MLS considera insuficientes propostas de revisão do Código do Trabalho

Lisboa, 22 de Abril de 2008 - O Movimento Liberal Social (MLS) criticou hoje duramente as propostas apresentadas por José Sócrates para a revisão do Código do Trabalho. As mesmas não permitem dar resposta ao urgente incremento da competitividade da economia nacional e são mesmo contraproducentes ao penalizarem as empresas que necessitam de flexibilidade para sobreviver.

O MLS considera que a actual lei laboral portuguesa é demasiado rígida, colocando excessivos obstáculos ao despedimento de trabalhadores. A proposta revisão do código laboral, ao invés de atenuar este efeito, opta por penalizar as empresas que não efectivem os seus trabalhadores, comprometendo assim o futuro das empresas e consequentemente, o dos próprios trabalhadores.

O MLS considera que a forma normal e preferível de contratação de trabalhadores deve ser o contrato de trabalho sem termo. No entanto, o MLS sabe que, por uma variedade de circunstâncias, uma empresa pode ter necessidade de despedir um qualquer dos seus trabalhadores, devendo tal despedimento ser permitido sem invocação de justa causa.

O MLS considera que a necessidade de alegação de uma "justa" causa para o despedimento de um trabalhador transforma um facto que deveria ser normal, num drama de carácter judicial, com custos para ambas as partes e para o Estado.

Neste sentido, o Movimento Liberal Social propõe que o despedimento sem alegação de justa causa seja possível a qualquer momento e para qualquer trabalhador, mediante o respeito pelo pré-aviso e uma indemnização que tenha em conta os anos de trabalho do colaborador.

Miguel Duarte, presidente do MLS declarou sobre este tema: "É preferível flexibilizar o mercado de trabalho, garantindo a competitividade da nossa economia, e consequentemente mais empregos e melhores salários, à situação actual, que este governo parece desejar manter, em que há uma elevada taxa de desemprego e os trabalhadores têm que se sujeitar ao que lhes é oferecido. Se desejamos resolver de facto o drama dos recibos verdes, a única solução é flexibilizar os actuais contratos de trabalho sem termo".

Comentários

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Para o Miguel

Miguel não compreendo o positivismo deste pensamento "...garantindo a competitividade da nossa economia, e consequentemente mais empregos e melhores salários..." Maior competetividade não significa necessariamente melhores salários. Aliás a minha visão é que em Portugal se for aceite uma medida como a que propões o resultado é uma diminuição das condições de trabalho. Julgo que defender essa medida é neglegenciar o aspecto cultural de Portugal. Num pais pequeno, em que não existe uma forte mobilidade social e em que a concorrência não é algo assimilado pelas diversas pessoas, medidas como esta acabariam por piorar ainda mais a situação do que está actualmente.

"os trabalhadores têm que se sujeitar ao que lhes é oferecido" no teu caso é exactamente a continuação dessa situação, acabando por reforçar um dos lados da negociação.

Em Portugal onde existe uma forte tendência de cartelização, de preços combinado, de "compadrio" entre o tecido empresarial, uma alteração deste tipo flexibiliza o despedimento e não o emprego.

Julgo que antes da flexibilização é necessário equilibrar os dois agentes da negociação. Medidas em que o trabalhador possa sair de uma empresa e conseguir à mesma receber, por exemplo, a indemnização era algo que acabaria por equilibrar e permitir uma real flexibilização do mercado.

Ou então um imposto acrescido às empresas (que pode ser substituido por um modelo de seguro obrigatório) para que fosse possível ao Estado garantir a esse trabalhador um periodo de tempo (por exemplo de dois anos) de sustento. Neste cenário nem seria necessário a indemnização.

Com esta alteração poder-se-ia então caminhar para um flexibilização do mercado de trabalho, embora ainda fosse necessário uma outra alteração, facilitar a criação de novas empresas (para que em ultima análise os trabalhadores não tivessem qualquer dependência do empregador).

Gostaria de saber a tua opinião sobre estes cenários.

Caso não escrevas antes bom fim de semana e bom 25 de Abril.

Retrato de Luís Lavoura

Resposta

"Maior competitividade não significa necessariamente melhores salários."

Pois não, a curto prazo. Mas se as empresas forem mais competitivas ganharão quota de mercado e precisarão de aumentar a produção, pelo que contratarão mais pessoal. O desemprego diminuirá e tornar-se-á difícil encontrar pessoal. Então as empresas mais competitivas terão que subir os salários para conseguir arranjar os trabalhadores de que precisam. Ou seja, a médio prazo empresas mais competitivas significam melhores salários. É aquilo que se verificou em Portugal com a Lisnave noas anos 60, e se verifica com a Auto-Europa hoje. Essas empresas são competitivas, portanto pagam salários mais elevados. É aquilo que se está a verificar na China hoje em dia, onde os salários sobem por efeito da maior competitividade acumulada pelas empresas chinesas.

"Medidas em que o trabalhador possa sair de uma empresa e conseguir à mesma receber a indemnização"

Isso na prática significa que a empresa teria que pôr automaticamente de parte, por cada salário que pagasse, um tanto para pagar uma indemnização. Ou seja, seria aumentar os custos sociais da empresa. Excelente ideia! Das duas uma: ou as empresas iam à falência, ou então tinham que diminuir os salários para compensarem o maior custo social.

Stran, não há volta a dar-lhe: o bem das empresas é também, em média e a prazo, o bem dos trabalhadores e do país. A relação adversarial entre as empresas e os trabalhadores é apenas uma relação de curto prazo e caso a caso. A médio prazo, e em média para toda a economia, Você deve querer que as empesas prosperem se deseja que os trabalhadores aufiram mais regalias e melhores salários.

Luís Lavoura

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