
Na passada sexta-feira passou na RTP2 um programa sobre o direito à morte assistida ou eutanásia.
"A Suíça é o único país do mundo em que associações como a que dá título a este filme - Exit - existem para prestar assistência aos doentes que, para não prolongar uma dolorosa agonia, pretendem pôr fim às suas vidas. Há mais de vinte anos que equipas de voluntários acompanham doentes crónicos e portadores de deficiências graves em direcção a uma saída que consideram mais digna. Neste documentário acompanhamos todos os passos de um processo longo e delicado, em que uns e outros enfrentam a morte. Não como um tabu, nem com um fim inaceitável, mas como uma libertação. Numa sociedade que tende a tudo controlar, eles colocam uma questão de ordem íntima: escolher a forma como se quer morrer não será a última manifestação de liberdade que lhes é concedida?"
Foi muito interessante.
Nem a propósito, saiu na passada terça-feira um artigo na BBC sobre o mesmo tema: Widow urges new laws on suicide
Penso que morrer dignamente deveria ser um direito do ser humano.
Comentários
(In)Certezas
"Numa sociedade que tende a tudo controlar, eles colocam uma questão de ordem íntima: escolher a forma como se quer morrer não será a última manifestação de liberdade que lhes é concedida?"
Há na proibição da eutanásia um aspecto que me repugna terrivelmente - a ideia de que terceiros - a sociedade, o Estado - se substituam a mim na decisão de quando termina a minha vida. Apesar de valer o que vale - pouco, pois felizmente não estou nessa situação - eu diria que em muitas situações eu preferiria de facto morrer a manter situações de sofrimento ou total dependência permanentes. A minha única dúvida está nos casos em que não seja possível aferir a vontade do doente. Esses casos merecem especial atenção. Quanto ao resto... a vida de cada um pertence a cada um - não ao Estado, nem às Igrejas, nem à sociedade.