
Queria apresentar aqui um vídeo muito didático e ilustrativo daquilo que foram as praxes na entrada para a Universidade do Minho este ano para o curso de Engenharia e Gestão Industrial. A comissão de praxe e os seus organizadores ficaram muito orgulhosos da sua obra, e decidiram postar no YouTube. Assinaram no fim claro! Não deixo de fazer um comentário guiado ao vídeo! Ele merece! As citações dos veteranos a negrito e itálico:
Abrem os veteranos o documentário com a explicação: "Em 2004, eles sofreram as sagradas justiças da praxe". Ouve-se a marcha fúnebre como música de fundo, Imagens de estudantes no chão a fazer flexões. Marcha forçada do tipo Lockstep Walking. Pinturas faciais, com sorrisos dos "voluntários" para a câmara. Juramentos (é sempre preciso nestas coisas dar uma aparência de legitimidade à coisa, fazendo as vítimas aceitar o código moral segundo o qual vão sofrer as sevícias) O tradicional jogo do palito, em que é preciso fazer passar um pequeno palito de uma boca para a outra, agarrando-o com os dentes, ao colega do sexo oposto (ou não).
O Baptismo.
"Ingredientes da Poção: Tudo de nojento que se possa imaginar..." Vê-se então os "voluntários" a mergulhar a cabeça num balde de "tudo de nojento que se possa imaginar", e a esfregar bem com as mãos, de seguida são confortados pelo veterano, nos seus lindos trajes pretos. São de seguida besuntados, e alinhados deitados de barriga para baixo. Vão acompanhados pelos veteranos, trajados de preto, e com um ar muito divertido "lavar" a cabeça cheia de tudo-de-nojento-que-se-possa-imaginar à fonte com a água toda badalhoca.
O documentário continua: "Chegado o tão desejado dia de cortejo, eles deixaram de ser caloiros e passaram a novilhos." Vão desfilar orgulhosamente para a rua com cartazes da LEGI. "Em 2006 eles vieram com toda a garra, e vão fazer valer as justiças da sagrada praxe. Bestas de 2006/2007, preparem-se porque não vão ter vida facilitada. Aos Caloiros, MISÉRIA E SANGUE!" (fotografia do antes e depois do banho na lama)
"De todas as possíveis faltas à praxe, a maior atrocidade que se pode ser cometida é a de ser caloiro. A justiça de tal ignomínia é à escolha do Praxante que a acusar; recomenda-se no entanto, que o energúmeno seja o mais duramente punido. Caso se verifique que a besta permanece ainda em tão refece posição, deverá ser repetidamente punido até que deixe de o ser. Apesar do caloiro não dispor de qualidades meritórias de um capítulo para si, as regras que regem o seu comportamento o merecem, sendo por isso o Capítulo VIII dedicado a tais regulamentos". (Fotografias de caloiros "voluntários" a arrastarem-se uns aos outros na lama, Rapazes travestidos com pinturas de mulheres, Corvo preto a marchar orgulhoso, junto dos caloiros cheios de lama, Saltos voluntários para a lama)
"Sendo o caloiro um ser inferior sem qualquer qualidades, e muitos defeitos, e sendo esta a mais baixa posição que pode um ser assumir, os direitos do caloiro resumem-se rápida, concisa e verdadeiramente a... nenhuns!" Veteranos vestidos de preto a gritarem palavras de ordem e outras boçalidades, enquanto os caloiros marcham. Veteranos vestidos de preto a espalhar a mistela no cabelo dos "voluntários". Puzzle humano constituído de caloiros "voluntários" para formar o nome do curso.
Ah! E no fim, claro as assinaturas:
Autores: C. Gomes, F. Ribeiro, P. Brito
Comentários
A palavra "voluntário"
Gostei sobretudo da utilização constante da palavra: "voluntários". :p
Conceito de voluntário - aquele que se oferece para; que deriva da própria vontade; espontâneo (...).
Será que é isto mesmo que acontece nas praxes? As pessoas anseiam pela humilhação? Tenho as minhas dúvidas...
Os meus parabéns pelo
Os meus parabéns pelo título do artigo e por tão boa exposição dessa sequência de palhaçadas que, de facto, nada têm a ver com praxe.
Por acaso notou-se no vídeo
Por acaso notou-se no vídeo que eles estavam todos ofendidos.....
Haja paciência para os moralismos...
Praxes
Tal como já afirmei, as praxes são momentos de pura imbecilidade onde o medo de ser futuramente rejeitado, impera.
Os caloiros devem estar ali aterrados, mas lá vão alinhando com mentecaptos que se querem vingar de terem sido vítimas do mesmo abuso. Se mandassem estes pedaços de asnos trabalhar no duro nas obras, em vez em andarem na universidade com brincadeiras alarves e idiotas, os a seguir desistiriam de tais paspalhices.
O respectivo ministério ou os reitores devem pôr fim a este estado de coisas. Portugal, como país atrasado em relação ao resto da Europa, até neste sector faz questão de o comprovar.