Combater a gratuitidade com mais gratuitidade

Retrato de Luís Lavoura

Foram feitas as contas aos abortos realizados nos primeiros seis meses da lei liberalizadora, e verificou-se que, embora o número total de abortos (legalmente) efetuados tenha sido menor do que o que seria expetável com base em comparações internacionais, há falhas no planeamento familiar. Diversas mulheres que abortaram afirmaram não usar qualquer contracetivo, e há casos de mulheres que - em apenas seis meses - abortaram mais do que uma vez.

Perante este cenário, o governo decide avançar com medidas drásticas: oferta de preservativos à borla e à discrição nos centros de saúde - Farmácias, para que andastes a instalar às vossas portas máquinas de venda automática de preservativos? Os preservativos não se vendem, oferecem-se! - e oferta, nos mesmos centros, de pílulas contracetivas, também à borla, para um período de seis meses (quem quiser utilizar dispositivos intra-uterinos ou espermicidas, que os pague).

O erro básico disto tudo está na gratuitidade. O aborto é gratuito. A mulher, e o homem, são autorizados, são até incentivados, a ser irresponsáveis: se ela engravidar, o Estado paga-lhe o aborto. Para combater a irresponsabilidade gerada pela gratuitidade, introduz-se no sistema mais gratuitidade ainda. A irresponsabilidade só poderá aumentar: a partir de agora, um homem que se queira masturbar pode utilizar, para não se sujar com o esperma, um preservativo gratuitamente oferecido pelo centro de saúde mais próximo.

Liberdade e responsabilidade são indissociáveis. O aborto deve ser livre, mas não deve ser gratuito.