
As últimas mortes na noite do Porto levam a que a criminalidade esteja na ordem do dia da agenda politica nacional.
De um lado (CDS) culpa-se o governo por cortar na policia, do outro lado (PS) prometem-se a abertura de novos cursos para a PSP e GNR para o combate da criminalidade, existindo ainda aqueles (Câmara Municipal do Porto) que vêm na videovigilância em locais públicos a solução milagrosa para este problema.
Todos são coniventes no método de combate à criminalidade, mais policias, mais vigilância, mais formas de actuar a jusante.
Pois eu digo que o problema tem de ser combatido a montante.
Ninguém nasce a saber falar, ninguém nasce a saber andar, também ninguém nasce criminoso. A verdadeiras perguntas são: como se formam e formaram os marginais hoje? O que foi feito no sistema educativo para combater a marginalização? Que medidas foram tomadas para combater a secreção social, racial e económica existente no sistema educativo? Que politicas de inclusão?
Em síntese o que falhou na formação destes cidadãos e também o que aconteceu a nível social para que estes se tornassem criminosos?
Só respondendo a estas questões podemos desenhar politicas educativas e sociais para combater o problema da criminalidade.
Poupe-se nos policias, invista-se na educação.

Citação de Luís Filipe Menezes:
"a situação de insegurança no país está a atingir limites insustentáveis"
A realidade é que Portugal é um país relativamente seguro. Por exemplo, em termos de taxa de homicídios, a estatística talvez mais relevante para a insegurança, uma comparação (valores por 100.000 habitantes):
Jamaica - 46,59
Brasil - 27
México - 13,04
Ucrânia - 7,42
Estados Unidos - 5,6
Suíça - 2,94
União Europeia - 2,37
Reino Unido - 2,03
Portugal - 1,79
França - 1,64
Espanha - 1,25
Alemanha - 0,98
Grécia - 0,76
Japão - 0,5
Em Portugal, aliás, as estatísticas nem têm vindo a crescer, por exemplo, no início dos anos 90, o valor era de 1,5 (semelhante ao actual) e em 1995 era (um valor de pico) de 4,11, tendo vindo a baixar desde então. Ou seja, não se pode dizer que o Portugal de 2007 seja mais perigoso que o Portugal de 1990. Nem sequer se pode dizer que Portugal seja um país perigoso. Somos um país bem mais seguro que a pacata Suíça e que o Reino Unido, e estamos muito próximos de países como a França.
Ou seja, Luís Filipe Menezes mais uma vez vem provar o seu populismo crónico. É triste. Tanto mais que o governo de José Sócrates tem muito por onde se criticar.