
Pensar que o mercado internacional do petróleo é um "mercado livre" é pura ilusão. [...] está periodicamente sujeito a manobras de manipulação por parte do grupo de nações que controla as maiores reservas utilizáveis do mundo [...] agindo por vezes em concertação com um pequeno grupo de empresas que dominam a produção, a refinação e a rede de distribuição mundiais.[...] as nações produtoras pretendem, naturalmente, maximizar os seus lucros. Mas, mais importante ainda, também pretendem manipular a nossa vontade política. E, nos últimos trinta anos, têm considerado muito cuidadosamente a necessidade de reduzirem os preços sempre que o Ocidente está prestes a reconhecer a sensatez de desenvolver fontes independentes de combustíveis renováveis, susceptíveis de assegurar o seu abastecimento.
Al Gore, O Ataque à Razão
Comentários
break-even
Sim, há claramente um equilíbrio entre o preço máximo ao qual a OPEP decide vender o petróleo, e o custo de desenvolvimento de uma energia alternativa para um uso equivalente.
É em alturas de petróleo caro que a indústria faz contas para investir em algo alternativo.
Falta um bocadinho assim
O facto de o petróleo continuar alegremente a trepar apesar de toda a (mais) retórica (que outra coisa qualquer) a respeito das alternativas deveria fazer soar a campaínha.
Alternativas?
Não há verdadeiras alternativas para muitos dos usos do petróleo, nomeadamente no setor dos transportes. O setor dos transportes consome numa economia desenvolvida 40% de toda a energia primária consumida, mas maior percentagem ainda do petróleo. Ora, nesse setor, basicamente não há alternativas que tecnologicamente se comparem, de perto ou de longe, ao petróleo.
Luís Lavoura
OPEP
Não é a OPEP quem "decide" vender o petróleo a um determinado preço. É o mercado quem faz o preço. Trata-se de um mercado livre, no qual opera a lei da oferta e da procura. A OPEP é um cartel mas, dado que nem sequer reúne metade da produção e dado que não consegue impôr aos seus membros obediência estrita às determinações do cartel, nunca teve grande poder. É um tigre de papel, como diria o camarada Mao.
Luís Lavoura