
Intervenção da Prof. Isabel Fevereiro no programa "Prós e contras", da qual aplaudo...
Parte 1
Parte 2

Ao saber da demissão da Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, chego à conclusão de quem tem ideias e apresenta resultados acima dos esperados é um fardo para os actuais dirigentes políticos.
É sabido que a ex-directora do referido Museu opõe-se fortemente ao actual modelo de gestão de museus, pedindo uma maior autonomia financeira e administrativa, e não terá razão?
Ora todo o dinheiro que os museus, que tiverem na rede do IPM, consigam por si, através de vários mecanismos, um deles é o mecenato, terá que ser dividido por todos, tenham ou não conseguido resultados positivos. O que se passa é que o Museu de Arte Antiga através do mecenas Millennium BCP angariou 500 mil euros e só recebeu 360 mil euros. O argumento, que muitos acharam lógico, foi o de que se a Directora do Museu está em desacordo com as actuais regras, o melhor será demiti-la, não tendo em consideração o excelente trabalho e os diverso elogios, do próprio IPM, à dinamização que consegui criar no Museu.
Citando parte da noticia do Jornal Sol "A ex-directora do Museu Nacional de Arte Antiga defende que instituições como a que até agora dirigiu carecem de autonomia para gerirem os seus recursos e poderem realizar iniciativas e tomar decisões sem depender da autorização dequaisquer organismos externos, que nas suas palavras exercem uma acção «paralisante».", Não seria, o mais indicado, problematizarmos o problema levantado pela historiadora Dalila Rodrigues e rever a actual lei orgânica de gestão dos Museus? Ou será melhor demitirmos indivíduos que apresentam bons resultado ao nível da gestão e dinamização cultural?
Parece-me que a Cultura neste pequeno rectângulo é algo de acessório e dispensável, esquecem-se que um Povo Culto, pressupondo também a educação, faz com que se avance e não se retroceda, tornando-se difícil a sua manipulação e este exigirá maior qualidade dos dirigentes políticos.
Mais uma vez teimamos em não querer aprender com a história ao deixar no esquecimento as palavras de Almeida Garrett - um dos defensores do liberalismo no séc. XIX em Portugal - aquando da criação do Teatro Nacional "Este é um século democrático; tudo o que se fizer há-de ser pelo povo e com o povo... ou não se faz. (...) querem pasto mais forte, menos condimentado e mais substancial: é povo, quer a verdade. Dai-lhe a verdade do passado no romance e no drama histórico (...) o povo há-de aplaudir, porque entende: é preciso entender para apreciare gostar.".
Para bem da cultura, espera-se que a historiadora Dalila Rodrigues não se afaste ou não a afastem por completo para que consiga encontrar um lugar onde continue com a sua contribuição.