Documentários + Debate sobre Saúde

O MLS vai realizar um evento no próximo Sábado dedicado à questão do financiamento da Saúde.

O programa iniciar-se-á com uma passagem de dois documentários: Dead Meat (sistema de saúde Canadiano) e 60 Minutos - Is the Price Right (sistema de saúde Norte Americano). Posteriormente aos documentários, iremos debater as questões apresentadas, em termos de financiamento do sistema de saúde.

O evento realizar-se-á no Sábado, 4 de Novembro, pelas 20:00, na Rua do jardim do Tabaco, 110, 3º andar (próximo de Santa Apolónia). O custo de participação é de 3€ + participação no custo do jantar a encomendar.

Qualquer questão adicional deve ser colocada para Miguel Duarte, pelo 96 6075 978.

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Acerca do Documentário - Dead Meat

Já tendo visto essa peça devo dizer que ela apresenta uma imagem um pouco distorcida da realidade.

O tempo de espera no serviço de saúde não é um passatempo nacional no Canadá, como o documentário sugere, mas trata-se sim de um problema recente e grave que surgiu no sistema (que já existe praticamente inalterado desde os anos 60). Existem amplos estudos científicos e digamos... políticamente esteris e imparciais sobre o sistema (http://www.cbc.ca/healthcare/ e http://www.hc-sc.gc.ca/english/pdf/romanow/pdfs/HCC_Final_Report.pdf et al...)

Existe um plano em marcha iniciada em 2006, a nível das regiões que já começou a surtir efeitos positivos.

Outra falsidade por omissão é a ideia de que não existe serviço de saúde privada no Canadá. Ela existe e tem apenas a particularidade de ser totalmente pago pelo paciente e não co-financiada pelo estado salvo raríssimas excepções.

Acrescento também que as taxas de satisfação de pacientes que necessitam de cirurgia é mais elevada no Canadá do que nos Estados Unidos.

De resto, penso que não será difícil compreender de que a prestação de serviços de saúde nos Estados Unidos é uma indústria que vale quase 600 mil milhões de Dólares. O caro Stuart Edward Browning do "On the fence films" tem sido nada mais nada menos do que o porta-voz indiscutível dessa indústria. Uma espécie de "Michael Moore ao contrário" das corporações de serviço saúde.

Retrato de Miguel Duarte

Documentários são um ponto de partida

Os documentários são um ponto de partida para o debate. Eu até gostava de já ter o do Michael Moore na rua, para contrastar com o do Stuart Edward.

Na prática, segundo a WHO, quer o americano, quer o canadiano, são maus sistemas. No ranking da WHO o sistema português é classificado como o 12º melhor do mundo, enquanto o do Canadá é o 30º e o dos EUA é 37º.

Segundo a WHO os melhores sistemas de saúde do mundo são o francês, o italiano e o de São Marino.

Não queres aparecer amanhã para falar da tua experiência no Canadá? ;)

Humm...

Esse ranking que data do ano 2000, é decididamente vergonhoso para os dois países Norte Americanos embora ela se refere a um cálculo complexo da eficiência prática e fiscal do sistema. Em termos de êxito geral do sistema o ranking fica decididamente mais compreensível. Ranking num artigo do Economist

Nesse ranking é apenas considerado a coluna "Overall goal attainment" que pode ser consultada aqui e onde Portugal ocupa uma posição mais compreensível de 32º lugar.

Encontrei também um artigo no guardian que data de 2003 e que oferece um ranking actualizado que coloca Canadá em 4º e Portugal em 19º. Este último ranking apesar de me fazer todo o sentido, carece de confirmação, porque ainda não consegui encontrar o mesmo ranking oficialmente sancionado pelo WHO.

A saúde é um tema particularmente importante para os Canadianos, bastando para isso constatar que o vencedor do programa Greatest Canadians (o tal formato da BBC) foi o pioneiro nacional do sistema de saúde, um social-democrata, Tommy Douglas. Que curiosamente é o pai da Actriz/activista que aparece no filme Dead Meat, e é também o avô do Kiefer Sutherland.

Não sou ninguém para duvidar do WHO mas o ranking deixa-me perplexo ao ver Portugal em 12º quando as minhas alternativas enquanto 'utente que precisa de uma consulta' são:

1. Acordar às 3 da manhã e deslocar-me até ao centro de saúde mais próximo, arriscando mesmo assim a não ter vez, por falta de comparência do médico de família ao posto de atendimento, (o interior de Portugal tem destas coisas...)
2. Ir ao SAP do Hospital mais próximo esperando algumas horas até finalmente somos recebidos por um serviço do tipo "drive through".
3. Ir ao privado e pagar (e bem) do meu bolso (a um médico que por sua vez está por admissão própria, a faltar ao posto de atendimento público para receber clientes no seu consultório privado) e receber um tratamento de excelente qualidade.

Não é que tenha precisado muito mas felizmente tenho optado por uma mistura entre as opções 2 e 3. O que observo com isto é que o sistema não funciona. Ainda não consegui foi perceber se esta situação deve-se a carências regionais específicas ou se é fruto de um sistema quebrado que não funciona. Parece-me que é mais a segunda hipótese.

É obvio e sabido que nenhum sistema de saúde poderá ser perfeito ou solução universal, quer seja público, misto, ou privado, embora assumo desavergonhadamente que a minha preferência pessoal nesta matéria está virada para o sistema público. Talvez aqui o meu centrismo sobrepõe-se ao liberalismo. (O meu registo na brincadeira da bússola política varia um pouco mas fica geralmente por volta de -0.36 no eixo económico e -6.32 no eixo de autoritarismo/libertarianismo)

Em relação ao convite, adorava mesmo, mas por enquanto continua a ser impossível, por motivos que me são alheios. :P
O melhor que posso fazer é ir aparecendo com comentários de vez em quando. A ideia de ser voluntário parece-me interessante. Em breve direi qualquer cosia.

Um abraço.

Retrato de Miguel Duarte

Ranking WHO

Sim, o ranking da WHO está muito longe de ser perfeito e compreensível. A minha interpretação do mesmo é que esse ranking dá uma indicação da eficiência do dinheiro investido no sistema de saúde, face ao que se obtém em termos de saúde geral da população.

Um país como os EUA até pode estar a ser afectado por ter muito mais população obesa que a Europa o que obviamente afecta o estado geral de saúde da população.

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