Cultura (Cinema) - A rentabilididade do nosso dinheiro...

Retrato de Miguel Duarte

Alguns dados interessantes, cruzando informação divulgada pelo ICAM.

Documentário "Coisa Ruim"

Espectadores - 28.846
Subsídio Público - 650.000 €
Subsídio/espectador - 22,53 €

Filme "Filme da Treta"

Espectadores - 278.421
Subsídio Público - 0 €
Subsídio/espectador - 0 €

Filme "Vanitas"

Espectadores - 493
Subsídio Público - 648.500 €
Subsídio/espectador - 1315,41 €

Filme "Veneno da Madrugada"

Espectadores - 192
Subsídio Público - 150.000 USD
Subsídio/espectador - 781,25 USD (693,20 €)

Documentário "Lisboetas"

Espectadores - 15.246
Subsídio Público - 33.968 €
Subsídio/espectador - 2,23 €

E agora uma questão. Se fossem o ICAM, a quem dariam o vosso dinheiro? ;)

Opções:

a) Aos que não precisam do vosso dinheiro pois têm espectadores
b) Aos que precisam (desesperadamente) do vosso dinheiro pois não têm espectadores
c) A ninguém, em vez de ver o "Vanitas" prefiro pagar menos 1.315 € de impostos

Comentários

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Retrato de Filipe Melo Sousa

Voto no C

Por exclusão de partes:

Ao praticar o A estaria a dar dinheiro a um espectador para ir ver um filme, quando ele já estaria disposto a dar o justo valor para assistir ao espectáculo.

Ao praticar o B estaria a premiar os piores produtores, e a viciar o sistema, castigando os melhores produtores quem tem sucesso junto do público.

Este governo interfere no mercado, sustentando o vício, e castigando a virtude. Foi como descrevi no meu post, O Modelo Visionário da Autoeuropa

A cultura é uma coisa

A cultura é uma coisa intrinsecamente subjectiva, logo não concordo com nenhum subsídio público a esta. Apoio estatal à cultura é um dos factores mais importantes de conservação de regimes ditatoriais. Há muita cultura que não tem espectadores suficientes e sobrevive à custa de mecenas, que utilizam o SEU dinheiro para patrocinar o que eles gostam.

Retrato de Filipe Melo Sousa

De volta à carga

Miguel esta investigação partiu da tua iniciativa? Se sim quero dar-te os parabéns! Porque será que esta informação nunca vem parar ao público em geral?

Acho graça que:

- quando se dá 50.000 € a mais para o carro do ministro, o público aceita mal, porque alguém (que não eles) aproveita esse dinheiro

- quando os mesmos 50.000 € são puro desperdício, e esse dinheiro não beneficia ninguém (no caso de filmes tipo branca-de-neve), existe um certo alívio pelo facto de se saber que o dinheiro foi desperdiçado MAS ninguém lucrou com isso

Conclusão: o desperdício, o roubo e a má gestão são perdoáveis quando esses actos nunca beneficiam quem gere o dinheiro público.

Retrato de Miguel Duarte

Sim...

Fiquei com a ideia lendo o Público.

A minha vontade até era dar um prémio ao desperdício. Como neste caso devem existir aos pontapés sítios na administração pública onde se deita dinheiro à rua. E custa... É que estes subsídios representam mesmo alguns € dos impostos que tu pagas, é significativo.

Isto mostra que ser produtor

Isto mostra que ser produtor cinematográfico é, na verdade, ser-se um funcionário público. Precisamos de serviços públicos destes? Quem é que fica a ganhar?
Quem vê não paga menos.
Só ganha quem produz.
Enfim, tudo pela "cultura".

Acho abominável a cultura

Acho abominável a cultura subsidária. A cultura ou os actos ditos culturais fazem sentido porque irão "beneficiar" alguém que não os seus produtores. Se assim não for são meramente actos de "umbigo" - é como serem 3 da manhã e resolvermos fazer um bife com batatas fritas porque tão só nos apetece e dá prazer. Em Portugal há muito o hábito nos meios culturais de um amigo limpar o cotão do umbigo do outro amigo, e assim sucessivamente, tipo pescadinha de rabo na boca (ou 69, se preferirem trocar o rabo por outra qualquer parte do corpo). A cultura, ou os actos culturais, em Portugal, faz-se dos mesmos para os mesmos. E onde entra o Estado e os nossos impostos em tudo isto? Certamente não deverá entrar a subsidiar indivíduos (mesmo que eles até possam ser "individualidades"...) O papel do Estado deveria residir tão simplesmente no reconhecimento da importãncia da existência de actos culturais. E a melhor forma de os fomentar é pondo à disposição dos actores culturais as infraestruturas - não os euros a fundo perdido. Criar "fábricas de cultura", infraestruturas onde qualquer indivíduo ou individualidade tem acesso, munidas de equipamentos, fomentadoras de sinergias, que alberguem - desde a produção à mostra - todo o tipo de actividades culturais. Deem-lhes a cana e ensinem-nos a pescar - não lhes sirvam o robalo grelhado num qualquer três estrelas Michelin.

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