Direito a escolher e direito a ter escolhas

Retrato de Ricardo Francisco

O direito a escolher é um direito individual que por definição não entra nas liberdades alheias. O resultado do exercício deste direito pode ter como consequência a entrada em liberdades alheias. Com a liberdade vem a responsabilidade.

Há quem defenda que para os indivíduos serem livres, não chega terem direito de livre escolha, mas também têm de ter opções entendidas como válidas. Se a livre interacção não fornece estas opções, então cabe ao estado intervir, fornecendo estas opções aos indivíduos aumentando assim as suas escolhas. Isto pode ser defendido com razões utilitárias, com razões ideológicas baseadas na igualdade como objectivo mas nunca com argumentos liberais.

As escolhas que existem em um dado momento, antes da intervenção do estado, são o resultado da interacção livre entre indivíduos livres. Quando o estado intervém criando escolhas, em primeiro lugar reflecte o que poucos pensam sobre o que devem ser as escolhas. Em segundo lugar retira recursos a todos para criar essas novas escolhas. Em terceiro lugar beneficia alguns, aqueles que vão tirar partido de essa nova situação em prejuízo dos restantes. A intervenção do estado, criando escolhas pode ser defendida com argumentos utilitários ou com argumentos ideológicos de cariz igualitário.

Quando se pergunta se liberalismo é compatível com Welfare State, a resposta é não. Quem defende o Welfare state, está completamente no seu direito, está com a maioria, pode usar argumentos lógicos e consensuais, porém estes argumentos não serão liberais.

PS: Este é o último post que deixo no Blog do MLS. Agradeço ao MLS a oportunidade que me deu de escrever aqui. Desejo a maior sorte ao MLS já que acredito sinceramente que, apesar de em alguns momentos isso não parecer, existe muito mais que nos une do que o que nos separa.

Comentários

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Retrato de André Escórcio Soares

Porque através das

Porque através das divergências também se aprende, e porque quase sempre divergimos :p , queria apenas agradecer as discussões que proporcionaste.Fizeste parte do meu processo de aprendizagem fizeste questionar-me.
Um sincero abraço e felicidades.

Retrato de Filipe Brás Almeida

Autor de muitos e bons posts.

Não concordo com as conclusões que fazes neste post. Não considero que o liberalismo social e liberdade de escolha seja um eufemismo para uma sociedade onde os indivíduos têm que aceitar o destino que o resultado do mercado dita e outras formas de darwinismo social. Quanto sei, o Liberalismo Social nasceu em divergência com alguns liberais-clássicos que entretanto se tornavam conservadores ou que mantinham a crença algo ingénua de que não existia coerção para além do estado.

Em relação a temas que são normalmente tidos como socialistas como o welfare-state, progressismo e justiça social, existe um vasto portfolio político liberal - norte-americano e europeu - mesmo anterior a Keynes, Beveridge e Ohlin, até aos Liberais-Democratas de hoje, (LibDems, D66, Venstre, que é completamente distinto do percurso do socialismo, conservadorismo, liberalismo enquanto teoria económica, e capitalismo lessaiz-faire.

As democracias existem justamente para que possa haver controlo e influência limitada da maioria, sobre as estruturas de poder (incluindo o mercado) que podem afectar unilateralmente a vida das pessoas.

In any event, farewell Ricardo Francisco. Neste blog foste o autor de muitos e bons posts.

Retrato de Hugo Garcia

não vais acreditar

Podes não acreditar mas tenho pena que não escrevas mais.
Em não sei quantos anos que escrevi neste blog, foste a 1ª pessoa a tirar-me do sério. hehe

Bem, espero que estejas a trocar o debate escrito pelo debate presencial. Conto encontrar-te nas próximas reuniões.
um abraço

Retrato de Luís Lavoura

Considero estreita a visão

Considero estreita a visão do liberalismo que considera que este só deve defender as liberdades negativas.

No meu entender, o liberalismo deve maximizar a liberdade na sociedade. Isto é, maximizar a liberdade do conjunto de todos os indivíduos.

Para isso é necessário conceder algumas liberdades positivas. Estas devem ser mínimas por questões pragmáticas - não se deve retirar ao indivíduo o estímulo para lutar pela vida - mas não necessariamente por razões ideológicas.

Se o liberalismo defende apenas as liberdades negativas, então de facto não está a defender a liberdade. Porque não há liberdade quando não há, de facto, escolhas ou alternativas viáveis. E muitos indivíduos, por diversas razões, dispõem de muito poucas alternatvas viáveis.

Luís Lavoura

Retrato de André Escórcio Soares

Concordo com o Luís. Se

Concordo com o Luís. Se não houver alternativas viáveis de escolha a liberdade é pouca.
É a mesma coisa que dizermos que uma pessoa tem direito de escolher mas que depois só tem um opção, a escolha é fácil no entanto não é uma verdadeira escolha.
A ideia aqui, do ponto de vista pragmático, é tentar equilibrar a balança para que não se tornem mais direitos positivos que negativos.

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