
Existe um vício terrível entre muitos dos que se dizem adeptos da economia de mercado e não são liberais (muitas vezes dizem que o são, mas isso é outra história), é que quando os problemas lhes tocam à porta, lá se vão os princípios à vida. Um vício aliás muito comum entre os empresários da nossa praça.
Nos EUA acabou de acontecer com isso no caso da quase previsível falência (não consumada) do banco de investimento Bear Stearns.
Resultado das dificuldades financeiras da instituição, o Estado assume grande parte do risco e a empresa é "salva" (apenas devido às garantias do Estado), pela JPMorgan. Algo (infelizmente) habitual pelo nosso país, mas que não pensava ir ver a acontecer nos EUA.
Mas pergunto-me eu, porque não deixa a empresa falir? Porque é que o Estado se vai meter no meio e distorcer o mercado? As empresas que cometem erros graves, devem ser impiedosamente eliminadas do mercado. O Estado ajudar empresas em dificuldades apenas conduz a que os investidores sejam menos cuidadosos nos seus investimentos.
Aliás, eu diria mais, se fosse americano, eu como contribuinte não quero que o meu dinheiro sirva para financiar empresas falidas.
Comentários
Parabéns
Bem parabéns, um comentário de um verdadeiro liberal. Discordo profundamente como é obvio, mas admiro bastante as pessoas convictas e não apenas oportunistas (como muitos que se consideram liberais).
No entanto e como já foi visto várias vezes o mercado não resolve per si só problemas (a especulação sendo um dos mais graves) e quando resolve tem custos sociais muito elevados e que podem ser evitados com intervenção do estado.
Julgo que ninguém queria passar por uma grande depressão outra vez? Ou será que sim?
De acordo
"No entanto e como já foi visto várias vezes o mercado não resolve per si só problemas (a especulação sendo um dos mais graves) e quando resolve tem custos sociais muito elevados e que podem ser evitados com intervenção do estado."
Estou de acordo, não fosse esta empresa, aliás como o Pedro diz abaixo por outras palavras, um especulador nato. Será que é função do Estado não deixar falir os especuladores que especularam de mais?
Quanto muito não deveria deixá-los especular em demasia, regulando-os. Mas depois do caldo entornado, considero que a empresa deveria efectivamente fechar.
Northenrock
Vejam o caso de Northenrock, ainda não se sabe quanto é que a nacionalização vai custar injustamente aos contribuintes.
Esse é outro caso
Considero perfeitamente que deve existir um fundo de garantia relativamente aos depósitos de clientes em bancos, para minorar os efeitos da eventualidade de eles irem à falência. E que o Estado deve regulamentar os mesmos por forma a assegurar a estabilidade do sistema e evitar as falências.
Agora a nacionalização pura e simples de um banco em situação de falência é um erro.
Ambos de acordo
"Quanto muito não deveria deixá-los especular em demasia, regulando-os."
Julgo que sim, que o estado deverá encontrar mecanismos mais eficientes de evitar que esta crise se repita, esse é o desafio actual.
"Será que é função do Estado não deixar falir os especuladores que especularam de mais?"
Não. Mas passa por minorar as consequências de uma falência e que poderá passar paradoxalmente por não deixar uma empresa falir. Pode ter custos mas se forem menores que deixar uma empresa falir então deverá intervir.
Quanto às poupanças a verdade é que actualmente é muito dificil saber onde é que param as nossas poupanças, senão impossível. O grave desta questão é que poderá afectar muitas pessoas que à partida pensam que não estão expostas a este perigo. No nosso mercado globalizado já todos estamos expostos a este risco. Basta se iniciar uma espiral de falências que rapidamente sentiremos a nossa real exposição ao risco.
Concordo
Temos de encerrar a Autoeuropa, a RTP e as empresas de energias renováveis.
Sim
Tirando o caso da RTP que poderíamos (e devíamos discutir), todas as outras não devem ser sujeitas a nenhum tratamento especial.
Mas é claro, os seus concorrentes também não. Por exemplo, no caso da energia, a guerra no Iraque foi um subsídio (muito mal aplicado) a determinadas empresas. Isso também deve ser contabilizado. ;)
LOL
"a guerra no Iraque foi um subsídio "
Muito boa!
Um banco não é uma empresa vulgar
Num banco estão as poupanças, isto é, está o dinheiro de muita gente, a qual gente tem dificuldade em escrutinar os negócios que o banco faz com esse dinheiro. Por isso, um banco falir é uma catástrofe social. É por isso que dificilmente o Estado pode deixar um banco falir.
É difícil ires pedir aos milhares de aforradores que tomem cuidado e sejam prudentes na escolha do banco a quem confiam o seu dinheiro. A maior parte desses aforradores não tem qualquer ideia do nível de risco a que o banco está exposto.
Imagina que o banco no qual tens as tuas poupanças falia, e tu ficavas sem cheta. Certamente que não gostarias da experiência.
Luís Lavoura
Não é este o caso
Estamos a falar de uma empresa num mercado especial, não de um banco comum.
Penso que ninguém teria os seus depósitos a prazo no dito banco.
"Imagina que o banco no qual tens as tuas poupanças falia, e tu ficavas sem cheta. Certamente que não gostarias da experiência."
Não gostaria, mas tenho que assumir esse risco, aliás, por isso, tento diversificar os meus investimentos. A regra base da gestão é nunca colocares todos os teus ovos no mesmo cesto.
Imagina o pior cenário possível
Sei que é impossível chegarmos a este cenário, mas imagina que se inicia uma espiral de falências ao estilo de grande depressão. Rapidamente ficarias afectado por mais diversificado que fosse o teu investimento. Muito provavelmente num cenário desses o menos mal eram as poupanças desaparecerem pois o mais provavel é o emprego desaparecer. Nesse caso não gostarias de voltar atrás e evitar que tal acontecesse com intervenção do Estado?
É uma questão estratégica mais do que ideológica neste momento. Saber como evitar a ruptura de um sistema que poderá acontecer nos próximos tempos.
Roturas
"Nesse caso não gostarias de voltar atrás e evitar que tal acontecesse com intervenção do Estado?"
Se o sistema estiver mesmo em rotura como afirmas, não vai haver intervenção do Estado que aguente a coisa. A bolha vai estourar.
De resto, acredito que o Estado deve assegurar mínimos, ou seja evitar a pobreza. Se vais gastar dinheiro dos contribuintes, gasta-o nesse sentido.
Sim e não
Não concordo com "o Estado deve assegurar mínimos", julgo que é mais do que isso, mas concordo plenamente com "evitar a pobreza".
Quanto ao gasto do dinheiro dos contribuintes julgo que concordo plenamente contigo tem de ser muito bem gasto. O custo desperdicio neste sector é muito elevado. Aliás um dia destes gostava de lançar um projecto para analisar os gastos do Estado e eliminar os desperdicios (estes desperdicios devem ser os que são livres de ideologia) por completo, pois são muitas vezes criminosos.
Diferenças
Apesar de à primeira vista parecer um contra-senso (ou o Estado intervém, ou não intervém) na verdade não o é. A questão não está em extinguir o Estado: está em o Estado não se substituir ao que os privados podem fazer com (pelo menos) igual eficiência.
Ora, uma empresa falir pode ser um efeito negativo absorvido por um mercado. Uma economia ruir, não.
Regras erradas à partida
Miguel,
Eu em princípio concordo contigo. O grande problema aqui é que a liberalização do mercado não foi acompanhada de transparência e supervisão adequadas. Uma das mais nefastas ferramentas que levou à situação actual é a alavancagem financeira, que é no fundo uma aposta - podes investir em 1000 tendo só 1. Se ganhares, podes ganhar muito, mas se perderes, podes perder todo o teu capital várias vezes.
Outra questão é a interdependência dos vários mercados. Se o Bear Stearns for à falência, e as suas obrigações não forem honradas, é a primeira peça do dominó a cair, levando todas atrás.
A questão aqui não é se deviam ou não deixar este banco ir à falência, mas sim se vão ter capacidade de segurar todas as primeiras peças do dominó que forem aparecendo. O importante é o sistema tornar-se mais sólido - através de uma maior transparência e de regras mais estritas.
Pois não
As próprias empresas pediram para ter liberdade total e foram consideradas como operando numa área do mercado que não seria tão fundamental.
"Se o Bear Stearns for à falência, e as suas obrigações não forem honradas, é a primeira peça do dominó a cair, levando todas atrás."
Talvez isso tenha mesmo que acontecer, para que o mercado seja mais cuidadoso nos riscos que assume e até, quem sabe, peça a regulação do Estado (ou opte pela auto-regulação).
práticas keynesianas
"a guerra no Iraque foi um subsídio (muito mal aplicado) a determinadas empresas"
Portanto, o eleitorado americano elege representantes que aplicam o orçamento de estado de acordo com princípios keynesianos? Investe-se em actividades sem utilidade para aquecer a economia. Uns enterram sacos de batatas, outros desenterram.
Mais estranho ainda é que isto serve de exemplo inspirador para o Miguel, que acha que esta observação americana torna a energia comprada seis vezes acima do custo de repente benéfica. Falta-me aqui uma peça no encadeamento lógico.
Eu por mim continuo a acreditar que é benéfico comprar energia barata de uma perspectiva de médio prazo, e que se extinga as actividades inúteis que nos custam dinheiro a todos.
?
Não Filipe, o que eu estou a dizer é que a guerra do Iraque, tal como a generalidade das guerras no Médio Oriente, são guerras essencialmente pelos recursos energéticos.
Ora, o dinheiro aplicado nessas guerras é efectivamente um subsídio, com o objectivo de garantir o abastecimento energético aos países envolvidos nos conflitos. E em teoria, via a garantia da oferta, garantir os preços baixos.
No entanto, infelizmente para todos nós, o tiro saiu pela culatra. Pelo menos no curto/médio prazo, esse subsídio resultou num aumento da instabilidade na zona e consequentemente, num aumento dos preços do crude (não foi a única causa, mas foi uma das causas). Não é difícil de compreender que ter um Saddam no Iraque, como contrapeso a um Irão, teria sido muito melhor, que ter um Iraque influenciado por islamitas radicais muito próximos do Irão.
Tu não deves dizer abulam-se os subsídios a determinadas indústrias na área da energia, quando depois sabes que estás a subsidiar outras indirectamente de outros modos. Já houve quem tivesse feito contas (já o referi aqui), e o dinheiro gasto por Bush na guerra do Iraque, se tivesse sido investido na produção de energia eólica, teria reduzido fortemente a dependência americana do exterior, fazendo (provavelmente) baixar os preços do petróleo. Com a vantagem que quanto mais reduzires o preço do petróleo, e quando menos fores dependente de países terceiros com tendências radicais, mais seguro vai estar o teu país.
Se queres subsidiar algo, fá-lo com inteligência. ;)
Venha o hidrogénio
"Se queres subsidiar algo, fá-lo com inteligência. ;)"
Energias renovaveis teria sido um optimo investimento. Venha a economia do hidrogénio. Espero ainda ver esse periodo, muita coisa mudará, e será interessante imaginar como vai ser o mundo sem monopolistas de energia...
Subsidiar prejuízo
Miguel, eu apenas constatei que se está a fazer contratos a 30 anos para a rede eléctrica comprar energia a 6 vezes o preço de custo. Paga o consumidor, sem direito a esquivar-se a esse prejuízo. Como sabes, estas tecnologias são embrionários, o que significa que o mesmo investimento feito 1-2 anos mais tarde permitiria obter poupanças significativas. Maior parte da energia eólica e solar que compramos coercivamente é obsoleta, e apesar disso vamos ter de a pagar por 30 anos. Estranhamente não achas isto criticável.
Depois dizes que a América invadiu um estado para garantir uma fonte de petróleo (o que é uma análise discutível). Mas mesmo sendo verdade, em que é que isto justifica o investimento danoso feito com o patrocínio do ministro da economia de Portugal?
Venha a economia do
Venha a economia do hidrogénio.
E como produzes hidrogénio sem poluir? Repara: o hidrogénio não é uma fonte de energia, é apenas um meio de a transportar.
É confuso...
No mesmo texto leio:
"In the context of a hydrogen economy, hydrogen is an energy storage medium, not a primary energy source ..."
"Proponents of a hydrogen economy suggest that hydrogen is an environmentally cleaner source of energy to end-users, particularly in transportation applications, without release of pollutants (such as particulate matter) or greenhouse gases at the point of end use..."
No entanto, este será um possível "centro" da energia no futuro. E se assim for já imaginaste as consequências para a economia?
"E como produzes hidrogénio sem poluir?"
Não sei se vai ser possível ser totalmente "amigo do ambiente" no entanto será sempre consideralvemente melhor do que o petroleo!!!
cada um escolhe os seus amigos
os amigos do ambiente que paguem a factura decorrente dos seus afectos
Uma frase liberal no seu melhor...
Julgo que essa frase encerra o que de mais egoista tem a teoria liberal. Além de que empura as questões ambientais para um campo que não é dele: o de opções pessoais. Ela deveria ser vista na optica da Saude publica, da Segurança Social, do Ensino, de infraestruturas publicas, da Segurança, ou seja é uma questão do dominio publico e não privado.
Já agora também tens essa actitude perante tudo o resto que fazes na tua vida, ou em pequenas coisas, sem lá andar na rua, policiamento já achas que os amigos da segurança também devem "pagar a factura decorrente dos seus afectos?"
Além de que essa visão mostra pouca visão sobre o que irá acontecer no futuro, esta será uma questão que separá os próximos movimentos politicos.
espetáculo de argumento
Filipe esse argumento é um espetaculo.
E dá para imensas situações:
Alguém atira-te uma pedra à cabeça e diz "Quem gostar da tua cabeça que pague a tua protecção oferecendo-te um capacete ou pagando-me para não te atirar pedras"
Boa pá.
Serviço Mínimo
Com o actual serviço mínimo de protecção que nos faculta a "justiça" portuguesa, Hugo, aconselho-te vivamente a compra desse capacete.
De facto, o egoísmo como fundamento moral da sociedade é para mim o início do caminho para um mundo livre. Há portanto que ultrapassar o milenar complexo castrador, imposto igreja católica e continuado pelo marxismo, que consagrou o egoísmo como pecado capital. Há que aceitar a natureza humana. O Ego é o respeito pelo indivíduo, um fim em si. Não concebo utilidade nenhuma na vida, se não conseguir manifestar o meu egoísmo, e orgulhar-me dele. O egoísmo é fonte de vida. O Alfa e o Omega.
Abomino egoistas!
Abomino egoistas, pessoas que não passam além dos seus interesses próprios. Que vivem fechados no seu Eu e não conseguem ultrapassar esse facto. Abomino quem não pensa nos outros, quem não tem em linha de conta esse factor na sua tomada de decisão. No fundo um egoista não é mais do que alguém que não tem essa capacidade, que se limita a olhar ao Seu próprio mundo.
Todos temos egoismo, mas nem todos somos egoistas e não existe nenhum fundamento, natural ou moral, que fundamente uma posição meramente egoista!
Temos pena
Eu ao contrário de ti sou tolerante. Deixo que sejas altruísta, sem te abominar. Só te peço que o sejas com os teus pés, e despendendo unicamente o teu esforço. Não te repudio por viveres de acordo com os teus princípios.
Eu sou orgulhosamente egoísta, e é o modo como encaro a vida. Diz-me que benefício tenho em agir de outra forma.
Confundido?
"Eu ao contrário de ti sou tolerante"
Não está correcto. Deverias ter dito que és tolerante, mas não ao contrário de mim. É um engano inocente que cometeste pois não me conheces.
Não confundas liberdade de expressão com tolerância, são assuntos diferentes. Se fosse intolerante dificilmente estaria a falar contigo, não achas?
"Eu sou orgulhosamente egoísta, e é o modo como encaro a vida. Diz-me que benefício tenho em agir de outra forma."
Adorei esta frase, se te convencesse do beneficio em que tens a agir de outra forma não estaria a te convencer a agir de outra forma, mas sim a te dar uma razão egoista para executares uma acção diferente. Assim dirias sempre que era uma actitude egoista e não altruista.
No entanto, o egoismo não é algo que se possa separar da nossa natureza, assim como o altruismo.
Actitudes cooperantes em vez de egoistas levam a maior parte das vezes a resultados de longo prazo bem superiores.
Como não conheço o meu
Como não conheço o meu interlocutor, tenho de assumir como verdade a afirmação "abomino egoístas", que entra claramente em contradição com "não sou intolerante".
O meu pecado é portanto o de querer o melhor para mim, algo a que te opões, porque não te dá jeito. Bom, acabaste por demonstrar que não tenho ganhos em agir de forma altruísta. Apenas manifestaste o desejo que eu o faça, com prejuízo pessoal. Decorre que nunca me poderás convencer a agir em proveito de outros. A não ser coagido, apontando-me uma arma, ou seja obrigando-me a fugir para a consequência menos má, e portanto eu decidia sempre de modo egoísta.
O resultado superior a longo prazo não me interessa porque:
- beneficia outros que não eu
- a longo prazo estou morto
Outra vez confudido
Essa cabeça é uma confusão! Quando estou a dizer "abomino egoistas" estou a dar uma opinião. Ou seja é do meu foro intimo e julgo que aquele pequeno direito que a constituição me consagra permite-me o fazer.
Ser intolerante é não permitir a existência de gostos, opiniões diversas da minha, algo que em nenhuma parte do meu comentário encontrarás. Como vês estás confudido relativamente à classificação que me destes. E não existe nenhuma contradição como é obvio!
Apenas caiste num preconceito teu de que uma pessoa que abomina uma caracteristica noutra é intolerante para com a outra, tal não é verdade, se assim fosse seriamos todos iguais, com gostos iguais, ou seja seria um mundo extremamente aborrecido.
"Bom, acabaste por demonstrar que não tenho ganhos em agir de forma altruísta"
Conheces o exemplo de "Tragédia dos Comuns"? Se conheces então talvez (e é um grande talvez) consigas compreender o que quero dizer.
"Decorre que nunca me poderás convencer a agir em proveito de outros."
Julgo que já o fazes, aliás todos o fazemos, uns mais do que outros. Mas é interessante a tua linha de raciocinio.
"A não ser coagido, apontando-me uma arma, ou seja obrigando-me a fugir para a consequência menos má, e portanto eu decidia sempre de modo egoísta."
Cada "burro" come palha se lhe souberes dar.
Podes analisar um problema no prisma que analisaste, nunca será completo se não incluires o vector de altruismo e dessa forma será sempre uma aproximação da melhor solução, mas de certo não a unica e sem a certeza de que é a melhor.
"O resultado superior a longo prazo não me interessa porque:
- beneficia outros que não eu
- a longo prazo estou morto"
Bem parece que perdeste a faculdade de pensar mais do que no imediato. Espero que a tua vida seja mais longa do que isso. Gosto especialmente da ultima parte, no entanto julgo que condicionas a tua vida sem analisares esse vector de que estarás morto. Apenas uma suposição...
Foro íntimo
A intolerância é de facto algo do teu foro íntimo. As consequências da mesma nem sempre, pois fica por esclarecer se o teu repúdio te leva à acção, e que medidas pretendes levar a cabo para que alguém aja contra o seu interesse egoísta.
E não te preocupes comigo: a minha análise já incorpora presentes e futuros, não contempla obviamente é terceiros. Algumas das minhas escolhas beneficiam terceiros. O motivo pelo qual tomei essas escolhas era apenas beneficiar-me em primeiro lugar. Eu seria portanto muito desonesto se lhe chamasse de atitude altruísta. Não quero cair nessa tua contradição.
Erro é Erro...
Relativamente à tematica da intolerancia parece que não vais conseguir distinguir os dois conceitos que apresentei. Continuas a repetir o mesmo erro desde o inicio, não é pela repetição que vai deixar de ser um erro.
"medidas pretendes levar a cabo para que alguém aja contra o seu interesse egoísta."
Quem te disse que tenho de tomar medidas?
"E não te preocupes comigo: a minha análise já incorpora presentes e futuros, não contempla obviamente é terceiros. "
Ou seja não contempla os teus pais, a tua namorada ou mulher, os teus amigos ou caso já tenhas os teus filhos. Já a gora pensava que "O resultado superior a longo prazo não [t]e interessa"
Já agora poderias definir o que é para ti egoismo e altruismo. Seria importante pois só assim é que o que tu disseste não é per si uma desonestidade.
E se não fosse erro, seria outra coisa
Bem, eu como não abomino as pessoas por pensarem de modo diferente de mim sou bastante indiferente ao seu destino. O seu bem e o seu mal interessa-me sim, mas apenas na medida em que estão indexadas ao meu proveito e ao meu interesse. Isto é verdade falando de pais, namorada, vizinhos ou amigos. Assim defino o egoísmo.
Ah, lamento não lhe poder definir algo que não existe.
O egoismo é tudo!
"O seu bem e o seu mal interessa-me sim, mas apenas na medida em que estão indexadas ao meu proveito e ao meu interesse."
Já sei que num caso extremo de vida ou morte, tu sacrifirias os teus filhos para viveres, pelo menos se fores fiel e acreditares no que dizes.
"Ah, lamento não lhe poder definir algo que não existe."
Bem definindo todas as acções como egoistas então é impossível não teres razão. Um argumento desonesto intelectualmente mas desde que sirva para continuares com razão serve! É diferente a não existência da incapacidade de descrever o que não consegues compreender. Tu não consegues definir altruismo, não porque não exista, mas sim por que não o cmpreendes. Mexe com as tuas crenças mais profundas o que é sempre desconfortável e incomodo.
"eu como não abomino as pessoas por pensarem de modo diferente de mim sou bastante indiferente ao seu destino."
Primeira parte: julgo que não estás a ser honesto. Se fosses não tinhas perdido tantas linhas a discutir comigo, visto que não me conheces, não interfiro com a tua vida e não existe nenhum ganho pessoal teu com esta discussão. Depois se te fosse indiferente não estarias num movimento politico, a não ser que estejas admitir que os estás a fazer apenas para tirar proveito dele, (no sentido de subir na vida às custas do MLS) e que quando não te trouxer mais proveito sairás (No fundo significa que não acreditas no que o MLS defende). Mais, diria que se uma ditadura te fosse favorável não verias nenhum inconveniente. Bem poderia arranjar mais situações deste género.
Já agora:
Nunca deixas passar ninguém quando entras numa porta?
Se tiveres oportunidade passas à frente das pessoas numa fila?
Cospes para o chão ou atiras o lixo pela janela do carro?
Não ajudarias uma pessoa cega a atravessar uma estrada caso te pedisse?
Os meus filhos são um
Os meus filhos são um prolongamento egoísta do meu código genético. O que faço por bem deles continua a ser uma acção egoísta. Eu sei que isto te causa desconforto. Podes discordar, e eu bem sei que me abominas por isso como bem o dizes. Assim, eu decidir o melhor para mim provoco-te asco e comichão, bem: tanto pior para ti.
Roi-te então de fúria quando me vires deixar passar pela porta a miúda gira, quando me vires entrar à má fila na estrada, quando me vires despejar lixo não triado e fora do contentor, e quando me vires a ajudar o cego a atravessar.. para ganhar votos. E transparecendo compaixão de forma credível, como todos o fazem.
Grande imaginação!!!
"Os meus filhos são um prolongamento egoísta do meu código genético"
Isto é que é ter imaginação para continuar irredutível na tua posição. Já eliminaste a existência de altruismo, embora ele exista na realidade, e perante o exemplo dos filhos dizes que são um prolongamento egoista teu e fica o caso resolvido. Se continuares assim dificilmente perceberás a questão mas facilmente cais no ridiculo. Já agora o caso dos filhos adoptados é também um prolongamento egoista do teu código genético?
Mas a tua imaginação não termina por aí,
"eu bem sei que me abominas por isso"
"eu decidir o melhor para mim provoco-te asco e comichão"
a tua imaginação impele-te a colocar frases em mim que nunca proferi e pior a julgar que sabes o que sinto sem teres qualquer capacidade para isso. Pelo menos não te falta imaginação, isso é verdade.
"Roi-te então de fúria quando me vires deixar passar pela porta a miúda gira, quando me vires entrar à má fila na estrada, quando me vires despejar lixo não triado e fora do contentor, e quando me vires a ajudar o cego a atravessar.. para ganhar votos. E transparecendo compaixão de forma credível, como todos o fazem."
Tens uma visão pessimista da vida, é uma opção que escolhese, se o mundo fosse como tu pintastes as pessoas "feias" levariam com a porta na cara, todas as pessoas entravam há má fila nos sitios (aconselho-te a ir a Italia e Egipto para ver o que isso provoca), o lixo ficaria na rua e não nos contentores e muitos cegos teriam de esperar 4 anos para atravessar uma estrada.
Voltando aos "prolongamentos genéticos" eu bem te disse que "qualquer burro come palha se lhe for dada correctamente".
Perceber a questão
Acho que só me conseguirias fazer "perceber" com uma arma. Havia um tempo em que aqueles que não percebiam iam para a Sibéria. Já na altura abominavam egoístas. Nada de criticável, pois trata-se de algo do foro pessoal do Staline. A palha é assim administrada correctamente: com uma arma apontada à cabeça. Garanto-te que nessas condições torno-me o que quiseres, e falo mal da minha mãe. Pergunto-me que tipo de pessoa é esse meu interlocutor que defende acerrimamente a proibição de dar tampa.
Esboça-se finalmente uma explicação freudiana para a abominação d@ egoísta que te deu a resposta que não correu de feição :)
De uma forma egoista...
Digo isto da forma mais egoista que sei:
Boa Pascoa!!!
Nunca pensei nessa solução...
Bem nunca pensei nessa solução e ... sim abomino essa solução.
Se a tua posição é essa, então apenas posso dizer que defendes a tua posição de uma forma dogmática e como tal a unica solução que tens para "perceber" algo é com outros apontando à cabeça uma arma. Espero que não defendas essa solução para as pessoas que não partilham dos teus dogmas.
Eu não te "faria perceber nada" como é obvio (aliás é quase uma impossibilidade lógica, e uma incoerência sem dúvida). Se estiveres numa discussão para tentares entender e expôr o teu ponto de vista e ouvires o ponto de vista do outro talvez tu percebas algo. Mas és tu, não sou eu que te vou fazer perceber algo. Se de uma forma teimosa e dogmática não quiseres perceber então não há nada a fazer.
"A palha é assim administrada correctamente:" Não precisei de uma arma, aliás pouco mais fiz do que sugerir. Tu é que encontraste uma forma de justificar o teu altruismo de uma forma que não quebrasse o teu dogma "egoista" atribuindo a caracteristica de "prolongamento egoista" a um filho teu. Assim poderias continuar internamente satisfeito pois não quebravas o teu dogma egoista.
Esse é o problema de entrares numa discussão sem vontade de discutir, aliás não deixa de ser um caso estranho de alguém para quem os outros lhe são indiferentes, para quem só muda de opinião ou tenta perceber algo diferente da sua esfera de dogmas com uma arma apontada à cabeça intervenha numa discussão! Ou será que afinal os outros não são assim tão indiferentes?
O que eu gosto mais nas tuas respostas é sem duvida o efeito que uma simples palavras teve em ti, quase que diria que abominas quem abomina, não será?
p.s.- "Esboça-se finalmente uma explicação freudiana para a abominação d@ egoísta que te deu a resposta que não correu de feição :)" Honestamente esta terás de explicar melhor pois escapou-me completamente.
Não estou a negociar ou
Não estou a negociar ou defender uma posição que é soberana. Simplesmente decido de acordo com o que é melhor para mim. O que ganho em escolher o 2º melhor, se posso ter o 1º? Para me desviar da escolha natural terias de usar a força de uma arma. Relê o que eu escrevi: eu repudio o uso da força, pois apenas através dela podes coagir. Se ninguém a usar comigo, tenho o meu caminho livre. Não te quero mal, apenas que me saias da frente.
Eu não estou à tua frente...
Eu não compreendo como estou à tua frente! Só não concordo com o facto de afirmares: "Para me desviar da escolha natural..." A escolha egoista não é a unica escolha natural e se julgas que tudo o que fazes é egoismo (além de eliminar qualquer discussão do teu prisma) então estás a ter uma decisão racional e não natural! É apenas isso que eu disse.
"Não estou a negociar ou defender uma posição que é soberana" Parecia, pelo teu discurso, que era exactamente isso que estavas a defender. Uma coisa para mim é o que tu defendes para o teu estilo de vida outra é que queiras "impor" a uma sociedade.
então estás a ter uma
então estás a ter uma decisão racional e não natural
É portanto natural escolher o pior para si? Como disse, és livre de o fazer. Deixo-te portanto com os teus amigos, e o fardo dos teus afectos. Precisamente não quero impor nada. Não imponho os meus amigos aos outros. Nunca gostei que mo fizessem. Tenho direito ao egoísmo. E exerço-o. Por muito que o abomines.
Mas isso é obvio...
"Tenho direito ao egoísmo. E exerço-o. Por muito que o abomines..."
Mas isso é obvio, chama-se liberdade, a mesma liberdade que me permite abominar egoistas!
"É portanto natural escolher o pior para si?"
Adoras distorcer os conteudos. Mas jogando o teu "jogo" a resposta é sim. E graças a esse mecanismo é que as especies perduraram. É no equilibrio entre o egoismo e o altruismo que acabou por residir a chave do sucesso!
P.S - Julgo que estás a confundir egoismo com egocêntrismo, quando analisas uma tomada de decisão.
"E graças a esse mecanismo
"E graças a esse mecanismo é que as especies perduraram. "
Eu não tenho interesse na espécie. Se quiseres contribui tu.
Porreiro pá!
"Eu não tenho interesse na espécie. Se quiseres contribui tu."
Já percebi que queres dar uma de egoista. Não precisas de mostrar isso a cada frase que escreves (tornasse chato). Eu sei que se quisere cntribuo eu, se quiser sou solidario, se quiser, etc... e que não te chateem pois tu queres demonstrar que és totalmente egoista, que és a pessoa que abomino, blá, blá, blá...
Mas se és tão self interest, se só te relacionas contigo próprio, o que é que fazes num movimento politico social? É um pouco incoerente, pois estás a defender um projecto para o país, ou seja estás a fazer exactamente aquilo que não queres que te façam a ti, a obrigar os outros a seguir um modelo de sociedade que não é deles.
É caso para dizer: se queres ser totalmente egoista, sê-lo tu e não obrigues os outros a serem!
Um egoísta sempre usa a
Um egoísta sempre usa a palavra social para falar do sábado à noite. Desengana-te se pensares que tal indidívuo vive sozinho. Terá um critério de selecção diferente do teu.
Se eu te vir a ser assaltado
Se eu te vir a ser assaltado na rua devo passar e fingir que não te conheço?
Movimento Liberal de Sabado à Noite
"Terá um critério de selecção diferente do teu."
Concordo, depreende-se facilmente dos diversos comentários que já coloquei aqui.
Já vi que te defines como egoista, julgo então que acabaste de dar uma proposta de mudança do nome do movimento quando afirmaste:
"Um egoísta sempre usa a palavra social para falar do sábado à noite"
Ou seja a tua proposta para o movimento que integras é que deixe de se chamar "Movimento Liberal Social" para "Movimento Liberal de Sábado à Noite"!
Será que mais alguém concorda?
Só falo por mim
Stran, dificilmente.
Igor, não precisas de fingir que não me conheces. Mas foge, que podes ser mais uma vítima. Como o rapaz no parque de estacionamento do Oeiras Parque.