1 de Janeiro de 2008, Dia da Liberdade

Retrato de Luís Lavoura

Hoje, 1 de Janeiro de 2008, é o dia em que três quartos dos portugueses vão finalmente ser libertados da agressão, frequentemente sob a forma de tortura sádica, a que foram submetidos pelos restantes um quarto dos portugueses ao longo de decénios.

Ao longo de anos, muitos de nós fomos submetidos a colegas, conhecidos ou desconhecidos, amigos ou inimigos, que se arvoraram o direito de fumar junto a nós, em locais fechados, frequentemente no nosso próprio local de trabalho - local onde, por lei, respeito e bom senso, um trabalhador deve dispôr de condições minimamente sãs. Quando nos queixávamos, éramos olhados com chacota e desprezo, e a agressão não parava, antes era reforçada.

A minha mulher, grávida do nosso primeiro filho, teve que suportar no seu trabalho, numa grande empresa portuguesa, reuniões de trabalho que se prolongavam por várias horas, numa pequena sala fechada, com três ou quatro pessoas a fumar. Se se queixava, era desprezada. Nada de anormal - isso apenas reproduzia aquilo que ela já tivera de suportar noutras empresas anteriormente. O desprezo sádico dos fumadores portugueses por quem não fuma sempre foi total. Só nos últimos meses ou anos, quando perceberam que o vento estava a virar, começaram alguns deles a perder essa altivez sádica e cruel de quem não hesita em fazer sofrer.

Hoje é o dia da libertação para muitos trabalhadores portugueses. Saudemo-lo como uma grande vitória da Liberdade.