Ajudas Públicas

Retrato de Miguel Bengla

O empresário Patrick Monteiro de Barros informou hoje o primeiro ministro e o ministro da economia de que o anunciado projecto para a costrução de uma refinaria em Sines se tornou inexequível, por culpa do governo. Se a crítica fosse apenas direccionada à enorme máquina burocrática que envolve a administração pública, que desvia muito investimento de Portugal, aceitava-se. Mas a referência à "falta de reacção por parte do Executivo às opções técnicas debatidas" leva-me a entender que existiam negociações para ainda mais umas ajudas extraordinárias.

E é neste ponto que os governos em Portugal erram: favorecimento de segmentos de actividade em detrimento de outros. Quem iluminou os nossos governantes para eles saberem que o melhor para todos nós é o dinheiro dos nossos impostos servir para apoiar uma nova refinaria em Sines, que por acaso até vai prejudicar Portugal nos seus compromissos ambientais internacionais? Como é que os políticos podem saber qual a aspiração de cada cidadão, ou mesmo de cada grupo de cidadãos que compõem a sociedade civil? Com que direito gastam o dinheiro dos nossos impostos para ajudar uns e não outros?

O Estado deve garantir o regular funcionamento do mercado e não ajudar os segmentos que, por qualquer razão do momento, lhes interessa. Deve garantir um harmonioso ordenamento do território com a indispensável protecção ambiental, e pouco mais. A sociedade civil é que tem que se tornar o verdadeiro impulso empreendedor de Portugal e, se lhe ocorrer alguma necessidade onde será prioritário investir, esse investimento surge porque a lei de mercado assim o dita.

Em Portugal têm que terminar as ajudas estatais a certos investimentos. A ajuda deve ser igual para todos, e essa passa por uma carga fiscal menor, acompanhada por menos burocracia e menor interferência estatal.

Comentários

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Retrato de Luís Lavoura

Em princípio o Miguel tem

Em princípio o Miguel tem razão.

No entanto, no mundo real as empresas competem com outras empresas que recebem ajudas estatais. Temos então, potencialmente, casos de competição desleal, entre uma empresa que recebeu apoios estatais ao investimento e modernização, e outra que não recebeu tais apoios.

A União Europeia restringe esta possibilidade obrigando as ajudas estatais a não ultrapassar os 20% (salvo erro) do valor do investimento.

No caso da refinaria de Monteiro de Barros, o problema não se punha, uma vez que ela se destinava prioritariamente a exportar para os EUA. A partir do momento em que Monteiro de Barros alterou o seu projeto por forma a produzir para o mercado interno, ele passou a concorrer com um projeto análogo, mas não subsidiado, da GALP.

O que eu quero dizer é que esa teoria do Miguel está correta, mas tem que ser imposta em pequenos passos, e não apenas a nível interno mas também a nível internacional.

Estas conversas

Estas conversas pseudo-liberais só querem esconder uma coisa: a incompetência do governo!

O governo está lá para apoiar os bons projectos para o país. Os nossos impostos também servem para isso.

Governo e Impostos

Não. O governo está lá a apoiar os projectos que são "bons", segundo a sua falível e subjectiva opinião, bem como os projectos que são "bons" para os grupos de pressão que lhe são mais próximos.

Justamente porque alguns acham que os "nossos impostos" servem para financiar projectos é que a cada dia que passa cada vez mais gente se vai embora e emigra. Ao menos assim os "seus" impostos já não contribuirão para Otas, TGVs, subsídios, benefícios fiscais e outros gastos injustificados.

Subscrevo.

Subscrevo.

Governo

Deve ser por ser novato nisto - pelo que percebi, critica-se aqui o Governo/Estado por não ter apoiado Monteiro de Barros e critica-se o Governo/Estado por sequer ter considerado apoiá-lo. É isso?

SUBVENÇÕES DE ESTADO...

1- Pois, Miguel Bengla, deveria ser como tu dizes: acabar com as ajudas estatais ou serem iguais para todos...
De preferência, a primeira...
O problema, contudo, ultrapassa os Estados, a partir do momento em que a União Europeia subvenciona determinadas actividades empresariais, introduzindo um mecanismo gravemente distorcedor do liberalismo e esbanjador do erário público dos países mais dadores...

2- Nesse sentido, os governos também se sentem impelidos a favorecer certas actividades empresariais, o que provoca benesse discriminatória...

3- É o caso dos apoios financeiros para grandes investidores...
Estes recebem tamanhos subsídios, que até nem precisam de comprar terreno, para implantar a sua empresa, nem de pagar a instalação na sua quase totalidade...
Só faltava pagarem-lhes para eles produzirem cá...
O caso mais flagrante de delapidação de fundos públicos foi o da Auto-Europa...

4- Enfim, quando se depende de estruturas políticas supranacionais... dá nisto...
Seria muito difícil, um partido manifestamente liberal alcançar o poder e governar com equidade sem ambiente de benesses financeiras...
Teria que alinhar no jogo...

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