
Eu sempre fui um grande “fã” da globalização e frequentemente fico chocado porque os argumentos que oiço contra a globalização são os mesmos que eu apresento a favor da globalização:
- A extrema pobreza
- Práticas ambientais terríveis
- Imperialismo
- Destruição cultural
Ora bem, tudo isto são problemas que apenas com uma globalização consciente, com muita diplomacia, negociação, colaboração e mercados abertos se podem combater.
Mas existe outro “fantasma” presente que agora ganha alguma força.
Estou a falar de quando uma economia forte cai e traz as outras economias por arrasto. A economia Americana é forte o suficiente para não se falar em “cair”, mas a situação actual veio trazer esse fantasma.
Se a economia Americana entrasse em colapso actualmente, todos nós iríamos sentir, como de facto já sentimos alguma coisa, mas se tal acontece não é por globalização a mais. É sim por globalização a menos.
Hoje ainda existem poucas economias nacionais muito fortes: as norte-americanas, as europeias e algumas asiáticas. Porque são poucas, quando uma como a Americana mexe, todas as outras abanam.
Com o progresso e sucesso da globalização, podemos chegar a um ponto em que, se uma economia abanar, as outras não sentem porque o efeito de uma fica completamente diluído.
Comentários
China
"podemos chegar a um ponto em que, se uma economia abanar, as outras não sentem"
Um dos problemas da economia portuguesa é que continua a concentrar demasiadas das suas exportações na Europa. Enquanto que a Europa mais desenvolvida se preocupa em vender aviões e máquinas de fazer gelados à China, as empresas portuguesas continuam a só se preocupar em vender ao mercado europeu.
Isto é um erro, não só porque Portugal fica muito vulnerável a quaisquer crises na Europa, como também porque o mercado europeu está, a longo prazo, saturado, devido à estagnação demográfica da Europa.
Luís Lavoura
...
Portugal é dos países da UE que menos lucra com esta. Já lucrou, com as ajudas comunitárias, mas hoje em dia, com o encolhimento destas, a margem de lucro começa a estreitar.
Geográficamente, estamos na cauda da Europa. Este facto torna-nos pouco apetecíveis para os nossos parceiros europeus. Pelo contrário, o Continente Americano (nomeadamente o Brasil e os EUA) teria muito a lucrar com o estreitamento das relações connosco. (E vice-versa, evidentemente). Se nos virássemos para estes países, teriamos muito a beneficiar.
Para além disso, há sempre aquela megalomania que nos impede de especializar em determinados produtos (por exemplo, energias renováveis), e tentar produzir de tudo, capacidade que obviamente não possuímos!