No Público de hoje vem a citação do presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, "O estado de Israel vai desaparecer em breve", proferida numa conferência que infelizmente foi realizada longe demais (no Irão), logo inacessível...
A douta sapiência deste chefe de Estado não só profetiza o desaparecimento, extinção (ou será genocídio?) de uma nação como lhe determina a brevidade. Ou seja é uma profecia a curto prazo. Perdoem-me a heresia, de declarar profecia, pois o termo mais exacto será desejo, antevisão, aviso ou ameaça. Ou então mero bluff de mais um fanfarrão que quer agradar a esquerda ocidental em conjunto com os fanáticos do Médio Oriente e tenta afrontar assim o "Grande Satã".
Escusado será referir a teoria brilhante sobre o Holocausto, que por sua vez une enternecedoramente as espécies protegidas do costume: neonazis, extrema-esquerda e islamitas fanáticos. Pois então esta teoria defende que este dito holocausto foi uma invenção dos costumeiros conspiradores judeus (ver o site da Radio Islam sobre os protocolos dos Sábios de Sião e outras pérolas que lá estão), para legitimar o estado de Israel. Não há dúvida que a História é uma ciência tão relativa que está constantemente sujeita a revisionismos. Eu cá para mim deixava de a estudar e limitava-me apenas a prestar atenção a estas sumidades, tal como faz quase toda a imprensa mundial. Entre estas há outras pérolas, se calhar o próprio Hitler foi contratado pelos judeus para fundar o III Reich e simular o genocídio... Eu já acredito em tudo.
Enquanto isso, há um povinho de gentinha que deve ser muito insignificante, pois os holofotes dos média pouco neles incidem que é os povos Dinka e os Nuba do Sul do Sudão. O governo árabe muito amigo de Mahmud Ahmadinejad, entretém-se a dizimá-los - seja à fome seja pelo método tradicional da arma em punho - pois estes povos para além do defeito de serem negros demais continuam a insistir em não seguir o Islamismo. Realmente perante gente teimosa como esta há que ser implacável!
Assim vão as glórias do mundo!
Até já.
Comentários
Quando falo com alguém
Quando falo com alguém sobre o problema da Palestina, pergunto sempre primeiro se o meu interlocutor é a favor da existência do Estado de Israel. Se as pessoas não se entenderem aí, não vale a pena aprofundar.
Se o meu interlocutor defender a existência de Israel, eu depois pergunto-lhe em que bases, etc.
Não é de admirar que os outros pensem que o Irão pretende causar problemas à América no Iraque.
(Apareceu aí há tempos um livrito de um italiano chamado Primo Levi, que grande romancista, inventa cada coisa...)
Caro amigo, eu discursos
Caro amigo, eu discursos herméticos já disse que entendia pouco. Por limitação minha, claro está! Fala-me o meu amigo de invenções de Primo Levi. Se calhar para o meu amigo a conferência que sucedeu no Irão e em que estas declarações foram proferidas, e que contou com a presença de ínsignes revisionistas da história (alguns já com penas de prisão no CV), também foi uma invenção de Primo Levi... Todas as brilhantes afirmações feitas antes, por este líder iraniano e o acto de angariar voluntários para o Hezzebolah também será invenção de Primo Levi. E os estudantes iranianos que vêem sua liberdade condenada e apelam a que a sua voz seja ouvida no Ocidente, também será invenção de Primo Levi. Ontem falaram-me aqui no Human Rights Watch para procurar contrariar um post meu. Pois eu aconselho é a leitura deste site ao meu amigo e mais pessoas que por aqui andam. Isto nos intervalos das suas leituras às recensões críticas revisionistas de Primo Levi, claro está.
Pedro José Félix
Este post contem diversos
Este post contem diversos erros factuais.
(1) O Irão não é um país inacessível. Realizam-se de facto, atualmente, diversas conferências científicas no Irão. Conferências às quais assistem pessoas de variadas nacionalidades. Um português que queira ir ao Irão, é bastante fácil.
(2) Ahmadinejad nunca pretendeu um "genocídio" do povo judeu. Apenas disse que os judeus de Israel deveriam voltar para os seus países de origem. Ou que, em alternativa, deveriam fazer um Estado judeu noutro lado.
(3) O Sudão não é um país amigo do Irão. Há uma grande inimizade entre a generalidade dos países árabes e o Irão. Os árabes e os persas são povos que, historicamente, não se dão bem. O facto de o Irão ser quase totalmente xiita e o Sudão quase totalmente sunita ainda piora as coisas.
(4) Os massacres no Sudão têm mais a ver com uma luta por recursos naturais e petrolíferos do que com quaisquer causas religiosas. Aliás isso é bem visível no caso do Darfur, onde muçulmanos lutam contra muçulmanos. No caso da luta Norte-Sul isto não era bem assim mas, também aí, a luta por recursos era a causa profunda do conflito.
Luís, permita-me
Luís, permita-me responder-lhe ao seu comentário, o qual agradeço imenso:
(1) O Irão é um país, de modo geral, culto e com uma cultura universitária dinâmica, que agora está sob ameaça das leis teocráticas do actual presidente. Actualmente os estudantes iranianos estão a encetar uma luta acirrada contra Ahmadinejad. Infelizmente a história vai acabar com algo parecido com os massacres de Tianamen dos anos 80. Oxalá eu esteja enganado...
(2) Também era melhor que ele viesse defender a público que pretendia o genocídio do povo judeu, não era Luís? Mas que países de origem? Mais de metade da população nasceu já em Israel!
(3)Lamento mas engana-se. O facto de o Sudão ser sunita e o Irão Xiita não impediu acordos variados, em relação aos quais dizia já George Bush (pai) tratar-se de um aliança de demónios. Demónios à parte, lol, o Hezzebolah tem tido um papel importante no Sul do Sudão.
(4)As guerras religiosas sempre esconderam motivações económicas, até aí estamos de acordo. Se o Sul do Sudão fosse um deserto, talvez os povos que falei vivessem pelo menos em paz... Em relação a Darfur, Luís, lamento fazê-lo e não é por mau feitio meu, mas tenho de discordar e aconselhá-lo a visitar a página
http://hrw.org/english/docs/2006/12/12/darfur14833.htm do Human Rights Watch e outras págs. do mesmo site onde abunda informações sobre o tema. Em relação à "causa profunda" isso é sempre controverso. Há sempre grandes discussões entre historiadores para determinar as causas profundas de um conflito.
Pedro José Félix
Peço desculpa se fui muito
Peço desculpa se fui muito hermético. Estava só a fazer um pouco de ironia. Referia-me à esquerda radical, que dá a impressão de ser contra a existência de Israel, para além de conferir total legitimidade a grupos cujo fim último é a destruição de Israel, como o Hamás e o Hezbolá.
Li "Se Isto é um Homem", de Primo Levi, e portanto espero que os revisionistas me provem que Primo Levi (1) nunca esteve num campo de concentração ou, quem sabe, (2) nunca existiu. Talvez também o Diário de Anne Frank tenha sido obra ficcional... não se sabe até que ponto o revisionismo poderá ir.
Desculpe Ismael, mas - volto
Desculpe Ismael, mas - volto a dizer por limitação minha - fiz uma leitura errada do seu comentário.
Pedro José Félix