A agenda enigmática dos defensores dos animais

Retrato de Luís Lavoura

Os defensores do bem-estar animal são uma curiosa seita dos tempos modernos, aproximando-se quase de uma religião. São fanáticos dedicados, com uma enorme unidade entre si e uma determinação implacável na prossecução da sua agenda, frequentemente difícil de explicar.

Mas pergunto-me agora que faz mover essa seita em Portugal, para além do dinheiro que recebe dos seus correligionários no estrangeiro. Recentemente o ministro da agricultura sugeriu que tenciona proibir a importação para Portugal de raças de cães consideradas perigosas, proibir a sua reprodução e criação em Portugal, e impôr a esterilização dos animais já existentes em território nacional. Claramente, nenhuma destas medidas causa qualquer prejuízo substancial aos animais, causa-lhes sofrimento ou prejuízo ao seu bem-estar. É corrente castrar animais domésticos das mais variadas espécies, sem que nunca os defensores do bem-estar animal se tenham manifestado contra tal prática ancestral. A proibição do comércio e criação também não prejudica os animais existentes nem os faz sofrer. Apesar destes factos óbvios, a principal associação de defesa do bem-estar animal em Portugal (a Animal) manifestou-se determinada contra tais medidas, embora sem saber dar uma explicação clara - uma vez que de facto ela não existe! - para essa sua oposição.

Que faz mover os auto-proclamados defensores do bem-estar animal? Estarão eles a soldo dos criadores e importadores de cães de raças perigosas? Será que são financiados, não apenas pelos seus congéneres estrangeiros, mas também pelos criadores de cães perigosos?