
Os comportamentos discriminatórios assentes em racismo, homofonia, misoginia, ou xenofobia, sendo baseados em correntes de pensamento colectivistas, manifestam-se, quer individual, quer colectivamente num julgamento à priori de certos indivíduos de acordo com um determinismo genético pré-estabelecido, e não com as capacidades individualmente demonstradas. Segundo este determinismo, as pessoas em causa poderão ser recompensadas, ilibadas, ou culpadas à partida em relação aos seus actos. Segundo esta lógica discriminatória, mais importante que os actos humanos será portanto a sua natureza hereditária. Posso assim classificar este comportamento como irracional, pois trata-se de uma atitude redutora considerar uma uniformidade de pensamento, uniformidade de vontades, uniformidade de ambições para todos os membros de um determinado grupo, ignorando a riqueza e diversidade entre os seus membros. Pelo contrário, uma visão liberal da sociedade consagra o homem como um ser racional com responsabilidade individual.
Mesmo que estivesse estaticamente demonstrado que uma determinada etnia produzirá em termos de valor esperado um homem de maior valor intelectual, a mera informação de pertença a um grupo será mesmo assim inconclusiva em relação às suas qualidades. No entanto, é frequente o uso desse raciocínio indutivo, como instrumento de auto-valorização através de um feito colectivo. O desempenho colectivo é sempre a soma das realizações individuais, e continua a fazer-se apesar do desempenho colectivo uma valorização individual. Refiro por exemplo o facto de diferentes jogadores de um plantel auferirem de ordenados diferentes. É notória a assimetria de procura de um jogador ou outro para o mercado de transferências. Repare-se no entanto na vontade de apropriação desses feitos, por parte dos adeptos ou dos nacionais, ao chamar para si um feito para o qual não se contribuiu de forma alguma. É o mesmo comportamento que se encontra em causas nacionalistas. Não é de admirar que sejam os membros menos válidos de nações bem-sucedidas a querer fazer prática militante de actos discriminatórios em seu proveito, sendo assim eles os principais beneficiários deste tipo de prática. Pelo contrário, os membros mais valiosos da mesma nação terão pelo contrário interesse em fazer entender que é o seu intelecto, o seu esforço ou comportamento individual, e não a pertença à nação, que está por detrás do mérito, destacando assim o seu valor pelos verdadeiros motivos.
Que o ser humano deixa os seus pensamentos serem ultrapassados pelas suas emoções, agindo de maneira identitária, é um facto adquirido e frequente ao longo da história. Coloca-se a questão: até que ponto terá o estado, quer o direito, quer o dever de interferir nos comportamentos irracionais, ou eventualmente imorais de cada cidadão, com o fim de promover uma sociedade desprovida de comportamentos identitários. Uma intervenção moralista a este nível, quer tomando parte em acções de propaganda pela tolerância, quer incluindo uma orientação moral no programa educativo revela uma visão pessimista e desconfiada do estado em relação aos seus cidadãos, assim como à sua capacidade de discernimento. A crença individual de que actos discriminatórios devem ser sancionados tem sido combatida com sucesso, não a nível institucional, mas antes através da iniciativa individual, tendo sido esta último o agente efectivo da mudança.
O estado não tem para além disso o direito de impor a sua moral a um cidadão. O direito de cada um a ter a sua opinião, e de livremente se associar em sociedade com quem desejar pressupõe que o estado não deve neste domínio ser moralizador. Nenhum estado poderá ordenar a racionalidade por decreto, nem impô-la através do uso da força. É normal que o estado esteja proibido de discriminar um grupo de cidadãos, não deverá no entanto proibir um cidadão individual de ter atitudes discriminatórias. Ninguém se pode sentir prejudicado pelo facto de outra pessoa individualmente não se querer relacionar com ele, mesmo que os motivos dessa pessoa que o recusou estejam desprovidos de razão. Continua apesar de tudo a ser uma decisão soberana na sua individualidade.
O livre mercado, ao contrário da regulamentação moralizadora recompensa a tolerância e penaliza qualquer tipo de comportamento discriminatório. Pois qualquer agente económico que se abstiver de utilizar recursos valiosos, de modo a ir ao encontro do seu preconceito estará de imediato a colocar-se em desvantagem competitiva. Isto é válido para o empregador que recusa ter um empregado de uma origem étnica diferente da sua, assim como para um consumidor que apenas aceita adquirir produtos manufacturados no seu país ou por membros de um determinado grupo que este seleccione, pagando assim um preço mais caro pela sua preferência nacional.
Ao se tornar do domínio público que uma empresa recusa trabalho a certos grupos da sociedade por motivos discriminatórios, esta auto-sanciona-se em termos de imagem, para além do facto de já ter levado em primeiro lugar uma gestão ineficiente da sua gestão de recursos humanos, ao coibir-se de recrutar um grande número de membros valiosos. Pergunto-me porque se julga importante fazer o estado garantir esta tendência sancionatória já verificada. Neste campo, devo constatar que o princípio laissez-faire não só é o mais correcto, como também tem sido o mais eficaz na evolução das mentalidades ao longo do tempo. É através da sociedade civil, e não por decreto estatal que a liberdade comportamental tem ganho aceitação na sociedade portuguesa, nomeadamente na aceitação de casais do mesmo sexo. Creio também que o pensamento individualista será o maior oponente de comportamentos discriminatórios. Ao considerar cada homem como um fim em si mesmo, não existe lugar a uma lógica de culpa ou mérito colectivo, nem a qualquer tipo de indução discriminatória no colectivo.
Pelo contrário, uma lógica igualitária (decreto de salários mínimos), de contratação ou representações por quotas (na assembleia da república e órgãos representativos) com fins moralizadores não penaliza comportamentos discriminatórios. Leva pelo contrário cada grupo a chamar para si um conjunto de privilégios, de reconhecimento sem esforço, e de acções de discriminação dos restantes grupos, em acções de discriminação chamada de positiva, ao tentar ignorar que o positivo para uns é negativo para os restantes. Mas o estado social incentiva este tipo de actuação por lobby, deixando aqueles que menos influência terão em colectivo identitário, apesar de grande valor individual, à mercê daqueles que terão nascido no seio de um determinado grupo privilegiado. Chega-se ao ponto de requerer a assimetria da criminalização penal, quando o propósito é atingir um determinado grupo, comparado com o mesmo crime sem a mesma intenção. É o exemplo da criminalização dos chamados crimes de ódio.
É neste contexto que acho pertinente referir o post do João Miranda (descoberto via Insurgente), ao apontar os activistas LGBT como anti-liberais. Uma associação lgbt (ver página principal) requer inclusive um espaço próprio na loja do cidadão para divulgar mensagens moralizadoras à custa do contribuinte, tal como requer a referida Legislação para discurso de ódio:
“É urgente a aprovação duma lei contra todo o tipo de discursos de ódio, à semelhança do que já existe contra os discursos racistas, para que seja claramente estabelecido o direito à reparação do bom nome, e a uma vida em paz e segurança, de todos os grupos sociais socialmente mais frágeis, quer através dos seus representantes colectivos, quer através de queixas individuais.”
Faço notar que ao ser concedida essa pretensão (1) caberá a partir de então a alguém definir o que é um grupo frágil, podendo cada um poder alegar pertencer a essa categoria, abrindo assim um precedente despropositado, e (2) esta associação estranhamente segue uma estratégia de inferiorização das pessoas que pretende representar, corroendo qualquer margem para uma entidade própria, recusando a variedade e identidade que um indivíduo gay pode ter para outro. Para além de prestar um mau serviço à sua auto-estima.
É precisamente em nome dessa individualidade que faço notar a quem possa ficar mal impressionado com o modo de agir contraproducente destas associações, que estes auto-denominados líderes não são forçosamente representativos de uma categoria de pessoas: não tomem a infeliz intervenção de uma pequena associação por um sentimento generalizado junto das pessoas que estas pretendem representar, pois a racionalidade existe no indivíduo em si, e não de forma colectiva.
Em parte dou razão a uma causa defendida por esta associação na sua página principal: não faz de facto sentido a legislação de violência doméstica procurar referir se os parceiros do casal pertencem ao mesmo sexo, ou a sexos opostos, como o faz actualmente. Mas do mesmo modo lanço o repto: porque razão terá uma pessoa agredida pelo marido então direito a uma protecção adicional em relação àquela que foi agredida por um parceiro com quem teve um encontro ocasional? Achará o estado português que as pessoas que optam por relações duradouras têm uma superioridade moral em termos de costumes, e deverão ser privilegiados em termos legais? Um claro sintoma, de que ao invés de querer acabar com um bolo de privilégios, pretende-se alargar o mesmo a um leque de cidadãos que incluem os requerentes. Quis deixar assim um prelúdio para a inevitável discussão sobre a definição de casamento: num estado liberal, cada um terá o direito de chamar casamento a qualquer união que estabelecer, legitimada por qualquer instituição que queira reconhecer a mesma união. O estado português escolheu à priori um modelo a seguir: o modelo de família heterossexual. Mais uma vez, o erro das reivindicações é de querer aumentar o bolo dos privilégios, em vez de defender de uma vez por todas a igualdade a nível fiscal, social, a nível de heranças ou obtenção da nacionalidade. Em vez de recusar a intromissão do estado português nos afectos da vida privada de cada indivíduo. É irónico o comportamento de várias associações: pois ao invés de querer desvalorizar uma instituição que diz prejudicar e ter prejudicado as pessoas dizem representar, pedem o acesso dos homossexuais ao casamento, com o pacote de regalias existente, criando assim novas classes de privilegiados e novas classes de excluídos, dispondo-se a praticar a mesma discriminação de que dizem ser alvo.
Ao lutar contra discriminações impostas pela lei, qualquer associação terá o meu apoio físico e moral. Mas constato que as causas aqui defendidas não têm nada a ver com qualquer tipo de justiça, e que as presentes reivindicações não se enquadram num estado liberal. A presente situação de desigualdade de reconhecimento, e a expectativa à priori que a família possa ter sobre a orientação sexual de uma criança em desenvolvimento são sem dúvida a herança de uma discriminação suportada pelo panorama político discriminatório imposto no passado. Situação essa que foi combatida, indo até inscrever a discriminação com base na raça e orientação sexual na constituição da república portuguesa.
Mas compreendo perfeitamente o argumento do João Miranda, e foi este argumento que me propus fundamentar: “uma pessoa que ache que o estado deve incentivar com dinheiro público a aceitação da homossexualidade não é liberal.”
Comentários
Sem espinhas! E muito
Sem espinhas!
E muito esclarecedor da perspectiva liberal em relação à questão do casamento de homossexuais vs. fim do contrato público tipificado de casamento. E da liberdade de descriminação em propriedade privada.
Concordo com a maior parte
Concordo com a maior parte deste post, mas não com a parte relativa ao casamento de pessoas do mesmo sexo.
De facto, um Estado, seja liberal ou não, tem que aceitar que a instituição "casamento" existe. Existe noutros Estados. Não se pode acabar com ela por decreto.
Ora, não acabando com a instituição, pelo menos para já, por decreto, tem que, pelo menos, concedê-la em circunstâncias de igualdade a todos os cidadãos.
O reconhecimento pelo Estado da união de dois indivíduos tem consequências práticas. Esses indivíduos passam a poder emigrar ou imigrar em conjunto. Esses indivíduos passam a ser reconhecidos automaticamente pelo Estado como herdeiros um do outro. Isto são consequências práticas importantes e, largamente, insubstituíveis.
Se não houvesse casamento, seria impossível a um cidadão imigrado trazer para cá o seu cônjuge. Um português que emigrasse também não poderia levar o seu cônjuge para o seu novo país. É o facto de os Estados concederem um reconhecimento oficial, através da instituição "casamento", à união de duas pessoas, que permite a imigração e emigração conjuntas.
Luís Lavoura
Luís Lavoua, Nunca o
Luís Lavoua,
Nunca o imaginei a defender uma instituição cristã, resultado da fusão entre o estado e a Igreja, com esse afinco. Especialmente com um argumento central profundamente conservador - Sempre fizémos assim, ou outros tambem fazem assim, pelo que nem vale a pena discutir se devemos ou não fazer assim.
Já a defesa da instituição casamento com o seu imapacto na lei da imigração é deliciosa. uma lei discriminatória e moral é justificada porque permite uma menor discriminação em outras situações. Excelente.
O casamento não é (só)
O casamento não é (só) uma instituição cristã. É uma instituição que existe, de forma religiosa e laica, em praticamente todas as sociedades do mundo. Todas as sociedades institucionalizam e dão proteção e valor legal (mais ou menos elaborado) a certas formas de união.
Luís Lavoura
"De facto, um Estado, seja
"De facto, um Estado, seja liberal ou não, tem que aceitar que a instituição "casamento" existe. Existe noutros Estados. Não se pode acabar com ela por decreto."
O casamento de homossexuais também existe noutros estados. E daí?
Acho que pode ficar sentado à espera que isso tenha alguma repercursão jurídica em Portugal...
Ou seja, que Portugal reconheça alguns direitos de casamento a estrangeiros que tenham casado em países em que tal seja legal.
Também não concordo com a
Também não concordo com a liberdade total de discriminação em propriedade privada.
De facto, há propriedade privada de diferentes naturezas. Alguma propriedade privada é (quase) totalmente privada - a habitação das pessoas. Ninguém pode (exceto em casos graves) entrar em minha casa sem minha autorização. Mas há outra propiedade privada que tem uma natureza semi-pública. Por exemplo, os estabelecimentos comerciais. Essa propriedade é privada na sua posse, mas pública nas funções que desempenha. Uma loja pertence unicamente ao seu proprietário, mas desempenha funções de utilidade geral. Ao contrário da minha casa, que me pertence a mim e só tem utilidade para mim, que nela habito, uma loja pertence ao seu proprietário mas tem utilidade para um conjunto largo e não especificado de pessoas, que podem nela querer comprar alguma coisa.
A propriedade privada de diferentes naturezas deve ser submetida a diferentes requisitos e obrigações legais. Uma loja deve ser proibida de discriminar.
Luís Lavoura
O que é meu é meu. O que
O que é meu é meu. O que é teu, é nosso. Desde que alguem diga que é nosso, claro está. Esse alguem pode ser o estado, essa entidade claramente identificada e sempre iluminada.
Não tem nada a ver com ser
Não tem nada a ver com ser "meu" ou "teu". Tem a ver com o fim legal de uma propriedade. Legalmente, uma loja é uma loja e uma residência é uma residência. Uma propriedade rural é uma propriedade rural, uma propriedade urbana é uma propriedade urbana (e paga um imposto IMI muito superior). Eu não posso livremente transformar a minha casa numa discoteca ou num café, nem posso dizer que o meu supermercado é a minha residência e que portanto só lá entra quem eu quero. A propriedade privada está regulamentada, de acordo com os fins a que se destina. A regulamentação pode ser (e é, frequentemente) excessiva e dispensável; mas uma certa regulamentação será sempre necessária.
Luís Lavoura
Luís, Defines se uma
Luís,
Defines se uma propriedade é privada ou pública de acordo com o fim dado à mesma. Não é essa a definição dada pela lei. E custa-me trazer a lei portuguesa porque não gosto mesmo nada dela. O estado nem sequer tem o cuidado de expropiar para regular a utilização da propriedade privada.
O estado de facto condiciona a utilização da propriedade privada no caso de o proprietário a quiser usar para determinados fins.
Qual é o critério? Depende de quem "manda". Por isso em alguns casos concordarás com o condicionamento e com outros não concordarás. Depende do teu grau de afinidade com as causas do legislador em questão. Outra abordagem é ser por sistema contra o condicionamento da utililização da propriedade privada.
Não, não sou por sistema
Não, não sou por sistema contra o condicionamento do uso da propriedade privada.
Se o fosse, admitiria que o meu vizinho, sem pedir autorização a ninguém, construísse um prédio de dez andares encostado à minha casa, a dar-me sombra e a tirar-me a vista.
Admitiria que o condómino de baixo instalasse uma discoteca ou um bordel na sua casa.
Ora, eu não admito nada disso.
Qualquer uso que se dá a uma propriedade privada está regulado pela lei, a qual, formalmente, pretende proteger os outros cidadãos, e a sociedade em geral, de usos inapropriados ou prejudiciais dados a uma determinada parcela de propriedade.
A regulamentação dada a determinados usos pode ser, e é em muitos casos, excessiva. De acordo. Mas não assumo, de forma nenhuma, a posição "anarquista" de pretender que cada um deva poder fazer seja o que fôr com a sua propriedade.
Luís Lavoura
Muito, mas muito bem. Se a
Muito, mas muito bem.
Se a igualdade perante a lei é um objectivo, este nunca pode ser alcançado com a atribuição de liberdades positivos.
Já começa a ser hábito
Já começa a ser hábito encontrar a mesma fotografia ao lado das entradas com bom senso...
...só acrescentava, a "igualdade perante a lei", "lei igual para todos".
Damage Control
Eu entendo o argumento do Luís Lavoura na perspectiva do Damage Control. Pois se é a curto prazo pouco viável por em causa a instituição do casamento, o modo de ser um agente efectivo da mudança é alargar o bolo dos direitos de modo mais igualitário. Pelo menos, visto que o Luís Lavoura não questiona o valor do argumento, mas sim a estratégia de acção, é a leitura que faço.
Eu discordo desta estratégia pelo facto de nascer torta à partida, e pela fraca honestidade intelectual de quem a defende sem reservas. E aponto como efeitos secundários nefastos o grande número de casamentos ilegais com vista a obter a nacionalidade. A intromissão nos afectos é, como se demonstra aqui mais uma vez, uma fonte de fraude por parte daqueles que manipulam a ingerência do estado a seu favor. Mas a este nível eu defendo que se possa trazer para junto de si qualquer cidadão estrangeiro mediante termo de responsabilidade pessoal, bastando para isso demonstrar que um, ou ambos têm meio de subsistência digna ou situação estável no nosso país.
Já sabemos a opinião um do outro...
Relembrando uma vez mais:
1. Por mim acabava amanhã com o casamento. Concordo perfeitamente contigo que este é um tema que o Estado não se deveria imiscuir.
2. A tua solução para trazer o companheiro/companheira para Portugal é obviamente mais do que aceitável.
3. Infelizmente, o que defendo no ponto 1. não é alcançável na sociedade em que vivemos nem provavelmente nos próximos 50 anos. Isso parece-me evidente. Como tal, se o Estado discrimina, por uma decisão da esmagadora maioria dos portugueses que aceitam a figura do casamento, mesmo os que não são casados, então que descrimine sem descriminar. É que neste momento tens um grupo de indivíduos que pode aceder naturalmente à categoria de casado, se assim o desejar, e outro grupo de indivíduos à qual essa categoria é negada a não ser que vão contra a sua natureza. Quando se diz que o Estado deve aceitar o casamento de homossexuais, no fundo apenas se está a pedir que apague umas palavras, no local onde diz que o casamento é entre um homem e uma mulher. Simplificar legislação é anti-liberal? Ignorar na legislação as preferências sexuais das pessoas é ser-se anti-liberal?
4. Contra a discriminação em espaços públicos, concordo com o Luís Lavoura, a mesma não é aceitável. É exactamente a mesma questão do tabaco. No dia em que eu decido prestar um serviço público, como abrir um café ou um supermercado, sujeito-me a determinadas regras. Uma delas é obviamente não impedir determinadas pessoas de entrar simplesmente pela cor da sua pele. Este é um daqueles casos em que basta andares para trás uns anos e "recordar" como era a vida dos negros nos EUA, em que lhes eram negados lugares nos autocarros e a entrada em cafés e restaurantes. Como sabes, não foi o mercado que alterou propriamente a situação no fim do século XIX e início do século XX, mas a força legislativa do Estado, forçada por conflitos sociais emergentes.
5. Relativamente à proibição do chamado discurso de ódio, sou contra de uma forma genérica, mas parece-me que se alguém incitar publicamente à violência contra outrem deverá ser sancionado.
Concordo integralmente e
Concordo integralmente e letra por letra com este comentário do Miguel.
Luís Lavoura
A = A
Infelizmente Miguel não podes discriminar, não discriminando. Tal como te deves ter apercebido, vivemos num universo que é muito teimoso e obedece às leis da física.
Já dizia Ayn Rand que o irracional "é o impossível, contrariando os factos reais. Factos esses que não podem ser alterados por simples desejo. Mas tem em atenção que podem ser muito nocivos para quem os formula. Se alguém teimar em ter objectivos contraditórios, como comer o bolo e continuar a ficar com ele, desintegra assim a sua consciência, e a sua vida torna-se numa guerra civil de forças ocultas a lutar por conflitos desprovidos de propósito, coerência ou significado. É esse o ponto em que se encontra a nossa sociedade, ao abdicar alegremente do seu intelecto. " Doce decadência!
Tu percebeste
Tu percebeste muito bem o que eu queria dizer.
O Estado discrimina neste momento, mas duplamente, contra os solteiros e contra aqueles que têm uma orientação sexual diferente.
Relativamente aos solteiros, pode-se sempre argumentar que este estado é uma escolha. Quem está solteiro pode sempre em teoria casar-se e beneficiar dos mesmos privilégios.
Agora quem tem orientação sexual diferente é que é claramente descriminado pelo Estado. Pois, a não ser que contrariem a sua natureza, essas pessoas obviamente não têm a escolha de se casar e de ter benefícios tão simples como poder estar com o seu companheiro/companheira no hospital (alguns hospitais) ou à herança de uma casa que compraram a meias.
Como vivemos num mundo real e não numa fantasia liberal, mesmo eu por mim desejando o fim da figura do casamento, até que esse objectivo seja atingido (provavelmente nunca) tens que resolver os problemas actuais das pessoas. E de um ponto de vista liberal, estás a dar mais liberdade às pessoas ao estenderes a figura casamento a todos os cidadãos e não excluindo alguns devido à sua orientação sexual.
Eu próprio casei-me por questões bem pragmáticas e sei as dificuldades que passei para trazer a minha companheira para Portugal, apesar de estar casado. Não desejo a ninguém o mesmo e ainda menos a quase impossibilidade actual que é trazer alguém que se ama para Portugal de fora da UE não se estando casado.
Por isso, é mais liberal que o Estado descrimine (casados x solteiros), não descriminado (hetero x homo), a que o Estado descrimine duplamente.
Dois mundos à sua escolha
Miguel, escolhe entre dois mundos
1) Em que tens 10% de privilegiados
2) Em que tens 10% de excluídos
Gostaria de entender o raciocínio que te leva a concluir que a segunda é preferível.
Também gostava que devenvolvesses a ideia segundo a qual a propensão para ser solteiro (leia-se o gosto por variar o parceiro) é uma escolha, e não devido a um determinismo genético, tal como apontam a maior parte dos estudos.
Eu acredito que estejas convictamente persuadido de ambos. Mas a meu ver não é tão óbvio assim. E acho que o nível deste forum exige uma exposição rica e aprofundada das ideias. Como podes perceber, tive bastante esforço para fundamentar o raciocínio que precedem as conclusões aqui expostas. Assim, a constatação sem demais fundamentação de que os bons princípios não passam de fantasias liberais inconcretizáveis são sempre um pouco decepcionantes.
?
"1) Em que tens 10% de privilegiados
2) Em que tens 10% de excluídos"
Neste momento tens uma situação de facto em que existem 10% a 20% de excluídos, aqueles que desejam mas não podem casar com um parceiro do mesmo sexo. Se eliminares umas linhas à lei, deixas de ter essa situação e passas "apenas" a ter uma discriminação relativamente aos solteiros, que é aceite pela maioria dos solteiros e que qualquer solteiro pode acabar por sua decisão, casando-se.
"Também gostava que devenvolvesses a ideia segundo a qual a propensão para ser solteiro (leia-se o gosto por variar o parceiro) é uma escolha, e não devido a um determinismo genético, tal como apontam a maior parte dos estudos"
Uma coisa não tem nada a ver com outra. Na realidade, um indivíduo que goste de variar de parceiro (é irrelevante se essa preferência é genética ou não), se o contrato de casamento fosse assim tão benéfico, casar-se-ia. Continuando a variar de parceiro sexual. Aliás, na realidade é isso que acontece em muitos casos, não é verdade? A prática mostra que há muitos cidadãos e cidadãs para os quais a "fidelidade" não é exactamente uma componente do casamento (e sinceramente, nem deveria ser no que toca à lei) - ora aí está uma coisa que deveria ser retirada do contrato do casamento, pois é uma clara intromissão do Estado na vida privada.
No limite, dois solteiros que gostam de variar de parceiro podem-se casar e nem sequer ter uma vida comum, apenas para beneficiar do contrato de casamento. E eu até conheço um caso em que isto acontece, curiosamente, relativamente a um cidadão homossexual que se casou apenas para ajudar uma amiga.
"Assim, a constatação sem demais fundamentação de que os bons princípios não passam de fantasias liberais inconcretizáveis são sempre um pouco decepcionantes."
Não me parece que seja necessário reflectir muito para compreender que acabar com o casamento na sociedade em que vives hoje é uma utopia não atingível. Talvez daqui a 20 anos não o seja, nos dias de hoje é.
Aliás, um "bom princípio" tornar-se num mau princípio no momento em que quem o propõe perde o sentido da realidade e esquece-se que aquilo que propõe não é realizável. Pior ainda, porque além de não ser realizável, está a servir de argumento para aqueles que querem continuar a discriminar, neste caso, as pessoas que preferem ter companheiros do mesmo sexo. Muitos dos que sofrem hoje devido à injustiça da lei, como por exemplo, aqueles que não conseguem trazer aqueles que amam para Portugal, vão certamente agradecer-te pela teu argumento, que é lindo, mas não contribui em nada para a resolução do seu problema.
No mundo real em que vivemos, relativamente a esta lei específica, é mais simples eliminar linhas da lei, por exemplo, a obrigatoriedade de fidelidade no casamento ou a obrigatoriedade de o casamento ser entre um homem e uma mulher, do que eliminar uma lei por completo. E mesmo na tua lógica, terás que admitir que eliminando partes da lei estamos a caminhar para a eliminação completa, no futuro, da própria lei. ;)
Externalidades negativas
Luís, o uso que descreves da discoteca ou do terreno para construção implicam externalidades negativas para a vizinhança. São exemplos muito consensuais, pois todos concordamos que a liberdade individual toca no seu fim quando interfere com a liberdade dos outros.
Não é o caso se eu quiser abrir um café com direito de admissão reservado. Ninguém se pode sentir prejudicado pelo facto de eu não querer fazer negócio com ele, mesmo que eu não justifique os meus motivos.
Ora, de maneira um pouco hipócrita é precisamente isso que fazem os porteiros das discotecas. Digo de maneira hipócrita porque precisamente eles não justificam os motivos pelos quais as pessoas são barradas (não o sendo, na verdade sendo-lhes apenas pedido o "consumo mínimo" de 120 €). Fossem os porteiros dizer que uma pessoa estava de facto impedida, ou fossem referir os motivos para a recusa, então haveria lugar a muitas queixas por discriminação. Como garantes que a recusa não é feita por motivos étnicos, sexistas, ou outros motivos demais?
P.S.: alguém já entendeu o critério dos porteiros do Lux, em Lisboa? É que já fui barrado acompanhado. Já me deixaram entrar sozinho. Já me deixaram entrar com rapazes, já me barraram com raparigas. Já vi barrar grupos de raparigas bem vestidas, e deixar entrar grupos de rapazes com mau aspecto. Já vi barrarem betos, já vi barrarem xungas. Já vi barrarem quando estava vazio, já vi deixar entrar quando está cheio. Nunca percebi a lógica daquilo. Bem.. apenas um comentário, que não tem nada a ver com a discussão.
Filipe, vejo que vais ao Lux
Filipe, vejo que vais ao Lux com muita frequência.
Sim, os porteiros das discotecas, e também de outras instituições, discriminam livremente.
Não acho terrivelmente mal que o façam, pois ninguém necessita de ir a uma discoteca. Uma discoteca não presta um serviço público.
Considero no entanto que outras lojas prestam um serviço público.
A opção a leis anti-discriminação é defender que o Estado se deve tornar empresário. O Estado deve estabelecer um restaurante público em cada bairro, pois os restaurantes privados têm o direito de discriminar. O Estado deve estabelecer lojas de roupas e mercearias em cada bairro. E assim por diante. Não me parece que isto seja uma opção defensável, em geral, por liberais.
Luís Lavoura
Para quando uma definição
Para quando uma definição de "loja de serviço público"... já percebi que não tem a ver com o ter as portas abertas ao público, nem com servir comida ou bebida (como é o caso do Lux). Tem que ver com um critério qualquer...
Talvez uma lista sirva...mas feita por gente intelectualmente avançada, que ilumine as massas no seu caminho para a sublimação do homem novo.
Modelo Compensatório
Miguel, eu estou a criticar a assimetria de regalias fiscais devido ao facto de serem atribuídas de maneira diferente a pessoas casadas ou solteiras. Como diria Lavoisier: nada se perde, nada se cria, tudo se transfere. O que eu critico na extensão do casamento, ao contrário da sua supressão é que ao invés de acabar com o bolo de privilegiados, pretende-se aumentar o bolo dos privilegiados. Inevitavelmente, os excluídos em menos número terão uma maior taxa de esforça para suportar o bolo dos outros. Daí a minha pergunta:
- preferes uma sociedade com um certo número de privilegiados, ou
- preferes uma sociedade com um número ainda maior de privilegiados, tendo assim os excluídos restantes que fazer um esforço maior para suportar o bolo?
A minha resposta é muito clara: acabe-se com o bolo. Afinal a tua proposta de extender o bolo acaba precisamente na mesma solução, e em termos de princípio é um argumento circular.
Quanto à liberdade de contrair casamento, o teu argumento assemelha-se muito ao do CDS em relação ao casamento: um gay tem a mesma liberdade que um hetero para se casar (leia-se com uma mulher como é normal). Assim, do mesmo modo achas que alguém que goste de andar com uma miúda diferente todas as semanas tem a liberdade de se casar com uma que possa andar a enganar durante anos. Toda a gente tem a opção de contrariar a sua natureza. Como se pode perceber, este argumento também é circular, e não contradiz a defesa do status quo. Ora bem, as desvirtuações do contrato de casamento por conveniência que descreves são apenas mais um motivo para de facto suprimir esse contrato. Não vejo motivos sólidos para defender com unhas e dentes o status quo como vejo aqui.
Quanto aos princípios: acho muito importante fazer uma distinção da qual vejo fugir neste forum como o diabo da cruz:
(1) os princípios
(2) as estratégias de mudança
Vejo muita vez cair no erro de se tomar o segundo pelo primeiro. Apelidando-os de "princípios pragmáticos". Ou seja: afirmar que o que desejamos não é mais o desejável, mas sim o apenas realizável a curto prazo.
Princípios
"Quanto aos princípios: acho muito importante fazer uma distinção da qual vejo fugir neste forum como o diabo da cruz:
(1) os princípios
(2) as estratégias de mudança
Vejo muita vez cair no erro de se tomar o segundo pelo primeiro. Apelidando-os de "princípios pragmáticos". Ou seja: afirmar que o que desejamos não é mais o desejável, mas sim o apenas realizável a curto prazo."
Acho que fui bem claro:
1. Por princípio acabava com o casamento e criava a possibilidade de qualquer um ter um contrato privado com as condições que desejasse relativamente a questões "familiares".
2. Dado que o princípio anterior não me parece ir ter grande futuro no nosso Portugal de 2007, penso que neste momento, de um ponto de vista de liberdade, o Estado deve deixar de discriminar as pessoas com orientação sexual diferente.
Muito bem
Existe portanto uma clara distinção entre princípios e estratégia de mudança. Isso não quer dizer que num espaço de discussão livre não se apele a valores dignos e coerentes. Antes pelo contrário. É também uma estratégia efectiva de mudança, a longo prazo. E mesmo que não o seja, há sempre um gostinho por apelar aos princípios, mesmo que não concretizáveis.
Nada dizes no entanto quanto à minha preocupação de ser um número menor de excluídos a suportarem uma taxa de esforço maior para alimentar o bolo. É que repara: as mesmas pessoas que dizem que o casamento é um instrumento discriminatório dispõem-se a aceita-lo com as regalias existentes, aceitando praticar para os restantes a mesma discriminação que dizem ser alvo.
Não será pelo contrário uma estratégia mais interessante rejeitá-lo? E descascá-lo dos seus privilégios?
Ainda um comentário em relação aos cuidados de saúde nos hospitais, já que isso foi referido. A esse nível não cabe ao estado intervir. Se eu sou cliente de um hospital, eu é que decido quem me pode visitar. Pode ser meu amigo, filho, namorado(a), mãe, advogado, quem quiser. Até o meu cão. Parecerá ridículo fazer-me visitar pelo meu tamagoshi, e isso levanta comentário por parte dos outros (pessoal da enfermaria, outros utentes.. etc) aos quais terei de me sujeitar? Irrelevante: o homem é livre na sua acção. Mas não é livre de ver comentados os seus actos, nem livre das consequências dos mesmos.
Era bom
"Se eu sou cliente de um hospital, eu é que decido quem me pode visitar. Pode ser meu amigo, filho, namorado(a), mãe, advogado, quem quiser. Até o meu cão."
Se fosse assim era óptimo. Infelizmente não é isso que tem acontecido, provavelmente em casos em que tu estás inconsciente ou em casos em que o hospital apenas autoriza a visita de familiares.
Free Zone
Eu quando abrir um negócio, vou-me lembrar de registá-lo como instituição sem-interesse-e-sem-serviço-público.
Como ninguém precisa de ir a uma discoteca, vou discriminar as pessoas que entram: faço noites temáticas. A noite dos fumadores, a noite dos não fumadores, a noite dos louros e das louras, a noite africana, a noite sionista, a noite dos betos, a noite sem gajos, a noite sem gajas, a noite da sala vazia, etc..
Só gostava de saber onde se encontra esse formulário de não-interesse-público, que serve para o estado nos deixar em paz. Será que tenho de falar com o senhor ministro, convidá-lo para uns jantares, e dar-lhe uns presentes avultados a ele, à mulher e à família? De facto caminhamos para uma sociedade muito progressista, em que aqueles que fazem bons negócios são aqueles que têm amigos no governo. Nada a ver portanto com o que acontece hoje.
É claro que definir aquilo
É claro que definir aquilo que é um "serviço público" é problemático e sujeito a discussão. O Estado já hoje enfrenta esse problema, por exemplo, nos transportes coletivos. O Estado define que as empresas concessionárias de transportes coletivos têm umas obrigações mínimas de serviço público. Ou seja, têm que efetuar alguns trajetos e servir algumas povoações, mesmo que esses trajetos não sejam rentáveis em termos financeiros.
Há outros casos. A lei também define serviços públicos bancários. Os bancos são obrigados por lei a disponibilizar a qualquer pessoa um certo número de serviços mínimos. É claro que esses serviços mínimos são sempre objeto de contestação e de negociação, mas existem. E eu acho bem que existam.
O mesmo problema se levanta com as greves: os crevistas são obrigados por lei a assegurar "serviços mínimos". É claro que é sempre difícil definir quais são os serviços mínimos. Mas eles existem, e têm que existir.
A EDP é uma empresa privada. Mas mal estaríamos se a lei permitisse à EDP recusar-se, sem justificação, a fornecer eletricidade a um determinado cliente. A lei não permite isso. E eu acho que faz bem em não permitir.
Luís Lavoura
Iluminados e listas
Portanto concorda com a lista feita pelos Iluminados. Sempre fruto de uma discussão popular claro. Mas em última análise os líderes têm que tomar decisões. Mais uma vez, sempre em consonância com a Vontade do Povo.
Claro. Eu não sou
Claro. Eu não sou anarquista. Tem que haver um Estado, com líderes políticos. Esses líderes têm que tomar algumas decisões. Os líderes são eleitos democraticamente. De preferência, algumas decisões até serão tomadas por democracia direta, com recurso a referendo.
Os líderes políticos não são Iluminados. Isso é numa monarquia, ou numa ditadura. Aí é que se considera que o líder político (o rei, o ditador) é um ser superior. Numa república democrática, considera-se que o líder político é um ser normal. Dotado de bom-senso, como os restantes homens e mulheres.
Um liberal procura limitar o papel do Estado, eventualmente eliminar o Estado de todo em todo num ou noutro aspeto. Mas o Estado tem sempre alguns papeis. E é por o Estado ter sempre alguns papeis, que é preciso que ele seja democrático. Porque terá sempre que haver algumas decisões, que terão que ser tomadas por alguns líderes. E então, convem que esses líderes sejam escolhidos democraticamente.
Luís Lavoura
Em suma:
Basta da feira das misérias e dos coitadinhos. O homem é adulto e emancipado!
Mexam-se e façam por vocês individualmente!
Pá, concordo. Vamos acabar
Pá, concordo. Vamos acabar com esta discussão, que já vai longa. Vamos mas é fazer por nós, e deixarmo-nos de conversa fiada...
Luís Lavoura
Hospital
Eu não entendo este tipo de queixas em relação aos hospitais. Se estivermos a falar de um hospital público, concordo que não deverá haver esse tipo de restrições. No entanto, eu sempre que visitei familiares internados, ninguém me pediu o BI para confirmar o grau de parentesco. Também já visitei amigos sem problemas demais. A minha interpretação é que quem se anuncia ou fala com o médico tem algum desconforto em dizer que é o namorado de quem está internado, ou se pedir para passar a noite. Bom, o que posso sugerir numa situação destas? Repara que não é um problema institucional que se está a discutir (embora seja muito mais fácil levar para aí a conversa). É um combate que queres levar nas mentalidades das pessoas. E a esse nível, recuso-me a ver uma mão estatal.
Constato que a esse nível a abertura vem, e só poderá vir da sociedade civil.