
Uma dúvida me assolou após ler os comentários ao artigo do Luís Lavoura sobre o tabaco. O que será que pensa a restante blogosfera liberal (Blasfémias, Small Brother, Crónica do Migas, O Insurgente, A Arte da Fuga e afins), sobre o consumo de Marijuana. É que seguindo as suas palavras, relativamente à lei do tabaco, só posso chegar a uma conclusão, concordam absolutamente connosco e deveria proceder-se à legalização imediata da Marijuana, aliás, ainda melhor, deveria ser permitido fumar a mesma em qualquer estabelecimento comercial privado (algo com o qual não concordo - mas é uma dedução lógica que faço dos discursos que li).
É que por aqui eu penso que a generalidade das pessoas é minimamente coerente, fume-se o que quiser em privado, respeite-se o espaço público e não se fume (qualquer substância) para cima dos outros. Como se costuma dizer, a minha liberdade acaba, onde começa a do outro. É um princípio básico de boa educação e de qualquer liberal.
Comentários
Os argumentos são
Os argumentos são exactamente os mesmo. O consumo de drogas, leves ou pesadas, é uma questão do foro pessoal.
O local onde esses produtos são consmidos é uma questão que deve ser decidida pelo proprietário.
««Como se costuma dizer, a minha liberdade acaba, onde começa a do outro.»»
Exactamente. A sua liberdade acaba à porta da propriedade do dono do restaurante. Não tem liberdade para impôr lá dentro regras. Quem tem essa liberdade é o dono do restaurante.
Eu estou de acordo com o que
Eu estou de acordo com o que disse o João Miranda. Um dos erros comuns é vêr os restaurantes e bares como espaços públicos. Não são. Pelo menos, não deverão ser assim considerados por liberais.
No último parágrafo, o Miguel comete um erro bastante comum no MLS: o de confundir o que está moralmente certo com o que é liberal. É diferente considerar um acto de boa educação não fumar para cima de outras pessoas e achar que o estado deve impôr aos donos de restaurantes a proibição do fumo nos seus estabelecimentos privados. É preciso diferenciar o que está correcto na opinião de cada um e aquilo que é uma posição liberal. É um dos grandes equívocos, bem patente neste post, que o MLS tem de ultrapassar para ser um partido liberal.
Caro Carlos
"o Miguel comete um erro bastante comum no MLS: o de confundir o que está moralmente certo com o que é liberal"
E eu que pensava que passavam a vida a acusar-nos de permissividade moral, por para nós o Estado não ter nada a ver com a moral de cada indivíduo, ao contrário de muitos liberais que por aí andam.
Caro Miguel, - subscrevo o
Caro Miguel,
- subscrevo o que diz o João Miranda;
- respondi lá no AADF;
- CGP: acho que também não se deve misturar "moral" com "boa-educação" :)
"O que será que pensa a
"O que será que pensa a restante blogosfera liberal (Blasfémias, Small Brother, Crónica do Migas, O Insurgente, A Arte da Fuga e afins), sobre o consumo de Marijuana."
Sou a favor, mais do que de uma mera "legalização", da liberalização do seu consumo, venda e produção, tanto da marijuana como do resto das drogas.
"deveria ser permitido fumar a mesma em qualquer estabelecimento comercial privado"
Sim, se essa fosse a vontade (ou aceite) pelo seu proprietário.
O consumo de drogas, quaisquer que sejam (incluindo as toleradas, como o álcool e o tabaco), devem ser vistas como actos de liberdade individual, quando não se impuserem coercivamente sobre terceiros, por consequências directas ou indirectas.
De resto, estou de acordo com o Carlos e com o João Miranda.
Eu por mim sou coerente:
Eu por mim sou coerente: defendo que todas as drogas devem ser permitidas, mas que em relação a todas elas o Estado pode, e deve até, fazer leis que desincentivem o seu consumo, incluindo o seu consumo em espaços teoricamente privados. Por exemplo, em relação ao álcool, acho legítimo e correto que o Estado limite ou restrinja as lojas onde se pode comprar bebidas alcoólicas, limite ou restrinja o direito de certos restaurantes a servir tais bebidas, limite ou elimine o direito a consumir bebidas alcoólicas em certos locais teoricamente privados, etc. Ou seja, sem proibir, considero legítimo e adequado que o Estado desincentive ou crie dificuldades ou crie limitações ao consumo. Incluindo ao consumo em espaços que, em princípio, são privados.
Por exemplo, na Pensilvânia, onde eu vivi, só um certo número de restaurantes, muito limitado, tinha o direito de servir bebidas alcoólicas. (Ao que julgo saber, todos os anos esse direito era leiloado entre os diferentes restaurantes de cada cidade. Se, por exemplo, uma cidade tivesse 100 restaurantes, só 10 de entre eles seriam autorizados a servir bebidas alcoólicas, sendo esses 10 restaurantes anualmente determinados através de leilão entre os 100 restaurantes existentes na cidade.) Na prática, na maioria dos restaurantes não se servia vinho nem cerveja; no bairro onde eu vivia, se quisesse beber uma cerveja à refeição, tinha que me submeter a comer numa pizzaria.
Luís Lavoura
Isso também não é aceitável
Beber bebidas alcoólicas não prejudica ninguém. Não reconheço qualquer direito ao Estado de ditar que restaurantes podem ou não vender bebidas alcoólicas, nem mesmo por leilão.
Não se trata,
Não se trata, evidentemente, de beber álcool prejudicar diretamente o meu vizinho (no restaurante ou noutro local qualquer). Trata-se de se entender que o álcool é uma droga prejudicial à sociedade. Nesse sentido, em minha opinião, o Estado pode, e deve até, desincentivar ou limitar o seu consumo. A proibição geral do consumo tem efeitos negativos graves (encoraja o contrabando, a violência, a falsificação da droga, etc), mas proibições ou limitações parciais - por exemplo, proibir que se beba álcool na rua, ou em transportes coletivos, etc - são, em minha opinião, toleráveis e, até, recomendáveis.
Luís Lavoura