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Futuro Negro

"Agora, o semanário The Economist alarma-se com a "assustadora" disposição xenófoba de milhões de chineses, sugerindo que a futura superpotência que é a China se poderá tornar mais perigosa do que previam os optimistas."

Diz Sarsfield Cabral no Público. Bate certo com todos os outros sinais alarmantes vindos da China. E apesar dos sinais positivos dos últimos tempos, há coisas que não se resolvem pela guerra mediática.

Retrato de Miguel Duarte

Bebés por medida

Este artigo é interessante, no sentido em que é um indício das discussões éticas que iremos ter nos próximos anos relativamente à genética.

Qual irá ser o poder que os pais irão ter nos genes dos seus filhos? Até que ponto, a ser admitida intervenção genética para melhorar determinadas características, ou retirar doenças, irá essa intervenção ser regulada?

O meu ponto de vista é muito simples: o quer que venha a ser feito terá sempre que ser feito tendo em conta o interesse do futuro ser que irá nascer. Ou seja, por exemplo, duvido que algum de nós se importasse de ter nascido sem algumas doenças de origem genética, e esse será provavelmente o início.

No entanto, a verdadeira questão é que a espécie humana irá dar nas próximas centenas de anos um salto evolutivo enorme e tal não pode ser controlado verdadeiramente. Está na natureza genética de todos os pais, humanos ou não, desejar o melhor para os seus filhos e ter os filhos que melhor poderão assegurar a propagação dos seus genes. Irá por isso, à medida que existir tecnologia para isso, existir uma enorme pressão no sentido de se fazerem alterações genética nos filhos. Se se proibir num país, existirá sempre outro onde tal será autorizado, ou será feito às escondidas.

A par disto, a própria sociedade se vai habituar ao facto que a espécie vai mudar. Pois a tecnologia já o está a fazer. Hoje já existem vários casos de implantes da tecnologia no corpo humano e esta é uma área em pleno desenvolvimento. Ainda na minha geração irei assistir concerteza a implantes no cérebro, a olhos electrónicos completamente funcionais e muitas outras tecnologias.

Muitos de nós, já estariam hoje dispostos a implantar por exemplo um processador no cérebro, ou uma memória de electrónica, se isso lhes desse acesso a um poder de cálculo tremendo ou a um conhecimento enciclopédico, sem quaisquer efeitos secundários. Mais não fosse porque assim seria possível aumentar-se os rendimentos.

A nova espécie que irá surgir, será inevitavelmente um misto de máquina com homem geneticamente alterado. É a "lei" natural da evolução a funcionar, cada indivíduo a tentar obter uma vantagem competitiva para si e para os seus descendentes, com a inevitável sobrevivência do mais apto. Sendo caso para se dizer "toda a resistência é fútil". Quanto muito, poderemos tentar regular a coisa, no sentido de proteger da melhor forma possível os seres que irão ser gerados.

Agora, até que ponto deve o Homem, e o Estado, regular a evolução? ;)

Retrato de Luís Lavoura

Tem toda a razão...

... o post Duplicidade de Vital Moreira.

Retrato de Luís Lavoura

Deixaram de falar no Irão

Outra coisa da qual há muito tempo não se ouve falar é do perigo de o Irão construir armas nucleares. E não é que esse perigo tenha desaparecido, uma vez que o próprio Irão afirma que as suas centrifugadoras de urânio são cada vez mais e melhores, pelo que esse país estará sem dúvida a acumular quantidades crescentes de urânio cada vez mais enriquecido.

Isto deve querer dizer que os EUA desistiram, de vez, de lançar um ataque contra o Irão. Era um velho sonho neoconservador, mas parece que a administração Bush desistiu dele. E fez ela muito bem. É que, além de outros inconvenientes, deve saber que o Irão dispõe, ao que consta, de uns mísseis terra-mar de grande qualidade, vendidos pela Rússia (vantagens do comércio internacional na manutenção da paz...). Esses mísseis poderiam, em dois tempos, mandar ao fundo boa parte dos navios de guerra americanos que se passeiam pelo Golfo, caso esses navios (e os aviões que neles pousam) fossem utilizados para atentar contra a segurança do Irão.

O meu desejo é que a próxima administração americana dê um passo em frente e, em vez de hostilizar o Irão, passe a cooperar com ele. É que o Irão é um país com grande futuro, com uma população excelentemente educada (e 60% dos estudantes universitários iranianos são mulheres, um número que deveria fazer inveja às feministas norte-americanas...) e com uma economia que, apesar do boicote à qual é submetida, cresce 7% ao ano. Talvez fosse boa ideia os EUA deixarem-se de velhos rancores e começarem a comerciar com um parceiro de tanto potencial.

Retrato de Luís Lavoura

Deixaram de falar no Darfur

Há muitos meses que não se ouve falar no Darfur e na necessidade urgente de a União Europeia / a NATO / os EUA intervirem militarmente nessa região do Sudão para prestar ajuda humanitária ao seu povo, martirizado pelos crueis janjauid apoiados pelo governo do Sudão.

Ontem soube-se no telejornal que afinal um dos movimentos rebeldes separatistas do Darfur obteve grande sucesso militar, tendo até avançado até à própria capital do Sudão, Khartum, dentro da qual há já violentos combates.

Então o povo do Darfur eram uns pobres infelizes martirizados por um governo cruel, ou são afinal rebeldes bem armados capazes de invadir o Sudão central?

A intervenção humanitária que a União Europeia / a NATO / os EUA desejavam mostra afinal a sua verdadeira face: uma intervenção militar numa região com o fim de apoiar o seu movimento separatista e desmembrar um país pouco amigo.

Mais ou menos como fizeram na Sérvia.

Retrato de Luís Lavoura

Interessante para Portugal

No Economist desta semana, um artigo debruça-se sobre uma tecnologia que poderá ser de extrema importância no futuro em geral, e para Portugal em particular: ventoinhas eólicas flutuantes.

O vento no alto mar sopra tipicamente a uma velocidade muito superior à obtida em terra. E a diferença na velocidade repercute-se tremendamente no potencial energético: um vento duas vezes mais veloz significa uma potência energética quatro vezes maior.

As atuais ventoinhas eólicas implantadas no mar estão fixadas no fundo, em mares de profundidade inferior a quarenta metros. Isso é viável em locais como o Mar do Norte, na costa inglesa e dinamarquesa. Mas ao longo da nossa costa, em que a profundidade aumenta rapidamente até muitas centenas de metros, tais ventoinhas são inviáveis.

Entretanto, as ventoinhas eólicas estão a aumentar de tamanho cada vez mais. As mais modernas - e eficientes - são gigantes que produzem cinco Megawatts de energia cada. Só se pode implantar duas ventoinhas dessas por cada quilómetro quadrado. Essas ventoinhas gigantescas provocam grande impacto na paisagem, e grande destruição da natureza (abertura de grandes estradões até ao alto dos montes) para a sua implantação e manutenção.

A solução óbvia para tudo isto é tentar implantar essas ventoinhas gigantescas no alto mar, a grande distância da costa, a flutuar e não fixas ao fundo. Está-se a trabalhar ativamente nesse tipo de solução, e prevê-se que ela comece a chegar ao mercado - a custos compatíveis - dentro de cinco a dez anos.

Será certamente ótimo para Portugal, que dispõe de muito mar. Mas, como de costume, teremos que ir comprar a tecnologia a empresas estrangeiras.

Não há almoços de borla...

"Lisboa, 09 Mai (Lusa) - O Presidente da República, Cavaco Silva, reúne-se na segunda-feira com 30 dirigentes de Associações de Juventude para debater a participação dos jovens na política e as razões que os motivam ou afastam de um maior envolvimento em actividades cívicas.

No Encontro "Os Jovens e a Política", marcado para o Palácio de Belém, estarão presentes os líderes das organizações partidárias, académicas, de voluntariado, sindicais e empresariais. "
in rtp.pt

de foram ficam a JCP, o BE, e pelos vistos também o MLS.
Continuar a investir em soluções já gastas não me parece ser de todo a melhor forma de combater o afastamento dos jovens em relação à política. Se os jovens não se reconhecem nos actuais partidos políticos é hora de se criarem alternativas e de se dar voz ás mesmas.

Retrato de Hugo Garcia

A legitimidade para acabar com os pitbulls

À partida poderá parecer anti-natural ou ilegítimo acabar com a raça dos pitbulls, mas tal é desejável e muito legítimo.

O Pitbull foi criado artificialmente para gerar um animal de grande violência. Vários cães violentos foram cruzados de forma a alcançar a mais perfeita máquina de matar. E conseguiram.

Agora importa perceber um pouco de reprodução genética.
Quando um casal de irmão têm um filho, esse filho tem uma probabilidade muito maior de ser deficiente. Isto porque está a provir de um grupo genético fechado, criando tendências para comportamentos patológicos. Ou seja, Há tendência para haver menos diversidade, logo menos equilíbrio, o que resulta nos extremos que chamamos de patologia.

As raças criadas pelo Homem tendem a ser perigosas por isso mesmo.
Consegue-se uma pequena ninhada, por exemplo 5, e de seguida faz-se reprodução entre esses. Naturalmente, os nascidos desse pequeno grupo tendem a apresentar grandes deficiências indesejadas. Isto não acontece apenas com pitbulls, mas o caso destes é o mais grave.

Existe ainda outro factor genético, já abordado por Darwin.
Por vezes, uma característica perfeitamente insignificante está associada a outra que é fundamental para a sobrevivência da espécie. Desta forma, os portadores dessa característica prevalecem enquanto os seus opostos são extintos, apesar de essa característica por si ser perfeitamente insignificante.

No caso dos pitbulls há duas características que estão associadas entre si. Por um lado a fisionomia da cabeça em triângulo e os ombros largos e do outro lado o gene obsessivo compulsivo.
Como disse antes, apesar de não existir uma correlação directa, existe uma ligação genética.
Como os reprodutores sabem que os cães de cabeça triangular e ombros largos valem mais dinheiro no mercado, reproduzem ao máximo estes entre si,de forma a exponenciar esta característica.

Consequentemente, também a característica indesejável predomina.
Neste caso, estamos a falar de cães obsessivos que muitas vezes enlouquecem por completo. Quando não o fazem são simplesmente ultra violentos, como já sabemos.

Portanto, não há nada de errado em o homem acabar com a anormalidade genética que criou, impedindo a sua reprodução.

Retrato de Luís Lavoura

O Estado máximo

Consta que agora o governo anda a discutir com a "Concertação Social" a legislação sobre os "bancos de horas" para os trabalhadores. Ou seja, o governo quer, mais ou menos, impôr, sob normas estritas, que os trabalhadores possam trabalhar menos em certas épocas do ano e mais noutras épocas.

Eu a mim isto parece-me um caso claro de um Estado excessivo e excessivamente legislador. Nenhum trabalhador deve poder ser obrigado a trabalhar mais horas numa determinada época do ano - há trabalhadores que, devido às condições da sua família, todos os dias terão que sair do trabalho a uma determinada hora para ir buscar os filhos ao infantário e dar-lhes o jantar; ou há trabalhadores que fazem "biscates" ou desenvolvem uma outra atividade fora do seu horário normal de trabalho, e querem continuar a fazê-lo. Mas também nenhum trabalhador deve ser proibido de dar mais umas horas à sua empresa. Por exemplo, os imigrantes, que não têm a família cá, e que têm pouco ou nada para fazer na vida em Portugal a não ser trabalhar para ganharem muito dinheiro, devem poder trabalhar as horas que a empresa lhes queira pedir.

E, naturalmente, em cada empresa individual haverá trabalhadores dos dois tipos. Haverá uns que querem sair e entrar a horas certas todos os dias; e haverá outros que estarão disponíveis para trabalhar mais, ou menos, em certas épocas do ano.

Esta questão dos bancos de horas deveria ser objeto de contratação coletiva, ou do contrato individual de trabalho de cada trabalhador (cada trabalhador tem o direito de negociar individualmente com o seu patrão, ou de se reger pelas normas negociadas por um sindicato). O Estado deveria limitar-se a impôr limites muito gerais e latos. Não me parece que seja isto que se está a negociar com tanto detalhe e tão demoradamente na Concertação Social.

Retrato de Miguel Duarte

Os genes e a sua influência no comportamento

Interessante este artigo da NewScientist. Parece que a forma como somos tratados (abusos, carinho, alimentação, stress) em criança afecta o nosso desenvolvimento genético (desligando ou ligando determinados genes). Tais alterações iniciam-se no ventre materno, mas também ocorrem durante os primeiros anos de vida.

Retrato de Luís Lavoura

No tempo errado

Quando o petróleo atinge o preço de 125 dólares por barril o nosso governo decide construir um novo aeroporto na zona de Lisboa.

Quando o aeroporto estiver pronto o petróleo estará a 250 dólares por barril e pouca gente terá qualquer vontade de voar.

Estão a brincar com o dinheiro dos nossos impostos.

Retrato de Miguel Duarte

Mau Planeamento Urbano

É ridículo, conheço uma pessoa que reside no centro de Lisboa e está a considerar um emprego junto à Universidade Católica. O emprego implica entrar por volta das 6:30 da manhã, hora a que ainda há poucos transportes públicos (se fosse um pouco mais tarde teria o metro).

Ora este meu amigo considerou ir a pé ao dito emprego, pois são cerca de 3 kms. Numa cidade normal não deveria ser algo muito complicado. Mas em Lisboa....

É impossível! A Avenida dos Combatentes fica sem passeios algures entre a Praça de Espanha e o Hospital de Santa Maria e não existem sequer outras ruas à volta que permitam o percurso, à excepção do Eixo Norte-Sul, que corta a cidade e na zona não tem quaisquer passagens superiores ou inferiores para peões. O percurso a pé alternativo implica dar uma grande volta em redor das vias rápidas e avenidas sem passeios, demorando por isso muito mais tempo.

Basicamente, consegue ver o emprego da janela de casa, mas não consegue lá chegar!!!

Que raios de planeamento é que nós temos na CML que é incapaz de construir uma cidade em que se possa ir a pé do ponto A para o ponto B? Não me parece muito exigir que uma avenida no centro de Lisboa seja ladeada em contínuo por um simples passeio.

Retrato de Miguel Duarte

Gasolina + Cara = Carros + Pequenos

Pois é, os nossos irmãos americanos, com a alta do preço do petróleo, estão a comprar mais automóveis pequenos, à semelhança do que os europeus faziam à muito.

Nada como sentir a poluição no bolso para se ter atitudes mais ecológicas.

Retrato de Miguel Duarte

As árvores e a asma

Um estudo aponta para que existam menos crianças com asma em ruas arborizadas.

Retrato de Igor Caldeira

De igual para igual

Já todos ouvimos e lemos que o Estado tem uma qualquer obrigação de apoiar os diferentes cultos religiosos (pagando aulas de Religião, subsidiando escolas religiosas, construindo igrejas e centros paroquiais, etc.). A teoria que circula a respeito da "sociedade civil" (que apesar de ser "civil" parece que precisa do dinheiro político) e que habitualmente é a forma encapotada de os conservadores defenderem mais privilégios para a Igreja Católica (mesmo que isso implique fazer umas cedências de circunstância a cultos irrelevantes como o muçulmano ou o judeu - esquecendo as igrejas evangélicas, com muitíssimo mais fiéis) vai ter agora de enfrentar um problema grave.

Está em vias de se constituir a Associação Ateísta Portuguesa. Será que agora os defensores da "sociedade civil" subsídio-dependente vão aceitar que a futura Associação também mame da teta estatal ou será que a distribuição de dinheiro de impostos alheios com vista à propaganda ideológica é um couto abraâmico?

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