Declaração Universal dos Direitos Humanos - 59º aniversário

Comemora-se hoje, 10 de Dezembro, mais um aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
O tema foi muito debatido a propósito da cimeira Europa-África, que obrigou a uma contemporização neste aspecto - ao recebermos uma série de facínoras.
Quanto à recepção dos facínoras, creio que a Europa tomou a decisão correcta. Não receber Mugabe e receber uma série de outros era inútil; e desconvocar todo o procedimento em nome dos Direitos Humanos não garantiria a própria causa dos Direitos Humanos. Mesmo que a Cimeira seja inútil, trata-se de um procedimento diplomático importante, e forçar a mão só serviria para os africanos trazerem de volta a questão do neocolonialismo. Como foi, tivemos Angela Merkel a fazer "força" deste lado, enquanto que as diatribes de Kadhafi caíram em saco roto.
A maioria dos comentadores de bancada fustiga os governos timoratos e cobardes da Europa em matéria de Direitos Humanos. O que é muito curioso, estando eles no sofá e podendo falar de alto.
Os Direitos Humanos não se defendem apenas com proclamações. Ser mais ou menos coerente com as proclamações ajuda, mas não é decisivo. É a Força - política, económica, militar, cultural, tecnológica, social, em suma, civilizacional - que pode suster uma política externa.
Ora, no momento actual a Europa não tem força, aliás, poder para sustentar esse tipo de política externa. Nem agora nem em momento algum desde a II Guerra. Os Estados Unidos continuam a ser o grande baluarte de defesa dos Direitos Humanos, o que na circunstância actual só nos pode deixar preocupados. Tendo em conta que a China, a grande potência do futuro, não fala a linguagem dos Direitos Humanos, que a Rússia está a contruir um modelo autoritário-capitalista de estilo chinês mas adaptado a si mesma, e que a Índia ainda não conta, a Europa pouco pode fazer em prol dos Direitos Humanos.
Os comentadores que desbaratam os governos europeus esquecem-se que é a China o grande bloqueador de qualquer acção das Nações Unidas no Darfur.
A Cimeira Europa-África foi uma pequena tomada de posição face à concorrência chinesa. Perder essa batalha, em nome dos valores, não só não ajuda como prejudica a causa. Uma África totalmente separada da Europa e dependente da China não será certamente uma África com esse tipo de preocupações.