Donald Rumsfeld

Retrato de Miguel Bengla

Levou ao derrube dos regimes ditatoriais no Afeganistão e no Iraque mas não conseguiu impor total liberdade e democracia. Fez de conta que o Vietnam nunca existiu e cometeu os mesmos erros que outros antes, entregando milhares de soldados norte-americanos (e de outras nacionalidades) à morte, principalmente no Iraque.

Bom a fazer a guerra, mau a construir a paz. Devia ter saído já há alguns anos.

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Parabéns aos Democratas.

Por mais ideologicamente cego que o Rumsfeld é e dado que ele é completamente como o Colin Powel uma vez o caracterizou, "*ucking crazy", penso que o problema do Iraque não foi apenas uma questão de ele ter sido incapaz ou mau a construir a paz.

A falha pertence fundamentalmente ao Neo-Conservadorismo. Toda a ideologia que levou à guerra do Iraque e que não foi capaz de reconstruir um estado.

*A (re)construção de um estado após um conflito terrível, como aconteceu na Bósnia, Somália ou em Timor, tem duas fases.

1. A primeira fase é obviamente a reconstrução pós conflito onde o estado existente que ruiu por completo precisa de ser (re)construida a partir dos alicerces mínimos. Precisa de estabilidade a curto prazo, mediante a introdução de forças de segurança, polícia, ajuda humanitária, assistência técnica para restabelecer o fornecimento de electricidade, água, serviços bancários, etc.

2. A segunda fase que ainda não foi atingido pelo Iraque é criar instituições do Estado auto-sustentadas, que possam sobreviver à retirada da intervenção externa.

*fonte: "A Construção de Estados", Francis Fukuyama.

A falha da intervenção Americana foram:

1. As instituições do Estado em funcionamento (Partido Baa'th) foram desmanteladas pelos Estados Unidos logo após a guerra, perdendo assim uma quantidade imensa de capacidade administrativa nas pilhagens e desordem que se seguiu à intervenção.

2. A forma unilateral como a administração Bush entrou para a guerra privou-o de muitos parceiros internacionais, quer da ONU quer da EU e até mesmo porque não o Canadá, tendo todas elas uma larga experiência em construção de estados. A situação no Afeganistão apesar de ser preocupante é francamente melhor, e não será por acaso.

3. E por último a questão onde o Rumsfeld terá provavelmente mais culpa. O Departamento de Defesa dos EUA, apesar de ser crucial para fazer a guerra em si, não tinha capacidade institucional para organizar uma operação tão complexa como é a construção de um estado.

A construção de um estado não é um brincadeira qualquer que se resolvia num espaço de poucos meses como o Rumsfeld (na sua estupidez) acreditava. Na Bósnia por exemplo o Gabinete do Alto Representante das Nações Unidas governou de facto o país durante os 7 anos que se seguiram à guerra. O Rumsfeld a pensar que entrava com 100 mil soldados no Iraque e que em 3 ou 4 meses teria ali um estado democrático no médio oriente só revela mesmo cegueira ideológica não só do Rumsfeld mas de toda a equipa neo-con que o apoiava, incluindo o Bush que ainda há poucas semanas atrás disse que o Rumsfeld estaria no Pentágono até ao fim do mandato presidencial.

O novo homem forte do Pentágono é francamente melhor. Peter Gates.

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