

Um Argumentum ad Tabacum (Latim, argumento apelando ao tabaco) é uma falácia lógica, identificada quando alguém responde a algum argumento com um ataque pessoal a quem utilizou o argumento, apontando a este o seu vício tabagista. Ou seja, não se questiona o argumento, mas sim quem o colocou. A forma básica de um Argumentum ad Tabacum é a seguinte:
1. A considera B verdadeiro;
2. A fuma;
3. então B é falso.
Claramente, B não deixa de ser verdadeiro ou falso dependendo das pessoas que o consideram verdadeiro. O argumentum ad tabacum é uma forte arma retórica, apesar de não possuir bases lógicas. Este é uma sub-espécie de um argumento ad hominem. O ataque à pessoa trata-se de um ataque direto a pessoa contra quem se argumenta, colocando em dúvida suas circunstâncias pessoais, seu caráter ou sua confiabilidade.
Esta é a crítica de raciocínio que os “maninhos” têm utilizado ad nauseam, para contrapor às declarações de Luís Lavoura. Caso haja outro argumento a acrescentar, convido-os desde já a intervir neste fórum. Ora, em alguns casos, o argumento ad hominem não é falacioso e deve ser levado em conta. Nomeadamente sempre que o ataque pessoal esteja correlacionado com o interesse pessoal do interveniente em provar a tese em discussão. É o argumento “poço envenenado”: coloca em foco a validade do argumento, e a imparcialidade do adversário, sugerindo que o último tem algo a ganhar com a defesa daquele ponto de vista. Exemplo:
A: Fumar não causa nenhum tipo de mal. B: Você é dono de uma grande empresa de cigarros, é claro que dirá isso!
Precisamente este ataque pessoal não é falacioso e deve, muito bem, ser levado em conta. Concluindo: ao denunciar um arugmento ad hominem temos de nos assegurar da independência da fonte que se propõe a provar/desmentir um determinado facto com o ataque pessoal apontado. A independência dos dois factos permite-nos afirmar que estamos perante um argumento ad hominem de facto. Vamos então directo à discussão que desencadeou as várias respostas ao alegado apelo ao tabaco por terras dos manos. O nosso blogger Luís Lavoura vem afirmar: “Não estou interessado em ler coisas de uma senhora que (…) se fazia fotografar de cigarro na mão”. Esta é um afirmação bastante vasta. Não quer isto dizer que a validade de algum argumento de Oriana Fallaci seja posto em causa em causa devido a isto. O Luís Lavoura diz simplesmente que não vai ler os livros dela, após essa primeira constatação. Quero aqui fazer reparar que a recusa antecede a análise dos argumentos. Não se está perante a argumentação ou perante alguma argumentação de Oriana Fallaci, pois esta nunca chegou a ocorrer. O Luís Lavoura simplesmente diz que não se vai propor a apreciar os seus argumentos, e vai desviar a sua atenção a estudar outro assunto do seu interesse, como é do seu direito. Talvez até exista à priori algum juízo feito quanto à correlação desse hábito com algumas das teses de Oriana Fallaci.
Quero aqui afirmar, que se este é o método heurístico do Luís Lavoura, ninguém o deve pôr em causa. A Oriana Fallaci foi uma escritora que publicou várias obras para quem as quisesse ler. Ninguém se pode sentir prejudicado por um terceiro não querer se relacionar comercialmente com ele comprando as suas obras, mesmo que os motivos dessa recusa sejam irracionais. Afinal, numa sociedade livre, as trocas surgem para bem de ambas as partes. Esta é uma constante da natureza humana: agimos com racionalidade limitada, em termos de:
- tempo: não nos podemos debruçar sobre todos os assuntos que desejaríamos
- raciocínio: não somos máquinas perfeitas. Erramos nas nossas apreciações
- conhecimento: não podemos argumentar à luz de todo o conhecimento, pois muitos dos mistérios do universo ainda estão por descobrir
Que propõe então os caros maninhos? Que o Luís Lavoura leia toda a bibliografia da Oriana Fallaci, para o fim concluir que se tratou efectivamente de tempo perdido? Ou que leia os ditos livros, para no fim concluir que até há algo com interesse mas que o tempo teria sido mais bem empregue a ler outra coisa? Já muitas vezes fui por exemplo confrontado com as obras do José Saramago, sempre afirmando que não teria nenhum interesse em ler as obras desse senhor. Os meus interlocutores sempre me vieram afirmar que eu deveria primeiro ler todas as obras deste autor (o que me iria obrigar a ficar 2 meses sem sair de casa, em prejuízo dos meus estudos ou do meu trabalho), e depois voltar a emitir um juízo de valor sobre este assunto. Outro exemplo: já me vieram com afirmações teoria-da-conspiraçãomentistas sobre o 11 de Setembro. Ao afirmar que não acreditava nas mesmas, disseram-me que eu primeiro teria de ler várias e longas páginas de um determinado site, que afirma que isto tudo é verdade e está bem fundamentado. Ora, se eu me tivesse posto a ler na net essas teorias da conspiração em todas as páginas da especialidade que afirmam que têm uma teoria bem fundamentada, a verdade é que eu ainda não teria saída de casa desde os atentados.
Eu quando olho para o José Saramago vejo um homem feio, com óculos de fundo de garrafa, militante do PCP, e com discursos enfadonhos quando é entrevistado. Ele transparece uma grande amargura perante a vida, e quando foi receber o prémio o seu semblante em vez de transparecer contentamento ou orgulho, pelo contrário transparecia uma atitude enaltecedora da modéstia, apelando à glória de não ter nenhuma glória. Pois, não estou interessado em ler nada deste senhor!
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Comentários
Outros indivíduos que me
Outros indivíduos que me causam nojo pela insistência com que se fazem fotografar de cigarro na mão - porque, aparentemente, têm orgulho no seu vício, desejam afirmá-lo e, quem sabe, vulgarizá-lo - são o Miguel Sousa Tavares, o Vasco Graça Moura, e a Sofia de Melo Breyner. Também não leio o que esses três escrevem porque, ao ler, não me consigo deixar de lembrar das suas carantonhas com o cigarro enfiado à frente.
Acho, no entanto, que eles têm todo o direito de fumar, e de se fazerem fotografar fumando.
Ninguém pôs em causa o
Ninguém pôs em causa o método heurístico (heurístico, palavra nova para mim, obrigado) do Luís Lavoura. Houve apenas uma reacção normal de um fumador quando vê alguém dizer que os fumadores lhe metem nojo. Só isso. Obviamente o Luís Lavoura é livre de fazer as escolhas que bem entender, ninguém pôs isso em causa. Desculpe, mas conseguiu escrever um post tão grande para não dizer absolutamente nada de relevante.
Não me parece
Caro Filipe Melo Sousa,
Para partir do princípio que houve uma qualquer falácia argumentativa, teríamos primeiro que admitir que houve sequer uma discussão. Ora, não houve sequer discussão, já que a afirmação inicial do LL de "não li, não leio e não lerei" "porque é uma porca-fumadora-orgulhosa-do-feito" a arrumou por knock-out logo no início.
Como liberais, e concretamento por mim falo, respeito todas as opiniões pessoais que o LL possa ter em relação a terceiros. Quer seja por fumarem, vestirem mal, cheirarem mal dos pés ou terem sotaque. Agora essa aceitação não elimina a nossa capacidade de crítica (e, dir-se-à, de sátira), constatado da nossa parte (e presumimos que por bastantes outros) um comportamento completamente irracional, uma atitude risível e, basicamente, um fétiche em grande parte idiota. Assim como o LL poderá exibir com orgulho a sua posição "na lapela" (como diz que o MST usa o cigarro que ele critica), da minha parte também tive dificuldade em me conter.
De resto, não se tratou de repetição de argumenos "ad nauseum". Foi mesmo uma tentativa de brincar com a situação.
It was a joke. Laugh! :-)
Aliás, e em jeito de conclusão, aguardamos com ansiedade a descoberta do LL de obras de nojentos viciados, como Churchill, Sartre, Hemingway, Bogart, Graucho Marx, Mark Twain, Bertrand Russell, ou até do Lucky Luke. Antes da palhinha.
Não sabia que o Mark Twain fumava
Confesso que me tenho rido bastante. É uma mania minha tentar racionalizar o gag. Mas continuo um expectador (e por vezes interveniente) atento
A repetição pode surtir efeitos cómicos bastante interessantes, devido ao desfecho patético dos seus intervenientes. É o cómico de repetição do Molière em algumas das suas personagens secundárias que entram em cena com falas recorrentes, é a Michelle de la résistance no Allo Allo que entra sempre em cena com o seu expectável "listên verý carrefullý, I shall say dís only vúance", é a expectável morte do Kenny no South Park no fim de cada episódio. É a entrada do Benfica em campo.. temos exemplos sem fim
Mark Twain
"É a entrada do Benfica em campo.."
:-D
Já agora, em relação ao Mark Twain:
"Mark Twain - American author. Said he smoked whenever awake and once claimed to have smoked 24 cigars in one day. Once commented that quitting was easy; he had done it a thousand times."
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_iconic_smokers