De igual para igual

Retrato de Igor Caldeira

Já todos ouvimos e lemos que o Estado tem uma qualquer obrigação de apoiar os diferentes cultos religiosos (pagando aulas de Religião, subsidiando escolas religiosas, construindo igrejas e centros paroquiais, etc.). A teoria que circula a respeito da "sociedade civil" (que apesar de ser "civil" parece que precisa do dinheiro político) e que habitualmente é a forma encapotada de os conservadores defenderem mais privilégios para a Igreja Católica (mesmo que isso implique fazer umas cedências de circunstância a cultos irrelevantes como o muçulmano ou o judeu - esquecendo as igrejas evangélicas, com muitíssimo mais fiéis) vai ter agora de enfrentar um problema grave.

Está em vias de se constituir a Associação Ateísta Portuguesa. Será que agora os defensores da "sociedade civil" subsídio-dependente vão aceitar que a futura Associação também mame da teta estatal ou será que a distribuição de dinheiro de impostos alheios com vista à propaganda ideológica é um couto abraâmico?

Comentários

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Retrato de Miguel Duarte

Pior

Será que esta gente vai aceitar que a dita associação seja representante dos não religiosos perante o Estado? Obviamente, os ateus (leia-se, pessoas sem religião), que são o 2º maior grupo religioso em Portugal, deverão passar a ser ouvidos.

Mesmo ao nível de cerimónias públicas, em casos em que existam representantes das várias religiões, um representante da associação deverá a nível de protocolo figurar logo a seguir aos representantes da Igreja Católica (e o dia chegará em que deverá ser o primeiro).

Retrato de Igor Caldeira

Institucionalização

Para mim é uma grande alegria ver finalmente institucionalizar-se o ateísmo. Independentemente da defesa da laicidade (que é uma questão política e que deverá ser transversal à descrença e às múltiplas crenças) fazia falta uma organização que representasse os ateus e agnósticos. Esperemos que a AAP o faça.

Há umas semanas tive o exemplo dessa premência: houve um debate sobre a as crenças na sociedade. A representar os não-crentes foi Helena Matos que, se lançou alguns reptos importantes, ainda assim passou um terço do tempo a louvar a Igreja Católica e outro terço a mal-dizer ou a minimizar a descrença. Alguém responsável (ou seja, que prestasse contas aos seus pares) jamais o faria.

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