Martim: Vítima da Lentidão dos Tribunais

Retrato de Miguel Duarte

Tirado do Público

Martim nasceu a 30 de Dezembro de 2006. Ana Leonardo já era acompanhada por uma comissão de protecção de crianças desde 2005 (desde que começara a faltar à escola). Aos 13 anos, quando o bebé nasceu, não aceitou o que lhe foi proposto: o acolhimento dela e do recém-nascido numa instituição. A criança foi-lhe retirada.

O bebé chegou ao Refúgio Aboim Ascensão a 26 de Fevereiro de 2007, encaminhado pela Segurança Social e pelo Tribunal e Família e Menores de Cascais (TFMC). A 16 de Julho, foi decretada a confiança judicial da criança ao Refúgio, tendo em vista a adopção. A mãe recorreu. E o pai, que tinha começado por não perfilhar o menino (só o fez em Junho de 2007), visitou-o pela primeira vez nesse mês.

Em Junho 2008, o Tribunal Relação de Lisboa confirmou a decisão do de Cascais. O caso ainda foi apreciado pelo Tribunal Constitucional, mas a decisão de entregar a criança para adopção transitaria em julgado em Maio deste ano. Villas-Boas limita-se a dizer que entende que a decisão da Justiça está sustentada e que uma criança só é encaminhada para adopção "quando a família não tem condições para ficar com ela".

Conclusão, na pior das hipóteses a criança até ao fim de 2007 deveria ter sido entregue para adopção, dado que a mãe efectivamente não tinha condições para educar o seu filho.

Em vez disso estamos em 2009 a finalmente tentar entregar a criança para adopção e claro, passados quase 3 anos a situação pode ter-se alterado.

A vítima aqui foi o Martim que ficou quase 3 anos numa instituição quando deveria ter estado a ser cuidado por uma família adoptiva.

Comentários

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Retrato de Luís Lavoura

Concordo parcialmente

Concordo em parte: Martim é efetivamente (mais) uma vítima da lentidão da justiça portuguesa em definir com celeridade o destino de uma criança.

Mas não me parece nada óbvio que a solução deva ser a adoção, pelo contrário!!! Sendo que a mãe e o pai, ambos, perfilham a criança e se oferecem para cuidar dela, com que base é que lha iremos roubar, sem lhes darmos ao menos o direito de tentar educá-la? Que critérios temos nós para afirmar que esta criança vai ser pior educada por estes pais do que qualquer outra? Eu farto-me de ver por aí crianças horrivelmente obesas e pergunto, se essas crianças, cujos pais não sabem dar-lhes uma alimentação de jeito, não são retiradas aos seus pais, então por que motivo outras serão? Que moralidade temos nós para afirmar que os pais de Martim o tratarão mal mas que muitos outros pais tratam bem os seus filhos? Eu pessoalmente discordo profundamente da forma como muitos pais educam e tratam os seus filhos, no entanto não me passa pela cabeça exigir que as crianças sejam retiradas a todos esses pais!!!

Luís Lavoura

Retrato de Miguel Duarte

Mas eu concordo contigo

Neste momento parece que a mãe pode de facto criar da criança. Há 2 anos aparentemente tal não era verdadeiro. E as crianças não podem obviamente ficar anos à espera que os pais eventualmente possam cuidar conta dos seus filhos.

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