um tráfego aéreo que justifique o novo aeroporto.

Resta-nos confiar nos decisores
;-)

Retrato de Luís Lavoura

És muito crédulo,

Hugo, se confias nos decisores.

Aquilo que eles fazem é extrapolar o crescimento do número de passageiros que se vem registando ao longo dos últimos anos. Quanto à disponibilidade de petróleo, não tenho qualquer dúvida de que supõem um cenário "business as usual", ou seja, haverá petróleo para todos os aviões que queiram levantar vôo.

Em caso de dúvida, consulta-se a Mota-Engil e a Soares da Costa.

Luís Lavoura

Retrato de Miguel Duarte

Confias demasiado

Eu sei como trabalham os consultores e acredita, não são nenhuns mágicos com bola de cristal, não são sequer geralmente uns tipos que usam técnicas estatísticas sofisticadas para chegar a conclusões fiáveis.

A utilidade dos consultores é muitas vezes mais dar uma justificação a quem decide para tomar uma decisão que qualquer outra coisa.

Consultoria

Quando não têm outras funções menos dignas...

Desculpa mas não consigo comentar no 5 dias...

Tenho uma duvida que não compreendi na tua posição no 5 dias:

"As práticas comerciais, tanto naquela feira como nos hipermercados, como em qualquer transação ente particulares, são livres. Ainda bem que o são."

"eu não tenho dificuldade nenhuma em aceitar que muitas transações comerciais são vigarices"

"Não se trata de nenhuma forma de discriminação de alguns clientes, o que, isso sim, seria ilegítimo."

"Não há qualquer publicidade enganosa. Publicidade enganosa e dizer-se que o produto tem certa vantagem que na verdade ele não tem. Aqui não se está a dizer nada sobe o produto, apenas sobre o preço ao qual nós o vendemos. Em minha opinião, o Continente tem todo o direito de nos dizer que costuma vender aquele vinho a 100 euros mas que hoje no-lo vende a 5. Nós só acreditamos se quisermos.
Também enganoso seria o Continente ter afixado que o vinho custa 5 euros e, chegados à caixa, pretender cobrar-nos 10 euros. Agora, uma prática comercial em que se publicita preços que supostamente se terá praticado no passado mas que na verdade nunca se praticou, é apenas uma intrujice inconsequente, na qual não se rouba o cliente mas apenas se aposta na sua credulidade."

Não entendo como mentir e enganar ou vigarizar é para ti aceitável. Além de que neste ultimo exemplo pela tua lógica também não é enganoso ou mentiroso, pela tua lógica poderás sempre escolher não comprar. E se por acaso fores credulo e não verificares a conta azar o teu.

Julgo que mentir não é uma questão moral mas sim uma questão de direito, afinal se o fizeres em tribunal és punido e com pena de prisão.

Ou seja não entendo como é que és apologista de mentir e enganar e gostaria de saber qual a diferença para ti entre um conceito e outro.

Mais uma vez peço desculpa por não poder escrever no 5 dias (seria o local apropriado) mas a minha net vai a baixo sempre que tento escrever lá.

Retrato de Luís Lavoura

Mentir...

... é grave quando causa um prejuízo objetivo e mensurável, e nesse caso pode ser punido por lei. Se por exemplo eu te vendo uma garrafa de vinagre dizendo-te que é vinho, estou a causar-te um prejuízo objetivo (pagaste e não obtiveste o produto - vinho - que pretendias). Se eu te digo que um produto custa 5 euros e depois, na caixa, te cobro 8 sem tu notares, então estou a causar-te um prejuízo de 3 euros.

Agora se eu te digo "costumo vender este produto a 10 euros mas, como você tem uns olhos tão lindos, vendo-lho a 5", então a minha mentira não te causa prejuízo nenhum. O facto de eu mentir, dizendo que costumo cobrar 10 euros a outras pessoas, não te causa prejuízo. Trata-se de uma mentira e de um jogo psicológico que te estimula a comprar, mas não de um prejuízo. Uma tal prática pode ser considerada moralmente reprovável, mas não pode, de forma nenhuma, ser causa para uma intervenção do Estado.

Luís Lavoura

Ou seja...

Pegando no teu exemplo da caixa: Se por acaso estiver escrito algures na caixa em letras pequenas que afinal é 8 eur e não 5 eur então passa a ser uma simples mentira e não "causa um prejuízo objetivo e mensurável".

A questão é saber se não te tivessem mentido se terias comprado ou não. Ou seja caso te tivessem dito a verdade tu não comprasses então acabaste de ter " prejuízo objetivo e mensurável".

Julgo que esta facilidade em aceitar a mentira não é mais do que uma deturpação do mercado. Não é à toa que enquanto sociedade não existe uma grande tolerância quanto à mentira. Imagina que eu menti na minha candidatura a um emprego, caso seja descoberto posso ser despedido. Ou o caso do tribunal, ou tantos outros casos em que a mentira é objectivamente penalizada.

O que tu descreves é o mesmo que na publicidade te enganem relativamente às caracteristicas de determinado produto. A utilização do engano/mentira para promover uma venda julgo que é um caso de publicidade enganosa, nada mais que isso.

A intervenção do Estado não passa por mexer nos preços, mas por dar a informação correcta. Por exemplo criando um site com informação de quais são as empresas e promoções que têm estas práticas, depois o consumidor é livre de escolher onde comprar.

Julgo que neste exemplo o mais importante é a informação, não tanto o controlo do preço.

Por exemplo mentir é diferente do que acontece com a diferença de preços entre o mesmo produto e quantidades diferentes do mesmo. Isto é, a maior parte das pessoas tem a noção quanto maior a quantidade menor é o preço unitário, no entanto se repararem no continente existem muitos produtos em que essa relação é inversa (para exemplificar: tem se a noção que que o preço/lt de uma garrafa de 1.5 lt é menor que o de uma garrafa de 0.5lt quando o que acontece é o contrário). Neste caso aplica-se "um jogo psicológico que te estimula a comprar" e não um engano pois a marca ou loja nunca publicitou essa relação!

Retrato de Filipe Melo Sousa

Os aeroportos deveriam ser

Os aeroportos deveriam ser um investimento privado, e esta discussão não deveria ser pública.

Retrato de Luís Lavoura

Era bom era...

Isso seria de facto ótimo.

É de facto assim em matéria de pequenos aeródromos, dos quais há umas largas dezenas pelo país fora. São privados ou então propriedade municipal, etc.

Mas isso são aeródromos onde só pequenos aviões podem aterrar.

Um aeroporto internacional é um investimento de natureza muitíssimo diferente. Custa muitos milhões, necessita de complexos licenciamentos, e interfere com muitas outras estruturas.

Nenhuma companhia privada, em parte nenhuma do mundo, que eu saiba, faz investimentos desses de forma independente de um Estado.

Na melhor das hipóteses, há capitais privados a entrar no esquema (e a serem remunerados, naturalmente). Mas quem dá o "pontapé de saída" e quem faz de "árbitro" do jogo é sempre o Estado, que eu saiba.

Luís Lavoura

Retrato de Filipe Melo Sousa

Precisamente

Exactamente porque é um investimento de uma natureza diferente, porque custa muitos milhões, e é uma decisão estratégica e importantíssima, não a deveríamos deixar nas mãos de uma quadrilha de burocratas incompetentes.

OK, mas...

"quadrilha de burocratas incompetentes..."
Só que em Portugal esse burocratas incompetentes são posteriormente os excelentes administradores a quem tu queres delegar essa tarefa.

Explica-me só um simples facto: porque é que a mesma pessoa é incompetente quando está no Estado, mas por artes mágicas passa a ser excelente só porque está à frente de uma empresa, na tua visão?

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