
À partida poderá parecer anti-natural ou ilegítimo acabar com a raça dos pitbulls, mas tal é desejável e muito legítimo.
O Pitbull foi criado artificialmente para gerar um animal de grande violência. Vários cães violentos foram cruzados de forma a alcançar a mais perfeita máquina de matar. E conseguiram.
Agora importa perceber um pouco de reprodução genética.
Quando um casal de irmão têm um filho, esse filho tem uma probabilidade muito maior de ser deficiente. Isto porque está a provir de um grupo genético fechado, criando tendências para comportamentos patológicos. Ou seja, Há tendência para haver menos diversidade, logo menos equilíbrio, o que resulta nos extremos que chamamos de patologia.
As raças criadas pelo Homem tendem a ser perigosas por isso mesmo.
Consegue-se uma pequena ninhada, por exemplo 5, e de seguida faz-se reprodução entre esses. Naturalmente, os nascidos desse pequeno grupo tendem a apresentar grandes deficiências indesejadas. Isto não acontece apenas com pitbulls, mas o caso destes é o mais grave.
Existe ainda outro factor genético, já abordado por Darwin.
Por vezes, uma característica perfeitamente insignificante está associada a outra que é fundamental para a sobrevivência da espécie. Desta forma, os portadores dessa característica prevalecem enquanto os seus opostos são extintos, apesar de essa característica por si ser perfeitamente insignificante.
No caso dos pitbulls há duas características que estão associadas entre si. Por um lado a fisionomia da cabeça em triângulo e os ombros largos e do outro lado o gene obsessivo compulsivo.
Como disse antes, apesar de não existir uma correlação directa, existe uma ligação genética.
Como os reprodutores sabem que os cães de cabeça triangular e ombros largos valem mais dinheiro no mercado, reproduzem ao máximo estes entre si,de forma a exponenciar esta característica.
Consequentemente, também a característica indesejável predomina.
Neste caso, estamos a falar de cães obsessivos que muitas vezes enlouquecem por completo. Quando não o fazem são simplesmente ultra violentos, como já sabemos.
Portanto, não há nada de errado em o homem acabar com a anormalidade genética que criou, impedindo a sua reprodução.

Interessante este artigo da NewScientist. Parece que a forma como somos tratados (abusos, carinho, alimentação, stress) em criança afecta o nosso desenvolvimento genético (desligando ou ligando determinados genes). Tais alterações iniciam-se no ventre materno, mas também ocorrem durante os primeiros anos de vida.

Segundo notícia que ouvi ontem no telejornal (creio que da RTP), uma investigadora (salvo erro da Universidade de Aveiro) dedicou a sua tese de mestrado a calcular a quantia que custa a cada cidadão, ou empresa, preencher os seus deveres fiscais - ou seja, declarar corretamente os rendimentos que teve e as deduções a que tem direito, etc. A investigadora chegou a resultados deveras assustadores. Uma empresa de pequena dimensão pode gastar 5% do seu rendimento só para contratar quem lhe trate dos seus impostos, organize a contabilidade, etc.
Enfim, a investigadora contabilizou tudo aquilo que todos nós, pobres cidadãos, anualmente tem que sofrer: guardar todos os recibos relativos a rendas, gastos com a saúde e com a educação, preencher cuidadosamente as declarações de IRS, perder tempo nas bichas nas Finanças, etc.
Perguntaram à investigadora, como é natural, que forma haveria de diminuir estes custos improdutivos que todos nós, e as empresas ainda mais, temos que suportar. Ela respondeu o óbvio - simplificar o sistema fiscal.
E o que significa simplificar o sistema fiscal? Significa abolir o IRC, o que facilitaria brutalmente a vida às empresas. Significa instaurar uma taxa plana de imposto, igual para toda a gente e para todos os tipos de rendimento. Significa eliminar a dedução fiscal de uma série de gastos - donativos a instituições, gastos com a saúde, gastos com a educação, juros da compra da casa...

Uma clínica privada na província espanhola de Cadiz estipulou que as suas enfermeiras e auxiliares seriam promovidas apenas se aceitassem usar na clínica uma saia (de farda) de tamanho bastante reduzido. Algumas enfermeiras protestaram, recusando-se a usar as referidas saias, e não foram promovidas. Vão recorrer aos tribunais. Argumentam que as saias, além de revelarem do seu corpo mais do que elas consideram conveniente, são incómodas para o trabalho, dado que não lhes permitem abaixar-se para ver um doente acamado, etc.
É através de padrões de "qualidade" destes que as clínicas privadas, não raras vezes, competem umas com as outras e com os hospitais do Estado. Não competem através da excelência dos cuidados de saúde que prestam, mas sim através da beleza das pernas das suas enfermeiras (a qual pode fazer aumentar a tensão arterial de alguns pacientes do sexo masculino, com danos imediatos para a saúde destes).
A liberdade de uma pessoa se vestir como quer, dentro de padrões mínimos de decência e bom gosto, é importante. Não apenas no espeço público mas também nos locais de trabalho.
She was the most fierce catholic person that I’ve known. She was catequist; and she mentioned faith, Jesus or God (not in vain) in every conversation, in almost every sentence she said. There are not many people in rural Portugal who know or talk about the freemasonry – but there she was, blaming those who mocked the Holy Cross.
And yet, this ultra-religious person that blamed divorce as a source of infinite evil, she was capable of surprising me. The last time I saw her, she talked about marriage. Today, people are not tolerant, and divorce is a plague. But, then again, she talked about her own marriage. She has been married for almost 50 years... a happy marriage, I suppose? Yes, but yet, she had some problems:
“Ele empiteirava-se…”
Ok, she complained a little of the alcohol problems of her husband. And what did she do about? Of course, she didn’t left him; you don’t walk away from your commitment. However, she didn’t remained silent: “ele começou a dizer que se suicidava por causa de nós e eu comecei a dizer na rua como é que as coisas se passavam. Sim, que as pessoas também acabavam por perceber…”
Was she raising false testimonial? No. Was she difamating her husband? I’m not sure... problably not. What impressed me was that she was using tactics to tackle the situation – using the public space to defend herself in the private space – that I would link to Feminism, of Protestant societies...
Maybe that tactics is part ot Catecism of the Catholic Church, as mentioned by Dr. Arroja in his blog? I don’t know. What I know is that today, “se calhar não aturava tanta coisa.” Is this a sign that Catholic societies are being progressively conquered by protestant values, even among the loyalest people? Or, does it simple mean that Catholic women are more aware that God doesn’t tell them to be like “mulas”?


Os defensores do bem-estar animal são uma curiosa seita dos tempos modernos, aproximando-se quase de uma religião. São fanáticos dedicados, com uma enorme unidade entre si e uma determinação implacável na prossecução da sua agenda, frequentemente difícil de explicar.
Mas pergunto-me agora que faz mover essa seita em Portugal, para além do dinheiro que recebe dos seus correligionários no estrangeiro. Recentemente o ministro da agricultura sugeriu que tenciona proibir a importação para Portugal de raças de cães consideradas perigosas, proibir a sua reprodução e criação em Portugal, e impôr a esterilização dos animais já existentes em território nacional. Claramente, nenhuma destas medidas causa qualquer prejuízo substancial aos animais, causa-lhes sofrimento ou prejuízo ao seu bem-estar. É corrente castrar animais domésticos das mais variadas espécies, sem que nunca os defensores do bem-estar animal se tenham manifestado contra tal prática ancestral. A proibição do comércio e criação também não prejudica os animais existentes nem os faz sofrer. Apesar destes factos óbvios, a principal associação de defesa do bem-estar animal em Portugal (a Animal) manifestou-se determinada contra tais medidas, embora sem saber dar uma explicação clara - uma vez que de facto ela não existe! - para essa sua oposição.
Que faz mover os auto-proclamados defensores do bem-estar animal? Estarão eles a soldo dos criadores e importadores de cães de raças perigosas? Será que são financiados, não apenas pelos seus congéneres estrangeiros, mas também pelos criadores de cães perigosos?

Eu acho que os prolongamentos de 30 minutos deveriam ser abolidos nos jogos de futebol. São uma crueldade.
Ontem tive dó ao ver os jogadores do Porto e do Schalke a terem que "jogar", já todos completamente rebentados, já mal podendo mexer as pernas, mais 30 minutos. Os erros - tanto defensivos como atacantes - que cometiam, por já mal se conseguirem mexer, eram de fazer pena.
Um jogo assim já não é jogo, é uma lotaria. É ver quem faz mais erros devido ao cansaço. É ver quem primeiro fica com as pernas paralisadas. Já não tem beleza. Já mete dó. Já é uma tortura.
Lotaria por lotaria, prefiro as grandes penalidades. Deviam pô-las logo no fim dos 90 minutos regulamentares, poupando aos jogadores e aos espetadores o longo suplício do prolongamento. Um jogo de futebol são 90 minutos, não são 120.

Interessante este artigo do LA Times sobre propriedade intelectual, onde se levanta uma questão muito interessante:
- Se a propriedade intelectual é verdadeira propriedade, porque não é taxada?
Ou seja, qualquer um de nós tem que pagar impostos, e não são poucos, por ter uma casa ou um terreno, no entanto, se formos proprietários de uma obra literária ou de qualquer outra obra criativa, não temos que pagar nada por manter esta propriedade. Nesta categoria vou incluir as patentes, que são uma propriedade intelectual especial, e que penso que na realidade já têm que pagar alguma coisa para se manterem válidas.
Ora, além da simples questão de arrecadar impostos para o Estado, que não é a minha preocupação neste caso, existe uma questão muito mais importante, que é criar incentivos para que uma qualquer obra caia rapidamente no domínio público. Ou seja, se uma determinada obra não gera riqueza, e devido a isso o autor (ou proprietário da obra) não está disposto a pagar um montante para a manter como propriedade privada, esta obra deve cair no domínio público.
Não, não se trata aqui de nacionalizar o quer que seja, mas tão simplesmente liberalizar o mais possível a cópia de ideias que não é mais que um monopólio artificial. Necessário, é certo, mas abusado.

Na equipa suíça de futebol que ontem jogou contra o Sporting, havia dois negros retintos que eram ambos cidadãos suíços. Os locutores apresentaram-nos como sendo um "suíço de origem liberiana" e o outro "suíço de origem caboverdiana".
Abençoada seja a Suíça, que concede a sua nacionalidade a tantas pessoas de origem estrangeira! Deve haver muito poucos países no mundo que, com tanta generosidade, concedem a nacionalidade a estrangeiros que, na sua origem e na sua raça, tão diferentes são dos suíços originais.
Na Suíça a concessão de nacionalidade é democrática. A nacionalidade é concedida pelos cantões, e não pela confederação. Para que um cantão conceda a nacionalidade a um estrangeiro, basta, essencialmente, que uns tantos cidadãos suíços intercedam por esse estrangeiro, garantindo tratar-se de uma pessoa de bem e integrada na comunidade. E que nenhum cidadão suíço afirme o contrário. Quando vivi em Genebra, vi nas paredes afixados cartazes do cantão, em que se informava que determinados indivíduos (e mostravam as fotografias dos indivíduos) tinham solicitado a necionalidade desse cantão, e perguntando aos cidadãos de Genebra se não levantavam quaisquer objeções contra a concessão da nacionalidade a essas pessoas.
Assim fosem outros povos tão pouco racistas como os suíços, e tão prontos a acolher no seu seio pessoas de diversas origens.

Têm sido muito debatidos nos últimos dias os projetos de engenharia e arquitetura que José Sócrates assinou para algumas casas no concelho da Guarda, há uns vinte anos atrás.
É consabido que há muitos projetos de engenharia e de arquitetura que não foram feitos por quem os assina. Isso é prática corrente nos grandes gabinetes de engenharia e arquitetura: o chefe do gabinete assina projetos que foram, na verdade, realizados por assalariados seus. Prática análoga ocorre nos grandes escritórios de advogados. No passado, o mesmo faziam grandes artistas, por exemplo o pintor de origem flamenga Pieter-Paul Rubens, "autor" de muitas e gigantescas pinturas, as quais eram de facto realizadas no seu atelier mas, em grande parte, por outros pintores que trabalhavam para (e sob a supervisão de) Rubens.
Portanto, nada há de estranho nem de ilegal naquilo que Sócrates fez. Ele assuniu a responsabilidade por projetos que foram, de facto, elaborados por outros. Qualquer arquiteto célebre moderno faz, no dia-a-dia, coisa idêntica.
Vem então à baila o alegado mau gosto de muitos das casas projetadas por Sócrates. Longe de mim, de facto, pretender que essas casas sejam de bom gosto. Só que, numa perspetiva liberal, as pessoas devem ser livres de terem, cada qual, o gosto que têm. Se as pessoas querem viver numa casa "de mau gosto", numa casa "de emigrante", ou numa "maison", devem ser livres de o fazer. Gostos não se discutem, e não temos o direito de proibir os outros de terem os seus gostos e de construirem as suas casas de acordo com esses gostos. José Sócrates, possivelmente, também não gostava dos projetos que assinava - mas não era o gosto dele que estava em causa, e sim o gosto de quem queria construir a casa. O Estado não é suposto ser polícia dos gostos dos cidadãos, não é suposto proibir-lhes a construção de casas de acordo com os seus gostos. Ou será?

Já não é novidade nenhuma que tudo o que é políticos de renome vem a este blog buscar ideias políticas, mas agora também vão procurar às moções que são chumbadas na nossa Assembleia Geral.
Há umas AGs atrás foi chumbada em Assembleia Geral a proposta de que as touradas fossem classificadas como impróprias para menores e consequentemente proibidas aos mesmo.
Havia essencialmente dois argumentos:
o 1º é que estas efectivamente são impróprias para menores
o 2º é que representa um compromisso entre os defensores dos direitos dos animas e os fãs das touradas.
Portugal teria sido o 1º país a discutir esta medida e o MLS teria sido o 1º a defendê-la.
Mas ao jeitinho bem português não podíamos fazer uma coisa dessas. Ofendíamos a santinha da perseguição.
Agora os franceses começaram a discutir esta questão.
E claro que os portugueses começaram imediatamente a discutir se esta seria eventualmente uma boa decisão. Note-se o "seria".
Isto porque primeiro vamos ver se a medida vai para a frente em França. Depois logo se copia. Mas cá para mim, não há nada como ver o é que fazem na Holanda.
Isto porque Deus nos proteja de tomarmos iniciativa, numa medida de gritante bom senso, como afirmar que espetar estacas num touro é impróprio para crianças.

Não tem nada a ver com política, mas é bonito. Uma curta metragem brasileira, produzida para o Youtube e premiada no concurso Project:Direct.

Não deixa de ser irónico ver o Partido Comunista Português, um partido pouco dado a religiosidades, defender o encerramento compulsivo de todo o comércio ao domingo (porquê ao domingo?), e ver o André Azevedo Alves (AAA), um convicto católico, defender que as pessoas tenham a liberdade de violar o segundo mandamento da lei de Deus, deixando de guardar o domingo:
http://www.oinsurgente.org/2007/12/18/proibir-proibir-proibir-2/
(Oxalá o AAA admitisse permitir às pessoas pecar à sua vontade noutras ocasiões também.)
Diz-se por aí que a mania que os portugueses têm de dizer mal de si próprios é recente e surge com o avanço das ideias protestantes, tendo sido levada ao expoente por Eça de Queirós. Segundo esta corrente de pensamento, os intelectuais perderam “a batalha das ideias” e passaram a aceitar acriticamente tudo o que vinha de fora
Tendo em conta que a opinião de Salazar sobre os portugueses, muitos anos antes de chegar ao governo, era de que não conseguiam entender-se para nada e para tudo precisavam de um chefe, é de crer que o problema não fosse a derrota na batalha de ideias, mas não mais que a constatação de factos. Na verdade, quando um tipo de civilização é manifestamente superior a outro, dificilmente se pode contrapor o que quer que seja.
(E apesar disso Eça de Queirós até conseguiu fazê-lo, n’ A Cidade e as Serras. Mas essa obra poderia passar no crivo censório do Portugal miguelista, se este voltasse. O Jacinto era socialista.)
No passado domingo, o prof. José Hermano Saraiva visitou a exposição do Hermitage e aproveitou para discorrer um pouco sobre a História da Rússia. Apontando para o século XVII-XVIII como a fundação da Rússia moderna, o prof. Saraiva mencionou o esforço de ocidentalização e modernização (sinónimos...) empreendido pelo czar Pedro, o Grande, e comparou surpreendentemente a construção da cidade de S. Petersburgo à construção do convento de Mafra. Segundo o prof. Saraiva, deputado à Assembleia Nacional e membro de um governo presidido pelo Dr. Salazar, S. Petersburgo representa o empreendimento de acção e de civilização, enquanto Mafra…”tem os sinos, que tocam…” Será que o Dr. Saraiva também se deixou derrotar na batalha de ideias?
Mas o fulcro deste texto é a comparação mais alargada entre Portugal e a Rússia. Tanto Pedro, o Grande, como o Marquês de Pombal entenderam que a Europa Ocidental constituía um modelo de civilização superior; e tudo fizeram para trazer os respectivos países para mais próximo desse modelo.
A tarefa de ambos falhou, pelo menos à primeira vista. Os povos não se mudam pela vontade dos governos. Mas a verdade é que ambos os governantes conseguiram alcançar os seus objectivos até certo ponto. A Rússia após Pedro, o Grande não se tornou um país ocidental, de comerciantes, individualista, passou ao lado do Iluminismo, mas a verdade é que se tornou um país um pouco mais desenvolvido – ao ponto de 100 anos depois ser a primeira potência da Europa Continental. Portugal não se tornou um país mais liberal ou com cultura cívica – mas Pombal deixou um legado de desenvolvimento industrial que foi depois interrompido pelas convulsões da Revolução Francesa.
Não querendo destruir as características culturais de um povo – e nem o marxismo radical o conseguiu - , a verdade é que a atitude mais natural de uma civilização é tentar adaptar para si própria o que outras têm de melhor. Não desvalorizando o muito de bom que temos em Portugal, não devemos deixar de estar atentos ao que se passa por aí.