Liberalismo ou Boa educação - cada um deve mandar na sua espada

Retrato de Igor Caldeira
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Cada um é livre de brincar com as pistolas e as espadas que quiser. Mas quem quiser brincar com as espadas dos outros tem primeiro de pedir para o fazer. É que, enquanto os senhores que vestem "factos" de cabedal (mas por que é que vocês quando falam comigo fazem questão de escrever disparates destes? já o outro me tinha vindo com as "abévias") brincam com os "factos" deles, há pessoas que gostam de mexer nas espadas e nas pistolas dos outros sem pedir licença nem dar desculpas.

O que é muito feio. Assim me educaram desde criança - como diziam alguns cartazes na campanha do aborto, permitam-me a corruptela, eu mando na minha espada e tu mandas na tua - e quem não aprendeu isto no berço, não há-de ser depois de biologicamente crescido que há-de adquirir a necessária maturidade.

Não sei, enfim, se se trata de uma questão de liberalismo ou não. Ao fim e ao cabo, à primeira vista, parece-me a mim que brincar com as espadas dos outros sem lhes pedir autorização é apenas má educação.

Mas todo um tratado político poderia ser escrito a respeito daquelas correntes ideológicas que se fundam na perspectiva de que ser livre é fazer o que se quiser, atropelando o direito de cada um mandar na sua espada. Um homem só é livre se mandar na sua espada, ou na sua pistola. Essas perspectivas que afirmam que quando impedimos alguém de roubar as espadas dos outros estamos a colocar entraves inaceitáveis à liberdade sofrem, poder-se-ia dizer, de uma infantilidade política que decorre de um atraso no desenvolvimento psico-afectivo-social dos seus apoiantes.

Parece-me a mim que estes libertinos, mal-educados e bem nascidos teriam precisado, para outras inclinações ideológicas os inspirarem, de levar umas belas palmadas no rabiosque quando a idade era de feição a tais empreendimentos por parte dos (que deveriam ter sido) seus educadores.
Em todo o caso, consta que os senhores que andam de "factos" de cabedal - que, diga-se em abono da verdade e em benefício de alguma iluminação em tão fidalgos de nascimento (embora paupérrimos de conteúdo neuronal) encéfalos, ocupam em excesso as mentes destes libertinos enclausurados nos seus próprios fantasmas sexuais - não desatendem meninos mal comportados.

Creio este ser caso que merece ser elevado a material de futuras investigações que grandíssimo contributo darão para o incremento da nossa sapiência, tanto no âmbito da filosofia política e moral quanto no plano da pedagogia e bem assim da psicologia; digressões desta espécie poder-se-íam revelar de suma importância, encerrando um potencial infindo para desmontar as posições absolutamente iliberais de criaturas que confundem liberdade e libertinagem, dando origem àquilo que com toda a propriedade poderemos chamar de inversão - não já a sexual, mas a moral e política. De facto, é preciso ser muito invertido para achar aceitável expandir os nossos actos para o uso e abuso não consentido do nome e da reputação alheias, simultaneamente achando inaceitável que outros adultos cometam o crime de vestir roupas de que não gostamos, sejam factos de cabedal, facto e gravata ou qualquer outro facto que a nossa engenhosa capacidade de fantasticar - ou, mais prosaicamente, a nossa ignorância ortográfica - possa descortinar.

Comentários

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De fato

De fato, caro igor, tenho a certeza que conseguirias fantasticar mais uns factos 'a tua coleccao. Mas, enfim, fantastiquemos juntos. Se eu fantasticar e tu fantasticares ao mesmo tempo, talvez cheguemos a alguma conclusao.

"mas por que é que vocês quando falam comigo fazem questão de escrever disparates destes?"
Para criar empatia?

Mas uma coisa podemos esclarecer desde ja para que nao se criem expectativas infundadas: eu nao quero, definitivamente, mexer na tua pistola. Amgos, amigos, pistolas 'a parte.

Grande abraco

Retrato de Igor Caldeira

Factos e Fatos

O facto é que:

- gostas de violar a liberdade alheia, achando normal que se abuse do nome dos outros
- gostas de violar a liberdade alheia, falando dos fatos dos outros.

Nada que um bom conservador não se sinta naturalmente inclinado a fazer.

PS - pistola? não quererás dizer "pisctolas"? E empatia? não quererás dizer "empactia"?

Do fait-divers ortográfico - ou do argueiro no olho alheio

"digressões desta espécie poder-se-íam revelar de suma importância"

Meu caro, para quem se mostra tão consciente das falhas ortográficas dos outros, talvez devesse rever as suas sebentas da escola primária sobre conjugação de verbos e acentuação...

E dura e dura

E já agora, meu caro professor, que é isso do "pau de dois gumes" de que fala aqui - http://blog.liberal-social.org/tabacaria?

Não quereria dizer... «pau de dois bicos»? Ou «faca de dois gumes»?

Pois é... todos temos os nossos dias não...

Retrato de Igor Caldeira

Bolas

Procurou em dezenas de textos meus e só encontrou duas coisitas? Duas apenas? Só mesmo?

Estou contente. :-))

Costumo andar à cata de calinadas minhas para corrigi-las e olhe - encontro-as em maior quantidade. Portanto ou eu sou muito competente ou o senhor é falho nestas lides de correcção linguística.

Calinadas

Não se regozije: a primeira, encontrei-a logo mal comecei a ler o post. A outra, tinha-me ficado na memória quando li o post «tabacaria», pela falta de sentido da expressão.

Realmente não devo ter desenvolvido as suas competências de cens... perdão, de corrector, porque não tenho por hábito distrair a atenção dos argumentos dos outros entretendo-me a apontar os seus erros ortográficos. Aliás, além de isso redundar numa manobra de distracção, sempre lhe direi que é uma tremenda falta de chá.

De mais a mais se, como diz, também costuma meter calinadas... coisa de que, aliás, estou longe de duvidar.

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